13/09/2020

“A infografia deve ser usada como ferramenta de informação e persuasão neste momento crítico”, diz professor da UFPE Ricardo Cunha Lima

Aliança entre elementos pictóricos e textos é uma alternativa recomendada para aprofundar debates

Por: Nayani Real e Rafael Toledo

Edição: Nayani Real


Não é novidade que gráficos melhoram a compreensão de informações densas. Na América Latina, a arte rupestre chegou 40 mil anos a.C., atualizando as formas de comunicação então existentes. Já no jornalismo, a infografia similar à qual se tem hoje fincou pé por volta de 1800, após publicação do The Times de Londres. A prática chegou ao Brasil décadas depois e se consolidou a partir dos anos 1980, nos cadernos do jornal O Dia e O Globo.

Em palestra “Como melhorar a sua visualização de dados”, infografistas experientes dividiram seus conhecimentos com o público do 2º Domingo de Dados, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A conversa online trouxe Ricardo Cunha Lima, professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Rodolfo Almeida, atualmente designer da Dataviz, com experiência anterior em veículos como Nexo Jornal e Vortex Media.

Quer que eu desenhe?


Sim. De acordo com Lima, a aliança entre o texto e imagens facilita a assimilação do tema proposto. Um bom infográfico funciona para complementar, destrinchar e otimizar conteúdos densos. Para ele, uma boa forma de definir as informações que vão compor a imagem é partir da famosa fórmula quem/o quê, quanto, quando, onde, como e porquê -- ou seja, siga o lide.

O infografista Rodolfo Almeida frisa a possibilidade de realizar um produto potente e simples a partir da consideração prévia do repertório do leitor. Como exemplo, Almeida cita o famoso gráfico sobre o clima desenvolvido pelo cientista climático Ed Hawkings para a capa da revista The Economist, em 2019. Almeida pontua também a importância da densidade visual na articulação pictórica, já que a divisão dos dados orienta o público a gastar mais ou menos tempo para explorar o texto.

Aumente a interação com os leitores


Para falar em engajamento, Lima explica que adicionar as emoções à produção do infográfico pode ser uma das formas de garantir que temas socialmente relevantes ganham o devido destaque na opinião pública, já que ativam a empatia do leitor. Abordagens humorísticas, de acordo com o especialista, ainda são pouco vistas no jornalismo. O infografista Nigel Holmes é um dos nomes de destaque entre os profissionais inovadores nesse aspecto.

Por sua vez, versões animadas ou em vídeo vêm ganhando a adesão de profissionais da comunicação para transmitir informações de maneira interativa e, consequentemente, mais didática. Como referência, Lima recomenda os vídeos infográficos dos canais do Youtube Vox e Kugzgesagt.

Os infografistas chamam a atenção para a quantidade de informações: ela também determina se o conteúdo merece um apelo mais inusitado ou artístico para melhorar a adesão do público.

O método é propício inclusive para um período como o da atual pandemia da covid-19, em que as pessoas têm acesso a muitas informações divergentes. De acordo com um artigo de Lima, publicado na plataforma Medium, “é importante que a infografia seja usada como ferramenta de informação e persuasão neste momento crítico”.

Ferramentas


Para otimizar a produção de infográficos, algumas ferramentas são oferecidas dentro e fora da internet. Com distintos graus de dificuldade e níveis de customização para os infográficos, tais recursos podem facilitar a rotina de jornalistas que desejam apresentar os dados de maneira eficiente e empática ao leitor.

Durante a palestra, Rodolfo Almeida sugere algumas ferramentas online para melhorar a composição visual de dados em um infográfico. Foram elas:

Dataviz catalogue: no site, é possível dimensionar qual o formato do infográfico que mais combina com o objetivo do trabalho, sendo apresentadas opções como comparação, proporção, localização, mapa e brainstorm.

From Data to Viz: com o lema find the graphic you need, este recurso indica quais são os modelos de infografia essenciais a cada estilo de tabulação de dados. Em uma estrutura de organograma, ou árvore, o site interage com o usuário indicando as melhores ferramentas on-line ou não para realizar o infográfico.

RawGraphs: por meio do upload de um arquivo ou de uma URL, a plataforma indica sugestões de infográficos nas quais os dados de uma tabela ou gráfico podem ser visualizados. Em seguida, o usuário pode moldar as variáveis que serão pilares do infográfico e ainda editar a visualização do resultado final, exportando-o como PNG ou SVG.

Flourish: a ferramenta sugere diferentes modelos de infográficos que dialogam com a web. O grau de customização do infográfico é uma das ofertas que fazem a marca ser conhecida na rotina de jornalistas.


Direção de arte: Isabella Vieira e Mikael Schumacher
Criação de arte: Mikael Schumacher

A cobertura oficial do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é realizada por estudantes, recém-formados e jornalistas integrantes da Redação Laboratorial do Repórter do Futuro, da OBORÉ, sob coordenação do Conselho de Orientação Profissional e do núcleo coordenador do Projeto. Conta com o apoio institucional da Abraji, do Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão em Políticas Públicas e Sociais (IPFD) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em cooperação com a Oficina de Montevideo/Oficina Regional de Ciências para a América Latina e Caribe.

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