28/06/2018

Credibilidade da imprensa é foco de projeto discutido durante congresso

Com o avanço tecnológico e a disseminação de notícias falsas e mal apuradas, a credibilidade dos jornalistas e veículos de imprensa profissionais têm sido questionada

Por Ruam Oliveira

Jornalista Angela Pimenta, do Projor, durante 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo | Foto: Alice Vergueiro

Refletir sobre a fragmentação da notícia e elaborar técnicas e ferramentas que possam diminuir a crescente descrença em relação à imprensa é um dos objetivos do Projeto Credibilidade. Ele foi tema de palestra na manhã desta quinta, 28, no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que ocorre na Universidade Anhembi Morumbi, campus Vila Olímpia-SP.

Composto por um consórcio de 17 entidades que contempla jornais, revistas, agências de checagem e outras instituições ligadas à imprensa - entre elas a Abraji, o projeto é coordenado pela jornalista Angela Pimenta do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo) em parceria com o professor Francisco Rolfsen Belda, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia da Unesp.

Iniciado no Brasil em 2016, o projeto não funciona como um mecanismo de verificação de qualidade das produções jornalísticas, explica Pimenta. “O que nós queremos é que haja uma adoção gradual de boas práticas “. Tornar mais passível de escrutínio o modus operandi dos integrantes do consórcio está entre os focos centrais do trabalho, aponta a jornalista.

O Credibilidade é inspirado no “The Trust Project”, fundado em 2015 nos EUA pela jornalista Sally Lehrman. A  versão americana listou indicadores de credibilidade que servem como auxílio para nortear o trabalho, entre eles o questionamento sobre quem financia o veículo, quem são os patrocinadores, expertise dos autores das reportagens, distinção do material - se opinativo, análise, humor ou notícia - entre outros. Ao todo foram oito tópicos que envolvem método, apuração e diversidade.

Professor Francisco Rolfsen Belda | Foto: Alice Vergueiro
“São coisas que para nós jornalistas parecem óbvias, mas para alguns leitores não”, disse Belda. Ele ressaltou que a implementação destes indicadores dentro das redações demanda muita reflexão: “Não é dar um aval ou um certo tipo de carimbo, mas mostrar que eles [os participantes do projeto] estão comprometidos [com a qualidade do que é produzido]”, disse.

Descrença na Imprensa

De acordo com pesquisa do DataFolha realizada em Junho de 2018, o grau de confiança na imprensa diminuiu de 22% para 15% entre aqueles que “confiam muito” e entre os que não confiam cresceu de 28% para 37%.

O Manual de Credibilidade desenvolvido pelo Projeto aponta que entre as causas de tal descrença está: a fragmentação da notícia no meio digital; as chamadas “notícias falsas”, que para os palestrantes é um termo inadequado para tratar de informações que são deliberadamente enganosas; A polarização política; O viés de confirmação, conceito cunhado pelos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky - que de acordo com eles é uma tendência natural dos indivíduos de confirmar aquilo que acreditam; filtros bolhas contidos nas redes e WhatsApp; Apuração enviesada de informações e ausência de princípios éticos jornalísticos.

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde a 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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