Por Helena Mega
As pessoas olham, no mínimo, 150 vezes para a tela de seus celulares todos os dias. Observando esse comportamento, o editor de cidade e polícia do jornal Extra, Fábio Gusmão, decidiu em 2013 lançar um número de WhatsApp do veículo.
Nas primeiras 48 horas, 338 pessoas foram cadastradas. Gusmão, que cuidava pessoalmente do perfil, salvou o contato de cada uma delas. O jornal ganhou alcance nacional e internacional, e conta hoje com 26 mil pessoas cadastradas no mailing, incluindo brasileiros que vivem em 24 países diferentes.
Não demorou, no entanto, para que os bloqueios começassem a vir. "Durante quatro meses, fui descobrindo todos os problemas", relata Fábio. Hoje o jornal se aproveita da lista de contatos, que inclui não apenas o nome, mas também o endereço e a idade dos leitores, para colher informações aonde os repórteres não conseguem estar. "Não existe mais testemunha ocular, existe testemunha em celular", brinca.
Para o jornal O Estado de S.Paulo, o Whatsapp transformou-se em um grande difusor de notícias. Uma das primeiras experiências com o aplicativo foi uma reportagem especial intitulada "Caminho de Santiago", quando 1.500 leitores acompanharam, através de um grupo, os 800 quilômetros de viagem de um repórter e um fotógrafo até a cidade espanhola.
Hoje, manchetes são enviadas três vezes ao dia (manhã, tarde e noite) a milhares de números cadastrados. O envio é manual, feito por celular, e parte de uma rigorosa curadoria. "Apesar de todas as tecnologias, o trabalho de jornalista está cada vez mais importante", afirma Luis Fernando Bovo, editor-executivo de conteúdos digitais do jornal.
Eles participaram na manhã desta quinta-feira (23) do painel "Novas tecnologias de apuração e difusão", no qual contaram casos sobre o uso dessas ferramentas. A interação com o público já fez com que, por exemplo, uma foto enviada por um leitor estampasse a capa da edição impressa. Com a formação dos grupos, foram registrados 10 mil usuários novos no site, já que as manchetes, além dos emojis, vêm acompanhadas de links para a leitura das notícias completas.
Um caminho contrário vem sido seguido por Bernardo Brandão, sócio-diretor da DGBB Assessoria de Imprensa. Criador e desenvolvedor da plataforma Instainfo, ele envia para seus clientes, via WhatsApp, as principais notícias do dia de acordo com o perfil de cada um.
"Faço chegar até você a notícia que fará diferença no seu dia a dia, no seu negócio, no trânsito do caminho até a sua casa", explica Brandão. Ele tem como aliado o fato de que, atualmente, 91% do consumo de notícias é feito de forma online.
LIMITAÇÕES
Quando surgiu em 2009, a proposta do WhatsApp era a de substituir os SMS no envio das mensagens de texto, tornando-as gratuitas. Os seus próprios usuários, contudo, o transformaram em uma rede social e, por ser muito simples, fez muito sucesso.
As suas limitações técnicas, portanto, são muitas. Com grupos de, no máximo, 256 pessoas, o alcance de milhares depende de muito trabalho manual. Os números, da mesma forma, precisam ser cadastrados um a um na lista de contatos.
Para chegar a todos, o corpo de texto deve ser alterado em um certo intervalo para que a mensagem não seja identificada como spam. "O WhatsApp um dia vai acabar. Quando você fica muito grande, é bloqueado", coloca Gusmão. Assim, ao mesmo tempo em que os veículos investem nele, tentam migrar para outras plataformas.
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| Foto: Alice Vergueiro |
Não demorou, no entanto, para que os bloqueios começassem a vir. "Durante quatro meses, fui descobrindo todos os problemas", relata Fábio. Hoje o jornal se aproveita da lista de contatos, que inclui não apenas o nome, mas também o endereço e a idade dos leitores, para colher informações aonde os repórteres não conseguem estar. "Não existe mais testemunha ocular, existe testemunha em celular", brinca.
Para o jornal O Estado de S.Paulo, o Whatsapp transformou-se em um grande difusor de notícias. Uma das primeiras experiências com o aplicativo foi uma reportagem especial intitulada "Caminho de Santiago", quando 1.500 leitores acompanharam, através de um grupo, os 800 quilômetros de viagem de um repórter e um fotógrafo até a cidade espanhola.
Hoje, manchetes são enviadas três vezes ao dia (manhã, tarde e noite) a milhares de números cadastrados. O envio é manual, feito por celular, e parte de uma rigorosa curadoria. "Apesar de todas as tecnologias, o trabalho de jornalista está cada vez mais importante", afirma Luis Fernando Bovo, editor-executivo de conteúdos digitais do jornal.
Eles participaram na manhã desta quinta-feira (23) do painel "Novas tecnologias de apuração e difusão", no qual contaram casos sobre o uso dessas ferramentas. A interação com o público já fez com que, por exemplo, uma foto enviada por um leitor estampasse a capa da edição impressa. Com a formação dos grupos, foram registrados 10 mil usuários novos no site, já que as manchetes, além dos emojis, vêm acompanhadas de links para a leitura das notícias completas.
Um caminho contrário vem sido seguido por Bernardo Brandão, sócio-diretor da DGBB Assessoria de Imprensa. Criador e desenvolvedor da plataforma Instainfo, ele envia para seus clientes, via WhatsApp, as principais notícias do dia de acordo com o perfil de cada um.
"Faço chegar até você a notícia que fará diferença no seu dia a dia, no seu negócio, no trânsito do caminho até a sua casa", explica Brandão. Ele tem como aliado o fato de que, atualmente, 91% do consumo de notícias é feito de forma online.
LIMITAÇÕES
Quando surgiu em 2009, a proposta do WhatsApp era a de substituir os SMS no envio das mensagens de texto, tornando-as gratuitas. Os seus próprios usuários, contudo, o transformaram em uma rede social e, por ser muito simples, fez muito sucesso.
As suas limitações técnicas, portanto, são muitas. Com grupos de, no máximo, 256 pessoas, o alcance de milhares depende de muito trabalho manual. Os números, da mesma forma, precisam ser cadastrados um a um na lista de contatos.
Para chegar a todos, o corpo de texto deve ser alterado em um certo intervalo para que a mensagem não seja identificada como spam. "O WhatsApp um dia vai acabar. Quando você fica muito grande, é bloqueado", coloca Gusmão. Assim, ao mesmo tempo em que os veículos investem nele, tentam migrar para outras plataformas.
O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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