29/06/2019

Jornalismo sem fins lucrativos: o que a experiência dos EUA pode ensinar?

Para Rosental Calmon, o modelo veio para preencher o vazio existente na cobertura diária dos grandes veículos

Por Juliana Fronckowiak Geitens
Edição: Leandro Melito e Caroline Oliveira



Rosental Calmon Alves (Centro Knight para o Jornalismo nas Américas). Foto: Augusto Godoy

Talvez Mercedes Sosa tenha se inspirado na geração de jornalistas que nascia quando, em 1989, fez a música ‘Todo Cambia’. Assim como tudo muda, o modelo de negócio que sustentou o jornalismo por décadas mudou. 

O jornalista brasileiro Rosental Calmon, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, acompanhou de dentro esse processo nos EUA e acredita que o Brasil pode beber na fonte dessa experiência e mudar profundamente não só um modelo de negócio, mas o produto jornalístico. 




Na década de 60, o telejornalismo roubou a cena do noticiário americano. Mas nada foi tão impactante quanto a internet. Isso significou instantaneidade, informação, acesso, grandes bases de dados, transparência, anúncios mais baratos e eficientes. 

Por outro lado, as mudanças também ocasionaram queda de faturamento nos jornais. Muitos fecharam e o setor entrou em decadência. Nos Estados Unidos, Calmon viu publicações reduzirem a redação de 40 para 4 pessoas. 

O jornalista acredita que não existe uma fórmula mágica, mas que as mudanças no jornalismo são oportunidade. Entre os novos modelos de produção de notícia ele destaca o jornalismo sem fins lucrativos. “Eu não tô dizendo que o jornalismo sem fins lucrativos é a solução. Mas é parte do cenário”. 

A organização jornalística que trabalha nesse modelo funciona como uma redação, só que não tem donos. O lucro é chamado de superávit, e utilizado para reinvestir na plataforma ou para levantar um fundo para a época de “vacas magras”. 

Um grande exemplo de organização de mídia sem fins lucrativos é o ‘The Texas Tribune’, criada em 2009, suplementando as principais fontes de notícias da região e promovendo o engajamento popular por meio de jornalismo explicativo. Com dez anos de funcionamento é considerado um dos melhores do país. 

Calmon, que é membro do conselho do The Texas Tribune, destaca a Agência Pública de Jornalismo Investigativo como um exemplo de sucesso no Brasil, uma organização que, segundo ele, “mostra que o jornalismo de qualidade é possível”.

Segundo Calmon, é simples entender o ‘jornalismo sem fins lucrativos’, uma categoria que veio para preencher o vazio existente na cobertura diária dos grandes veículos. E qual é o papel do jornalista nesse período de transformações? “De uma coisa tenho certeza”, disse Calmon, “o jornalista está muito menos dependente de qualquer instituição”.

O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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