27/06/2019

A Bula do Jornalismo ‘Anti-inflamatório’

Técnicas como abandonar palavras-gatilho, expor vulnerabilidades e exercitar a imaginação podem ser eficazes em uma cobertura ponderada

Por Juliana Fronckowiak Geitens
Edição Germano Assad
Raquel Cabral e Cris Bartis (Mamilos) deram dicas para convívio pacífico e opiniões plurais. Foto: Alice Vergueiro / Abraji


Discussões, amizades perdidas, relacionamentos rompidos… quem nunca saiu de um grupo ou bloqueou alguém nas redes sociais que atire a primeira pedra. “Se a gente quiser continuar vivendo numa democracia, precisamos fazer as pazes com o  conflito”, disse Cris Bartis. Em outras palavras, a co-fundadora do Mamilos Podcast, diz ser necessário criar espaços seguros no jornalismo para que opiniões distintas convivam de forma tolerante.

O Mamilos iniciou como um hobby e foi ao ar pela primeira vez no final de 2014 com o objetivo de discutir temas polêmicos, visões divergentes, mas com tranquilidade, empatia e bom humor. É o que Raquel Cabral, professora e pesquisadora da Unesp, acredita ser  a base de um jornalismo que não fomenta a polarização e rompe com a cultura de violência enraizada na nossa sociedade. “A violência cultural é a mais poderosa e mais sutil porque está presente nos discursos, na música, no cinema e nas expressões coloquiais… fomos educados na cultura de violência e é muito difícil romper isso”, disse na manhã desta quinta-feira, durante o 14º Congresso da Abraji, em São Paulo.

Retirar do vocabulário palavras-gatilho que criem bloqueio com os leitores ou fontes e evitar expressões que inviabilizem o diálogo são estratégias importantes para um jornalismo não inflamado, que respeita a opinião e a diversidade. O foco está em construir pontes com diferentes opiniões e fomentar a tolerância, não em provar pontos de vistas pré concebidos.

Algumas outras estratégias precisam ser levadas em conta, como: 
  • Dar espaço para fontes que frequentemente não são qualificadas como autoridade, mas têm vivências importantes; 
  • Perguntar e questionar informações óbvias - o que pode parecer absurdo, mas alcança resultados inesperados; 
  • A prática da verdade e a exposição das próprias vulnerabilidades, para diálogos mais sinceros; 
  • O uso e exercício da imaginação, que, na visão de Raquel, “criam diretrizes para o que queremos nos tornar como sociedade”.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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