Projeto Repórter do Futuro


O Projeto Repórter do Futuro foi criado pela OBORÉ, em 1994, para oferecer alternativas de autodesenvolvimento a estudantes universitários da graduação que querem aprofundar o conhecimento e a prática da reportagem - a alma do jornalismo.

Desde então, dedica-se a conceber e organizar atividades de complementação universitária como cursos temáticos modulados, viagens de estudos e reportagens, ciclos de cinema, rodas de conversa com profissionais consagrados, entrevistas exclusivas e redações-laboratório.

Nesses 25 anos, desenvolveu metodologia própria de prática reflexiva nos seus diversos cursos modulados, adotando como pilar didático o que hoje é denominado Sala de Aula Invertida: pesquisa prévia sobre o tema e o palestrante, Conferências de Imprensa seguidas de Entrevistas Coletivas, produção textual e acompanhamento individual feito por professores e profissionais que integram sua Coordenação Pedagógica. Ao final, coloca-se sempre o desafio para que essa produção jornalística – seja impressa, audiovisual, multimídia ou transmídia - consiga veiculação nos meios de comunicação que constituem o chamado mercado de trabalho.

A iniciativa, que já mobilizou mais de 1.200 estudantes e jovens jornalistas, conta com o apoio das coordenações dos principais cursos de jornalismo da cidade de São Paulo, organizações expressivas da sociedade civil, profissionais de ponta do jornalismo e a participação de lideranças comunitárias, gestores públicos, especialistas, autoridades e personalidades do mundo político, acadêmico e cultural.

O Repórter do Futuro recebeu, em 2017, o Prêmio Contribuição ao Jornalismo oferecido pela Abraji.  

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Sergio Gomes (ao centro), diretor da OBORÉ, ladeado pela equipe e apoiadores do Projeto Repórter do Futuro recebe o Prêmio Abraji de "Contribuição ao Jornalismo" de 2017. Foto: Alice Vergueiro.

 

Cobertura colaborativa

Em 2010, a equipe do Projeto Repórter do Futuro foi desafiada pela Abraji a constituir uma Redação-Laboratório e colaborar com a cobertura de seus congressos internacionais.

Desde então, anualmente, a OBORÉ dedica-se a organizar as atividades desta Redação de forma colaborativa: a partir de um edital, estudantes e recém-formados que, necessariamente, tiveram passagem pelo Repórter do Futuro, manifestam interesse em participar da cobertura e passam por uma etapa de formação especifica. Junta-se a eles um time de jovens jornalistas e professores para planejar e orientar o grupo nas diversas etapas de produção e publicação das notícias.

Essa complexa empreitada ajuda a estimular a iniciativa, criatividade e o desenvolvimento dos estudantes e, simultaneamente, o sentido de disciplina, cooperação, respeito rigoroso a prazos e acurácia informativa.

Foi criado um blog, vinculado ao site oficial da Abraji, que é alimentado em tempo real durante o congresso e que reúne as coberturas realizadas nas últimas dez edições.    

Redação-Laboratório do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo realizado pela Abraji e Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, entre 27 e 30 de junho de 2019. Participaram da cobertura 52 voluntários dentre os quais estudantes, recém-formados, jornalistas e professores. Foto: Fernanda Boldrin (Acervo OBORÉ, 2019).   


Os desafios da cobertura em 2020

Neste ano, por conta das restrições sanitárias impostas pela pandemia do coronavírus, o Congresso 2020 migrou para formato remoto, exigindo novas lógicas na produção e no gerenciamento da cobertura. 

Um grupo de 15 jornalistas egressos do Repórteres do Futuro foi convidado pela OBORÉ  a participar de reuniões conceituais e sugerir estratégias de funcionamento dessa nova Redação: Giulia Afiune, Luana Copini, Priscilla Kesselring, Paola Perroti, Rafaela Carvalho, Raquel Brandão, Ricardo Rossetto, Rafael Sampaio, Stéfanie Rigamonti, Leandro Melito, Caroline Oliveira, Mélanie Layet, Tiago Angelo, Ruam Oliveira e Augusto Oliveira. Foram quatro meses de reflexões e discussões sobre como responder a esse novo desafio.

Nesse período, organizamos encontros com conselheiros do Projeto Repórter do Futuro - como a educadora Ausonia Donato, coordenadora pedagógica do Colégio Equipe, e o jornalista, professor e pesquisador André Deak - para tratar da importância da pesquisa, discutir a elaboração de textos e pensar formatos novidadeiros para dinamizar as mídias sociais; reunimos os 41 estudantes e recém formados inscritos no edital da Redação deste ano para socializar as propostas e testar os fluxos de produção de conteúdos para o blog e as redes; criamos um manual de redação para normatizar os textos; reunimos um núcleo de arte que, explorando aquarelas, ilustrações, fotos, charges e vídeos, viabilizou a criação de cards para postagens em várias plataformas; montamos o organograma da Redação, a escala dos repórteres e editores de acordo com a programação do Congresso, o fluxograma das tarefas e, por fim, o tutorial da nova Redação desses novos tempos com 63 voluntários dentre estudantes, recém-formados, jornalistas e veteranos coordenadores.

 



Sobre a OBORÉ

Inspirada na experiência das cooperativas de trabalho, a OBORÉ nasce em 1978 como forma de reunir jornalistas, cartunistas, fotógrafos, ilustradores, publicitários e administradores que atuavam militantemente na imprensa universitária e alternativa para assessorar os movimentos sociais e sindical de trabalhadores na montagem de suas estruturas de comunicação.

Com sede em São Paulo, sua equipe fundadora era composta de jornalistas, artistas e repórteres fotográficos dentre os quais Miriam Ibãnez, Ione Cirillo, Luciano Delion, Pola Galé, Ricardo Carvalho, Ricardo Alves, Sergio Gomes, Jaime Prades, Alfredo Nastari, Angeli, Ciça, Glauco, Henfil, Laerte, Flávia Castro e Castro, Marco Damiani, Ricardo Paoletti e Aílton Krenak.

Nos anos 1990, passa a atuar com produções radiofônicas aplicando o conceito de rádio cidadã a emissoras dispostas a abrir parte de sua programação à causa pública, independentemente de seu tamanho ou expressão. Propõe-se também a acompanhar a política de radiodifusão comunitária que ora se instalava no Brasil e a formar comunicadores comunitários por meio de oficinas de jornalismo amador.

Atualmente, desenvolve atividades educativas como o Projeto Repórter do Futuro - cursos de complementação universitária para estudantes e recém-formados em Jornalismo, consultorias de análise e planejamento de comunicação e gestão de projetos que dialogam com temas como Saúde, Educação, Cultura, Artes e Direitos Humanos.

Desde 1995 a empresa é dirigida pelo jornalista Sergio Gomes e pela jornalista e pesquisadora Ana Luisa Zaniboni Gomes.

Saiba mais: www.obore.com 

“No nosso entender, o papel propulsor do Projeto Repórter do Futuro reside nisso: funcionar como estimulador de competências e catalisador de experiências vividas no ambiente acadêmico e no espaço cotidiano da profissão, facilitando a integração de saberes e ancoradas em matrizes que ainda hoje nutrem a expectativa de um Jornalismo competente, relevante, ético e útil.”  Ana Luisa e Sergio Gomes em depoimento de 2018 sobre o projeto, na Câmara Municipal de São Paulo. Foto: Ruam Oliveira (Acervo OBORÉ, 2018).