29/06/2018

Recém-formados apresentam trabalhos premiados no Congresso

Temática social orienta a produção de TCC’s inscritos em número recorde nessa edição

Por Maria Vitória Ramos


João Pedro Martins, um dos recém-formados premiados pela Abraji. Foto: Alice Vergueiro. 
Jovens de todo o país apresentaram seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) de jornalismo durante o painel ‘Mostre e Conte’, apresentado no segundo dia do 13° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Os inscritos tinham 10 minutos para apresentar seus trabalhos descrevendo desafios e dificuldades encontradas. Foram 45 inscritos, recorde no evento desde 2014. “Não esperávamos tantos trabalhos. Ampliamos o número de premiados. Não dava para escolher só quatro”, conta Marina Atoji, gerente executiva da entidade.

Marina conta que essa seleção de trabalhos surgiu em 2012 com a ideia de incluir mais os estudantes na programação do Congresso e não apenas como público. Os sete trabalhos selecionados ganharam um ano de mensalidade na Abraji.

Trabalhos selecionados

O estudante Thomas Jefferson Gonçalves, recém-formado pela Universidade de Brasília, apresentou a reportagem especial ‘Aikewáras: a guerra contra o esquecimento’, em que recupera a história de como indígenas da etnia Aikewára foram torturados por agentes do Estado durante os combates contra a Guerrilha do Araguaia, no início dos anos 1970 e traça um perfil de como a comunidade indígena está atualmente.

Recém-formados pela Universidade Anhembi Morumbi, as alunas Ana Paula Nascimento, Katharina de Oliveira, Larissa Watanabe, Nayara Dantas e Fabio Amorim contaram os percalços da produção de um documentário em um grupo tão grande e um tempo tão reduzido. ‘O outro lado da Guerra - A visão de quem cobre’ fala sobre a cobertura de conflitos armados a partir do olhar de correspondentes experientes.

Já o documentário ‘Sírio Campeão, Carnaval no Ibirapuera’, produzido pelos jornalistas Felipe Foltran, Lucas Louzas, Gustavo Magnusson, Luís Otávio de Lucca e Mathias Sallit conta a história sobre a conquista do campeonato mundial de basquete de 1979 pelo Esporte Clube Sírio, a partir da voz dos atletas e membros da comissão técnica do time à época. Recém-formados pela Faculdade PUC-Campinas os cinco jovens fizeram todas as gravações em São Paulo.

Dividido em sete capítulos, o livro-reportagem ‘Nuanças e Cruezas da Loucura - Um percurso entre os manicômios e as residências terapêuticas’ trabalha a evolução do atendimento psicossocial no Brasil, a partir de histórias de quem já esteve internado em instituições psiquiátricas. O trabalho foi concluído em menos de seis meses pela aluna Brenda Loci Umbelina Cruz, formada pela FIAM-FAAM.

Da mesma universidade, a repórter Paloma Andrade de Vasconcelos apresentou o livro-reportagem ‘Transresistência: Histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho’, que mergulha nas dificuldades de homens e mulheres trans para exercer suas profissões.

O livro-reportagem ‘Vazio das Águas: vidas submersas, identidades forjadas’ retrata os impactos da construção de uma barragem no interior da Bahia. O livro foi publicado pelo estudante João Pedro Ramalho Martins, formado pela Universidade do Estado da Bahia.

Luana Viana, Nathalia Mendes e Érika Motoda, formadas pela Universidade Metodista, apresentaram o livro-reportagem “Na casa dos outros”. Com quase 300 páginas, o trabalho reúne perfis de trabalhadoras e trabalhadores domésticos tecidos sob o jornalismo literário.

Para a gerente executiva da Abraji, “é importante ter associados, e que sejam pessoas jovens, que vão renovar a instituição, trazer vozes frescas para o debate. Esses jovens jornalistas que chegam na Abraji por meio dessa seleção já tem um ponto em comum com todos nós associados, que é o interesse pelo jornalismo investigativo”, define.

O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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