23/06/2016

Aplicativo de troca de mensagens ajuda a aproximar jornais dos leitores

Por Helena Mega


As pessoas olham, no mínimo, 150 vezes para a tela de seus celulares todos os dias. Observando esse comportamento, o editor de cidade e polícia do jornal Extra, Fábio Gusmão, decidiu em 2013 lançar um número de WhatsApp do veículo.

Foto: Alice Vergueiro
 Nas primeiras 48 horas, 338 pessoas foram cadastradas. Gusmão, que cuidava pessoalmente do perfil, salvou o contato de cada uma delas. O jornal ganhou alcance nacional e internacional, e conta hoje com 26 mil pessoas cadastradas no mailing, incluindo brasileiros que vivem em 24 países diferentes.

 Não demorou, no entanto, para que os bloqueios começassem a vir. "Durante quatro meses, fui descobrindo todos os problemas", relata Fábio. Hoje o jornal se aproveita da lista de contatos, que inclui não apenas o nome, mas também o endereço e a idade dos leitores, para colher informações aonde os repórteres não conseguem estar. "Não existe mais testemunha ocular, existe testemunha em celular", brinca.

Para o jornal O Estado de S.Paulo, o Whatsapp transformou-se em um grande difusor de notícias. Uma das primeiras experiências com o aplicativo foi uma reportagem especial intitulada "Caminho de Santiago", quando 1.500 leitores acompanharam, através de um grupo, os 800 quilômetros de viagem de um repórter e um fotógrafo até a cidade espanhola. 

Hoje, manchetes são enviadas três vezes ao dia (manhã, tarde e noite) a milhares de números cadastrados. O envio é manual, feito por celular, e parte de uma rigorosa curadoria. "Apesar de todas as tecnologias, o trabalho de jornalista está cada vez mais importante", afirma Luis Fernando Bovo, editor-executivo de conteúdos digitais do jornal.

Eles participaram na manhã desta quinta-feira (23) do painel "Novas tecnologias de apuração e difusão", no qual contaram casos sobre o uso dessas ferramentas. A interação com o público já fez com que, por exemplo, uma foto enviada por um leitor estampasse a capa da edição impressa. Com a formação dos grupos, foram registrados 10 mil usuários novos no site, já que as manchetes, além dos emojis, vêm acompanhadas de links para a leitura das notícias completas.

Um caminho contrário vem sido seguido por Bernardo Brandão, sócio-diretor da DGBB Assessoria de Imprensa. Criador e desenvolvedor da plataforma Instainfo, ele envia para seus clientes, via WhatsApp, as principais notícias do dia de acordo com o perfil de cada um.

"Faço chegar até você a notícia que fará diferença no seu dia a dia, no seu negócio, no trânsito do caminho até a sua casa", explica Brandão. Ele tem como aliado o fato de que, atualmente, 91% do consumo de notícias é feito de forma online.

LIMITAÇÕES 

Quando surgiu em 2009, a proposta do WhatsApp era a de substituir os SMS no envio das mensagens de texto, tornando-as gratuitas. Os seus próprios usuários, contudo, o transformaram em uma rede social e, por ser muito simples, fez muito sucesso.

As suas limitações técnicas, portanto, são muitas. Com grupos de, no máximo, 256 pessoas, o alcance de milhares depende de muito trabalho manual. Os números, da mesma forma, precisam ser cadastrados um a um na lista de contatos.

Para chegar a todos, o corpo de texto deve ser alterado em um certo intervalo para que a mensagem não seja identificada como spam. "O WhatsApp um dia vai acabar. Quando você fica muito grande, é bloqueado", coloca Gusmão. Assim, ao mesmo tempo em que os veículos investem nele, tentam migrar para outras plataformas.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário