29/06/2018

Debate propõe medidas de proteção contra assédio virtual a jornalistas

Profissionais de comunicação destacam prevenção e apoio de veículos na cobertura de ataques pela internet

Por Natália Mota


Jason Reich(BuzzFeed), Thais Nunes(SBT) e Janaina Garcia(UOL). Foto: Alice Vergueiro.
O assédio virtual contra jornalistas é um ataque com alvo claro - intimidar e impedir a publicação de conteúdos indesejados. O diretor de segurança global do BuzzFeed Jason Reich alerta para alguns cuidados que podem ser tomados tanto para aumentar sua segurança nas redes, quanto para agir em um possível caso de assédio na internet.

Entre os pontos destacados, está a necessidade de separar o conteúdo público do privado. “Não estou falando que não se pode ter Facebook, mas é preciso reconhecer a repercussão do seu trabalho e saber separar. Você precisa garantir que se uma pessoa se irritar com o seu trabalho ela não vai encontrar a sua família”, conta.

Reich recomenda que a transição de uma conta para a outra seja feita de forma rápida e eficiente, para que o jornalista  esteja minimamente protegido antes de o ataque acontecer. Para potencializar a sua segurança e fazer uma “limpa” no seu perfil do Facebook, ele recomenda o site Security Planner. A página faz um o passo a passo de como não expor informações privadas publicamente.

“Se você é um bom jornalista você naturalmente vai deixar as pessoas bravas, mas, apesar dos tempos sombrios, existem formas de se proteger. Então, incorpore o ‘cara ruim’ por alguns minutos e tente encontrar o máximo de informação pública sobre você em uma aba anônima da internet. É por esse caminho inverso que você vai começar a se proteger.”

O especialista aponta que um erro frequente é quando jornalistas bloqueiam os perfis após sofrer algum tipo de ataque. “Com essa atitude, os assediadores têm a sensação de dever cumprido. Meu sonho não é que essas pessoas sejam presas, mas, sim, ignoradas.”  Sobre o caminho de investigação, ele ressalta que o caminho é longo, mas necessário. “Não é sobre punir, é sobre fazer a coisa certa.”

Ele acrescenta que é fundamental que todo tipo de mensagem, vídeo e publicações ofensivas sejam registradas. Como muitas vezes o conteúdo do ataque é extremamente sensível ao jornalista, Reich recomenda que o profissional peça ajuda. “O ideal é entregar a senha para alguém de confiança que entre no perfil, vasculhe todo o material fazendo registros e te devolva o perfil posteriormente.”

Apoio dos veículos

A estrutura por trás desses jornalistas também é imprescindível para que ele se sinta seguro para trabalhar. “Editores não ajudam seus repórteres a se defenderem de um assédio porque são 'legais', é obrigação legal deles prestar esse apoio”, conta Reich.

No caso de jornalistas independentes e freelancers, a recomendação do especialista é se reunir em grupos e cobrar medidas dos veículos de comunicação. Um exemplo de profissionais que se uniram é o coletivo “Jornalistas contra o assédio”.

As repórteres e co-fundadoras do grupo Thais Nunes, do SBT, e Janaina Garcia, do portal UOL, reconhecem um avanço no debate sobre assédio, principalmente com foco em gênero. “Antigamente não se ouvia falar abertamente sobre assédio”, diz Janaina. “Hoje, um assediador pensa duas vezes antes de expor seu ódio publicamente. Esse é um movimento que tá em curso e não tem volta, ele não vai parar.”

O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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