29/06/2018

Gestão profissional pode ajudar a viabilizar novas iniciativas

Startups de comunicação vivem desafios financeiros e de equipe, mas o trabalho compensa

Por Carolina Marcheti
Carolina Oms(AzMina), Giulliana Bianconi(Gênero e Número), Sérgio Spagnuolo(Volt Data Lab/Abraji) e Pedro Doria(Meio) formaram o painel. Foto: Alice Vergueiro
Entre os desafios de fazer jornalismo de qualidade estão a remuneração e o próprio mercado de trabalho, em crise há muitos anos. Iniciativas de comunicação têm nadado contra a corrente buscando formas de sustentar seus conteúdos e reportagens.

Convidados para participar do debate 'Dificuldades e recompensas de jovens iniciativas de mídia no Brasil', que aconteceu hoje no 13° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, Carolina Oms (Revista AzMina), Giulliana Bianconi (Gênero e Número), Sérgio Spagnuolo (Volt Data Lab/Abraji) e Pedro Doria (Meio) falaram sobre como novas iniciativas em comunicação nasceram, as realizações e os desafios de adaptar o negócio a um mercado incipiente no Brasil.

Segundo Dória, estes novos empreendimentos no jornalismo formam um ecossistema de startups da comunicação e quanto mais modelos de negócio existirem, melhor para todos. Ainda segundo o fundador do portal Meio, se mais pessoas se especializarem nesse tipo de negócio, criam-se produtos de comunicação e um nicho de mercado.

Perfil profissional
É consenso entre os participantes a necessidade de um perfil gestor entre os jornalistas nas startups. “Não dá para trabalhar só com jornalismo. Se você não coloca alguém para cuidar do negócio, você coloca o seu próprio negócio em risco”, afirma Dória. Bianconi conta que quando começou a empreender achava que fosse ser diferente. “Não imaginava que teria que fazer tantas planilhas, cálculos…  Adoraria fazer mais reportagens, mas tenho que resolver os pepinos também”, afirma.

Oms chama atenção para a necessidade de um modelo de negócio para novas iniciativas. Fundado por 7 mulheres e sem plano de negócios, na base da tentativa e do erro, ela percebeu que a parte administrativa é muitas vezes negligenciada pelo comunicador. “O modelo de negócios é engolido pelo jornalismo, porque o jornalismo é sempre urgente. Sempre vão ter novas matérias e furos, se você os  prioriza, acaba não tendo ninguém na administração ou captando recursos”.

Spagnuolo, por sua vez, iniciou sua empresa sozinho e trabalha com prestação de serviços para portais de comunicação e empresas. “Depois que eu mudei essa mentalidade e entendi que eu tinha que ser minha empresa, o Volt começou a dar certo”, comenta. Ele acrescenta que não tinha um plano de negócios, mas identificou um nicho de mercado e desenvolveu um modelo a partir da insistência e de tentativas e erros.

As iniciativas utilizam diversos métodos de captação de recursos, que vão desde fundos de investimentos, editais, prestação de serviços a consultorias e assinaturas.

Atualmente são os ideais que movem esses jornalistas. Oms conta que sempre gostou de trabalhar na grande imprensa, mas hoje vê um propósito maior em seu trabalho. “Outro dia conversei com uma cabeleireira que disse que sempre achou o mundo machista, mas nunca teve com quem falar sobre isso, até ler a revista e se sentir contemplada”. 

Já Dória acredita que a nova geração não se informa de maneira organizada e se o Meio conseguir comprimir a informação de forma que as pessoas possam consumir informação de qualidade, o trabalho recompensa. Existe também uma realização profissional em empreender, Spagnuolo.“Essa é a melhor fase da minha carreira”, conta.

O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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