30/06/2018

Em ano de eleições, polarização abre espaço para notícias falsas nas redes sociais

Mesa discute sistemas de proliferação de fake news

Por Samara Najjar
Leonardo Sakamoto(Repórter Brasil) e Pablo Ortellado(USP) conduziram painel sobre redes sociais nas eleições. Foto: Alice Vergueiro
Ambientes ultrapolarizados permitem a disseminação de notícias falsas. No período pré-eleitoral, a divulgação desse tipo de conteúdo se torna mais assídua em vias da possibilidade de descreditar a oposição e angariar votos.


Na tarde do último dia do 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, o jornalista Leonardo Sakamoto, da Repórter Brasil, e Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), comentaram os impactos desse fenômeno na sociedade durante a mesa "Ecossistemas da manipulação nas redes sociais em ano eleitoral".

Considera-se notícia falsa todas as publicações que viralizam nas redes sociais a partir de informações comprovadamente inverídicas. Segundo Pablo Ortellado, a diferença entre o boato e a fake news se dá no vetor que passa segurança a quem lê a matéria. "Enquanto no boato a credibilidade é respaldada por um testemunho, na notícia falsa o que confere a credibilidade é a suposta apuração jornalística, com a inserção do título, linha fina”, disse.

Esse processo tem como consequência um ecossistema de desinformação, que pode ser resultado de uma manipulação ou incompreensão do leitor, de acordo com Leonardo Sakamoto. "Há casos de mentiras, enviesamento político e de fraude. Mas há também situações em que textos opinativos de jornalistas são entendidos como a única verdade” explica.

A eficácia da disseminação desses conteúdos tem como condicionante a polarização do meio social. No Brasil, esse processo de maniqueísmo no âmbito político teve início após as manifestações de junho de 2013 e se tornou exorbitante depois das eleições presidenciais do ano de 2014. 

De acordo com Pablo Ortellado, grupos considerados de direita e de esquerda montaram redes de produção jornalística com o objetivo de influenciar a opinião pública conforme a sua orientação política. "Eles têm em comum o caráter partidário, porém as gêneses são diferentes. Na esquerda, a gênese é de jornalista, mais profissional, enquanto na de direita é cidadã, menos sofisticada, o que reflete a quantidade de erros.

Para Sakamoto, não há uma solução a curto prazo para este cenário. “Organizações midiáticas e políticas solicitam mais transparência nas publicações, até porque não tem como governo diferenciar o que é uma notícia falsa ou não. Isso afetaria a liberdade de expressão dos jornalistas”, disse.

Neste contexto, jornalistas que fazem a checagem de dados a fim de confirmar a veracidade dos conteúdos são afetados. Muitos deles não tem perfis pessoais expostos, publicações distorcidas ou descreditadas. "Minhas dicas para quem vai cobrir as eleições são: fechar o seu perfil para o público e fazer a limpa nas redes sociais", disse. Em caso de ameaças, o jornalista recomenda ainda que seja feito um comunicado ao departamento jurídico de onde o repórter trabalha.

O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.



Nenhum comentário:

Postar um comentário