13/09/2020

Perdeu o Congresso da Abraji? Ainda dá tempo de assistir!

Todo o conteúdo ficará disponível por 30 dias na plataforma do Congresso, e o melhor: de graça. Saiba como acessar

Créditos: Núcleo de Arte

Ainda dá tempo de assistir todas as palestras, debates e oficinas do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo! Todo o conteúdo ficará disponível por 30 dias na plataforma do Congresso, e o melhor: de graça.

Também é possível assistir novamente o VII Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo e o 2º Domingo de Dados, os dois eventos que complementaram a formação de profissionais e estudantes durante a 15ª edição do Congresso da Abraji.

“Dados permitiram trabalhar com reportagens que não poderiam ser feitas de outra forma”, afirma Jennifer LaFleur

Repórter norte-americana apresenta as tendências do jornalismo de dados para o futuro e aponta como são importantes para contar histórias

Por: Isabela Alves e Thuany Gibertini

Edição: Wender Starlles

Créditos: Núcleo de Arte

"Os dados são essenciais porque apresentam uma visão ampla dos assuntos, mas também são importantes para destacar histórias individuais." A afirmação é da jornalista Jennifer LaFleur, do Investigative Reporting Workshop, durante o encerramento do Domingo de Dados, do 15º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

“Dados permitiram trabalhar com reportagens que não poderiam ser feitas de outra forma”, diz LaFleur. A repórter aponta que existem várias ferramentas que podem auxiliar os jornalistas, como o Accountability Project e o Judgit!. No Brasil, em alguns casos, os profissionais podem recorrer a Lei de Acesso à Informação.

Como colaboração e dados fortalecem o jornalismo investigativo

Projetos de sucesso reforçam a importância de repórteres se aproximarem de outras áreas para inovar o acesso à informação

Por: João Benz, Katherine Rivas, Mariana Soares
Edição: Paola Perroti



“Antes o jornalismo era um exercício de lobo solitário, mas agora é impossível fazer um bom trabalho investigativo e de dados dessa forma”, afirmou Claudia Ocaranza, coordenadora do projeto PODER, no painel “Jornalismo colaborativo de dados”. Mediada por Pedro Burgos do Insper, a mesa aconteceu no Domingo de Dados da Abraji (13) e contou também com a participação de Mathias Felipe, jornalista e cientista de dados do JOLT

Com 15 projetos internacionais, o JOLT une pesquisadores, organizações de mídia e startups para inovar a forma de fazer jornalismo através da tecnologia, aliando conhecimentos de Machine Learning, métricas de audiência, jornalismo colaborativo e de dados.

Já o PODER, de Claudia Ocaranza, é uma ONG Mexicana que busca transparência de contratos entre governo e empresas na América Latina. “Nossa ideia é que qualquer pessoa possa solicitar uma informação e que a vigilância dos contratos possa ser feita por qualquer pessoa. Seja ela jornalista, defensora dos direitos humanos ou uma pessoa cujos direitos foram afetados por contratos do governo“, explica a coordenadora.

Dados são aliados da transparência e do combate à desinformação nas eleições de 2020

Iniciativas como Raio-X dos Municípios, do Insper, e Perfil Político, da Open Knowledge devem subsidiar jornalistas durante o processo eleitoral

Por: Matheus Menezes e Weslley Galzo

Edição: Camila Araujo

Créditos: Núcleo de Arte

São aproximadamente 62% municípios brasileiros em desertos de notícias. Isso significa que 4.500 cidades não possuem uma cobertura jornalística especializada. Em qualquer contexto, esse dado é problemático. Com as eleições municipais que vão ocorrer em breve este ano, o tema se torna mais preocupante. A ausência do jornalismo é terreno fértil para a capilaridade da desinformação.

Na oficina “Dados e Eleições”, do 2º Domingo de Dados, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o jornalista Sérgio Spagnuolo chamou atenção para o fato de que mesmo quando há um ou dois veículos da imprensa local, não existe necessariamente um padrão de qualidade. “Esses veículos podem receber dinheiro de prefeito e de anunciantes porque é o que está garantindo a sobrevivência do negócio.”

Twitter é a melhor rede social para extração de dados

A jornalista da Agência Tatu, Géssika Costa, e o cientista de dados, Janderson Toth, destacam a facilidade de trabalhar com a rede social em relação às demais

Por : Carina Gonçalves e Gabriela Vasques

Edição: Luísa Cortés


A melhor rede social para extrair dados é o Twitter, segundo o cientista de dados Janderson Toth. A plataforma permite um acesso mais fácil às informações sobre as publicações, o que não acontece em redes como Facebook e Instagram. 

Na oficina “Como extrair e analisar dados das redes sociais”, realizada no 2º Domingo de Dados, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ministrada por Toth e pela jornalista Géssika Costa, o cientista de dados contou que essa facilidade é muito benéfica ao jornalismo, já que o Twitter funciona como um “eletrocardiograma” da sociedade: os principais acontecimentos costumam ser bastante comentados na rede social.

Abraji cria ferramenta que reúne bases de dados e faz conexões entre as relações de poder no Brasil

Desenvolvido em parceria com o Brasil.IO, o CruzaGrafos será lançado em outubro e permitirá mapear visualmente conexões entre elementos a partir de bases de dados

Por: André Martins e Katherine Rivas

Edição: Pâmela Chagas


Ferramenta cada vez mais necessária para a profissão do jornalista, o jornalismo de dados possui um estilo de composição diferente dos modelos de matérias tradicionais, como tabelas, colunas, números e linhas. Por esse motivo, acaba afastando os jornalistas que não têm proximidade com essa área. Contudo, este não é o único conflito. Mesmo para os profissionais que gostam de explorar bancos de dados, muitas informações podem passar despercebidas quando observadas apenas a partir de planilhas.

Para solucionar essas dificuldades e facilitar a visualização de conexões entre elementos presentes nas bases de informação, nasceu a ferramenta CruzaGrafos. Com lançamento previsto para outubro, esta plataforma promete auxiliar jornalistas quando o assunto é extrair conexões relevantes para fortalecer a investigação jornalística.

Desenvolvido pela Abraji em parceria com o Brasil.IO, o CruzaGrafos reúne informações coletadas em diferentes bancos de dados, permitindo a exploração visual do material com abordagem diferente de palavras ou planilhas. A interface de navegação da ferramenta cria grafos, que são o resultado do mapeamento de conexões e relações entre os dados pesquisados.

Publique-se e CTRL+X: duas ferramentas para investigar ações judiciais que envolvem políticos

Projetos da Abraji atuam para reparar dificuldades na apuração jornalística sobre processos em tramitação na Justiça

Por: Cassiane Lopes e Gabriela Carvalho

Edição: Natasha Meneguelli


Um desafio para jornalistas é acessar processos judiciais que citam políticos como parte das ações de interesse público e que estão em tramitação no Poder Judiciário. Isso ocorre seja por falta de entendimento da linguagem jurídica ou por dificuldades no próprio acesso aos dados. Para auxiliar neste processo de investigação, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criou duas plataformas: Publique-se e CTRL+X

No Brasil, todos os processos são públicos, exceto pelos que estão em segredo de Justiça. Ou seja, todos os cidadãos deveriam poder acessá-los. Porém, esta não é a realidade, já que os tribunais brasileiros barram e limitam esse acesso, que muitas vezes podem ser consultados apenas pelos advogados e pelas partes envolvidas.

Como usar de ferramentas Open Source em reportagens?

Repórteres de dados demonstram como é possível garimpar dados na internet com o uso de ferramentas gratuitas especializadas em apurações investigativas

Por: Artur Alvarez e Isabella Vieira

Edição: Artur Ferreira


Com a presença cada vez maior de dados de interesse público disponibilizados na internet, as técnicas de Open Source Intelligence (OSINT) - em português, Inteligência de Fontes Abertas - surgem como importantes ferramentas aliadas em apurações de reportagens investigativas, e de forma gratuita.

O uso dessas ferramentas permite que repórteres de dados, como Luiza Bandeira e Eduardo Goulart, obtenham informações vitais para suas investigações. Na oficina "Open source intelligence (OSINT) como aliada do jornalismo", Luiza e Eduardo mostraram como foi possível integrar o OSINT às técnicas mais usuais de apuração jornalística em alguns de seus trabalhos.

Luiza Bandeira, pesquisadora na Atlantic Council e jornalista com passagens pela BBC, Folha de S. Paulo e Nexo, conseguiu recriar a rede de páginas e perfis apoiadores do Presidente Jair Bolsonaro que o Facebook retirou no ar em julho deste ano. Eduardo Goulart, jornalista freelancer responsável pela newsletter De Olho Nos Dados e colaborador do site The Intercept Brasil, utilizou as técnicas de OSINT para descobrir a identidade do homem que depredou cruzes de um protesto organizado pela ONG Rio de Paz na Zona Sul do Rio de Janeiro em homenagem aos mortos por Covid.

“A infografia deve ser usada como ferramenta de informação e persuasão neste momento crítico”, diz professor da UFPE Ricardo Cunha Lima

Aliança entre elementos pictóricos e textos é uma alternativa recomendada para aprofundar debates

Por: Nayani Real e Rafael Toledo

Edição: Nayani Real


Não é novidade que gráficos melhoram a compreensão de informações densas. Na América Latina, a arte rupestre chegou 40 mil anos a.C., atualizando as formas de comunicação então existentes. Já no jornalismo, a infografia similar à qual se tem hoje fincou pé por volta de 1800, após publicação do The Times de Londres. A prática chegou ao Brasil décadas depois e se consolidou a partir dos anos 1980, nos cadernos do jornal O Dia e O Globo.

Em palestra “Como melhorar a sua visualização de dados”, infografistas experientes dividiram seus conhecimentos com o público do 2º Domingo de Dados, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A conversa online trouxe Ricardo Cunha Lima, professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Rodolfo Almeida, atualmente designer da Dataviz, com experiência anterior em veículos como Nexo Jornal e Vortex Media.

Ferramentas de raspagem de dados facilitam investigação no trabalho jornalístico

Trabalhar com jornalismo de dados requer atenção e uso de métodos especializados, mas ferramentas descomplicadas otimizam o processo

Por: Maria Carolina Sousa e Isabella Vieira

Edição: Pâmela Chagas


Ainda que existam diferentes possibilidades de uso dos dados no jornalismo, pode ser difícil acessá-los de forma clara e organizada. Por isso, são necessários métodos específicos para rastrear, capturar e reunir de forma estruturada a grande quantidade de conteúdo disponível. Mas para otimizar o trabalho do jornalista, existem algumas ferramentas, como contou o data scientist João Carabetta na Oficina de Raspagem de Dados do 2.º Domingo de Dados do Congresso da Abraji. Ele também destacou a importância dessas aplicações em tarefas investigativas, como a fiscalização de bases do poder público.

Carabetta ensina como utilizar a extensão Web Scraper para realizar a raspagem de dados, de forma a organizar informações de maneira automatizada, facilitando o trabalho do jornalista na sistematização das informações.

Ao menos 31 jornalistas morreram por covid-19 em 2020

Levantamento da Abraji ainda detectou 27 mortes por outros motivos; entre eles, um caso de assassinato, do repórter Léo Veras

Por: Luísa Cortés

Edição: Raquel Brandão


Léo Veras jantava em casa com a família quando levou 12 tiros de pistoleiros, no dia 12 de fevereiro de 2020. O repórter, cujo assassinato é investigado pelo Programa Tim Lopes, uma rede de apoio que apura casos de jornalistas assassinados, já sabia que seria morto, desde pelo menos 2017, em decorrência de sua investigação sobre o narcotráfico na fronteira Brasil-Paraguai.

“Que não seja com tantos disparos de fuzil, porque aqui se o pistoleiro quer ter matar ele vem na sua porta, manda você abrir e vai te dar o disparo, espero que seja só de um disparo para não estragar tanto a pele”, disse em um documentário do programa em 2017.

Cinco dicas essenciais para uso de estatísticas no jornalismo

Muitos jornalistas fogem das estatísticas por acharem que o tema requer grande preparo técnico, mas isso está longe de ser verdade

Por: Paulo Yamamoto e Thuany Gibertini

Edição: Rafael Sampaio

Muitos jornalistas se afastam do estudo de estatísticas por pensarem que o tema é complexo e requer um grande preparo técnico. Isso está longe de ser verdade. Para desmistificar o assunto, o 15.º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) trouxe o 2.º Domingo de Dados, neste dia 13 de setembro, com várias oficinas e palestras sobre linguagens de programação, análise matemática e manuseio de dados.

A oficina de estatísticas para jornalistas foi ministrada pela jornalista de dados Renata Hirota, que trabalha na Associação Brasileira de Jurimetria, e pela cientista de dados Maria Marinho, que trabalha SulAmérica e atuou na área de TI (Tecnologia de Informação) como desenvolvedora de sistemas. Ambas fazem parte da comunidade R-Ladies, uma organização que promove a diversidade de gênero no universo de programadores em linguagem R.

A interação entre jornalismo e estatística pode ser relevante e construtiva, aponta a palestra ministrada. Veja cinco dicas compiladas pela equipe do Repórter do Futuro para ajudar jornalistas que querem entender melhor o tema:

Histórias também exigem dados para ganhar mais relevância

Buscar fontes confiáveis e oficiais, extrair dados, verificá-los, limpar a base e analisar estão entre as principais funções do jornalista de dados, além de narrar histórias com esses números

Por: Patrick Freitas e Mariana Lima


Novas narrativas podem surgir de todos os lugares, inclusive de tabelas. O jornalismo de dados é uma das áreas que mais cresce dentro das redações do mundo todo, e a sua importância é mensurada pela qualidade daquilo que se pode produzir com os dados. Estes devem ser tratados com cuidado, uma vez que, “quando torturados, os números podem dizer qualquer coisa", como afirmou a jornalista Amanda Rossi, no 2º Domingo de Dados, do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.

Junto de Rossi, Natália Mazotte, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil e co-fundadora da Escola de Dados, ambas participaram da mesa “Jornalismo de dados, dê seus primeiros passos”, que destacou a importância de trabalhar os dados com histórias humanas. “Há histórias que sem os dados ninguém consegue saber que existe. Navegando pelas bases de dados se descobre histórias inéditas, furos de reportagem”, aponta Rossi.

"A recepção positiva do novo modelo de congresso superou nossas expectativas", diz presidente da Abraji

Primeiro evento virtual organizado pela instituição, a 15ª edição superou desafios e bateu recorde, com cerca de 10 mil inscritos

Por: Stéfanie Rigamonti
Edição: Stéfanie Rigamonti




O jornalismo tem enfrentado uma série de desafios e, neste ano, a pandemia se somou a eles, trazendo obstáculos à profissão. E claro que, para um congresso que se coloca como um espaço de discussões, intercâmbio de experiências e até mesmo levantamento de soluções, esses desafios se misturam com a própria organização do evento. Pela primeira vez, o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo foi realizado a distância.

No início, havia uma série de dúvidas em relação à viabilidade e aceitação desse novo modelo, mas o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Marcelo Träsel, comemora a acolhida. "Nós não sabíamos muito bem o que esperar, pois este é o primeiro congresso virtual que organizamos. Os cerca de 10 mil inscritos estão acima dos números que prevíamos, sim, mas sobretudo a recepção positiva do novo modelo superou nossas expectativas", conta. Além disso, Träsel observa que 2020 teve "muito mais efervescência a respeito do congresso nas redes sociais do que em anos anteriores".

“Jornalistas não têm respostas exatas para conter mentiras”, diz Jeff Jarvis

Rosental Alves e Jarvis analisam a cobertura da mídia do Brasil e dos Estados Unidos sobre seus governos e o novo coronavírus

Por: Thuany Gibertini e Nayani Real

Edição: Nayani Real


Em painel sobre lições de desigualdade e injustiça e o papel do jornalismo em seus países, o jornalista Jeff Jarvis conversou com Rosental Alves, professor de jornalismo na Universidade do Texas e criador do Knight Center for Journalism in the Americas.

Jarvis comenta que a imprensa de seu país não sabe como lidar com o comportamento negacionista de governantes como Trump, Bolsonaro e outros. Após o resultado das eleições de 2016 nos Estados Unidos, ele conta que pediu conselhos a uma amiga jornalista da Argentina. “Ela disse que a informação seria cortada, receberíamos insultos e censuras. A imprensa daqui não está preparada para um governo tão autoritário”, pontua.

Fascismo só será combatido quando esquerda se unir aos conservadores, diz professor de Yale

Jason Stanley participou de mesa sobre neofascismo; para ele, reverter movimentos autoritários não é tarefa fácil

Por: Tiago Angelo

Corria o ano de 1921 quando Sigmund Freud, o "pai" da psicanálise, publicou o seu Psicologia das massas e análise do eu, obra que busca explicar as raízes do comportamento coletivo. No livro, o neurologista austríaco não cita algumas das palavras que definiriam as décadas posteriores, como "fascismo" e "antissemitismo". 

À época, o italiano Benito Mussolini apenas ensaiava as barbaridades que estavam por vir, enquanto Adolf Hitler acabava de se tornar líder do Partido Alemão dos Trabalhadores, precursor do partido nazista. 

Freud descreve como se dá o processo de diluição do pensamento individual em uma consciência coletiva. Para ele, grosso modo, tal fenômeno exige uma figura central: o líder autoritário, que não necessariamente é alçado a esse posto por ser uma pessoa excepcional. 

Ao contrário, o chefe da turba seria alguém que, de tão humano, se distinguiria somente por não ter a inibição que freia nossos instintos mais básicos. É aquele que agita a violência que nós escondemos em público. Coletivamente, por outro lado, essa inibição se esvai. 

Anos mais tarde, lastreados pela proposta freudiana, um grupo de intelectuais já habituado com os horrores de seu tempo passou a se debruçar especificamente sobre o fenômeno fascista. No ensaio Antissemitismo e propaganda fascista, o filósofo alemão Theodor Adorno destaca o caráter destrutivo da corrente, afirmando que sua pauta negativa —  o foco em destruir o "inimigo" interno ou a própria democracia —  tem mais relevo do que a pauta positiva —  a propositura de uma solução para problemas econômicos ou sociais, por exemplo. 

Jornalismo local também enfrenta fenômeno da polarização

Tecnologia muda a relação dos veículos locais com o público, que não só recebe a informação, mas se transforma em uma espécie de editor

Por: Lala Evan

Edição: Vitória Macedo


De 2004 até os dias atuais, muitas inovações tecnológicas significativas aconteceram no cenário jornalístico. Com a crescente polarização política nas redes sociais, a interação de veículos locais com a sua audiência sofreu mudanças. É o que apontam Érico Firmo, do jornal O Povo do Ceará e Dagmara Spautz, da NSC de Santa Catarina, no painel “Os efeitos da polarização na cobertura política local”, mediado pelo jornalista Thiago Herdy, do jornal O Globo.

O avanço da tecnologia permitiu às redações produzirem conteúdos mais elaborados. Firmo relata que hoje O Povo consegue fazer produções audiovisuais, por exemplo. Isso forneceu ao jornalismo, na opinião dele, uma riqueza de linguagens. Além disso, houve aumento da participação dos leitores, que ficou mais acessível e, com a polarização política, ganhou ainda mais peso.

Governo Bolsonaro utiliza lei da ditadura para processar jornalistas

A Lei de Segurança Nacional (LSN) ganhou visibilidade novamente com Bolsonaro, tendo o chargista Renato Aroeira como um de seus alvos

Por: Artur Alvarez e Beatriz Leite

Edição: Rafaela Carvalho

O chargista Renato Aroeira, que foi alvo de um inquérito de investigação com base na Lei de Segurança Nacional (LSN) em junho de 2020 por ter feito uma charge para o Brasil 247 associando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a uma suástica, não culpa somente o governo pelo processo que sofreu: "O apodrecimento do tecido social é causado por todos nós. Todos somos culpados pelo que está acontecendo no nosso país”.

O episódio ocorreu após Bolsonaro incentivar, no contexto da pandemia do novo coronavírus, que a população invadisse hospitais para mostrar se os leitos estavam realmente ocupados. 

“Ao fazer isso, o Estado deu um tiro no próprio pé: contou para o mundo inteiro que mandou a população entrar em hospitais para filmar UTIs”, observou Aroeira, que viu sua arte viralizar após o descontentamento do governo federal.

12/09/2020

A mesma liberdade de expressão que garante a democracia pode derrubá-la, diz Jason Stanley

Professor de filosofia em Yale, o filósofo e autor do livro "Como Funciona o Fascismo" traça panorama sobre ações de governos autoritários  

Por: Patrick Freitas e Artur Ferreira

Edição: Rafaela Carvalho


O fascismo prospera no medo. É do receio coletivo que nasce a ânsia por um líder que assuma um papel de protagonismo patriótico, digno dos livros de História – mais precisamente, dos capítulos que mostram governantes totalitários e extremistas. Para Jason Stanley, professor de Filosofia e autor do livro Como Funciona o Fascismo, vivemos um desses momentos. Estamos em uma era neofascista.

Para o filósofo, líderes fascistas enxergam crises não como problemas a serem resolvidos em prol de uma nação, mas como algo que os prejudica ou não. Um exemplo recente no Brasil é o próprio Presidente da República, Jair Bolsonaro, que, por vezes, chamou o novo coronavírus de uma “gripezinha” ou "resfriadinho", por exemplo.

Stanley participou do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo neste sábado (12). Ele e Daniel Bramatti, jornalista e editor do Estadão Dados, conversaram sobre as principais formas como o Neofascismo se manifesta em governos autoritários de extrema direita pelo mundo. 

Jornalismo tem poder para questionar as narrativas históricas que sustentam desigualdades, defende a ganhadora do Pulitzer Nikole Hannah-Jones

Em entrevista exclusiva, a repórter do New York Times fala sobre o sucesso do projeto 1619, que recontou a História dos Estados Unidos pelo ponto de vista da experiência dos negros americanos; 'O Brasil precisa de um projeto como esse'

Por: Giulia Afiune


E se a História do Brasil fosse recontada pelo ponto de vista das pessoas escravizadas? Foi um esforço parecido que rendeu um Prêmio Pulitzer em 2020 para a jornalista Nikole Hannah-Jones, que cobre direitos civis e injustiças raciais para a revista do New York Times.

O "1619" é um ambicioso projeto jornalístico que propõe outro ponto de vista para a História dos Estados Unidos, centrado nas contribuições que os negros americanos deram para a construção do país. 

Os ensaios que compõem o especial mostram como diversos fenômenos contemporâneos da vida nos Estados Unidos – desde a música popular, passando pelo alto índice de consumo de açúcar, até, claro, a violência policial – são desdobramentos da escravidão que perdurou por séculos e gerou um país extremamente desigual. 

A partir desse mergulho profundo na História americana, Nikole argumenta que o princípio de liberdade que estava presente na fundação dos Estados Unidos era falso, e que foi a luta dos negros para abolir a escravidão e conquistar seus direitos que trouxe esse ideal para mais perto da realidade. Por isso, a data de nascimento da nação não deveria ser 1776, quando a célebre declaração de independência americana foi assinada, e sim, 1619, quando os primeiros negros escravizados desembarcaram na costa da Virgínia.

Jornalismo de periferia: a pauta como território

Gênero atua como uma poderosa ferramenta de desconstrução do senso comum

Por: Dario Vasconcelos e Maria Carolina Sousa
Edição: Samara Najjar


Miguel Otávio era morador da periferia de Recife quando lhe tomaram a oportunidade de encontrar o seu lugar no mundo. Vítima da negligência e abandono da ex-patroa de sua mãe, perdeu a vida aos cinco anos ao cair do 9º andar de um condomínio de luxo no centro da capital pernambucana em junho deste ano. 
 
As primeiras reportagens sobre o caso anunciavam seu nome e de sua mãe, mas escondiam o da empregadora, o que causou uma discussão intensa nas redes sociais sobre consciência e letramento racial.

Questionando-se sobre qual é o valor-notícia das pautas da periferia, os jornalistas Lenne Ferreira, do coletivo pernambucano Afoitas, e Ronaldo Matos, cofundador do Desenrola e Não Me Enrola, discutiram o tema “Newsmaking do jornalismo periférico: juventude e articulação no território” neste sábado (12) no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A mediação da mesa ficou a cargo de Aline Rodrigues, cofundadora do Periferia em Movimento.

Redações reproduzem o racismo e não se mobilizam por mudança, dizem jornalistas negras

"A imprensa, por ser um reflexo da sociedade, é racista e excludente", de acordo com Flavia Lima, ombudsman da Folha de S. Paulo

Por: Carlane Borges e Weslley Galzo
Edição: Vitória Macedo


“Quando participei desse congresso em 2018, vi cinco jornalistas negros. Dois estavam em um painel sobre raça. Isso é problemático em um país com uma população negra tão grande como a do Brasil. A Abraji e a imprensa precisam se responsabilizar sobre isso”, disse Nikole Hannah-Jones, repórter da revista do The New York Times (NYT) e vencedora do Prêmio Pulitzer de Comentário pelo Projeto 1619, na sua fala de abertura da mesa “Racismo dentro e fora das redações”.

No painel – mediado pela ombudsman da Folha de S. Paulo, Flavia Lima, e com participação da ex-repórter da revista Piauí, Yasmin Santos – as experiências do processo de escravidão nos Estados Unidos e no Brasil foram discutidas a partir do trabalho das jornalistas. 
 
O Projeto 1619, criado por Nikole, reconta a história dos negros norte-americanos desde a chegada do primeiro escravizado angolano nos portos da Virgínia até os dias de hoje.

Educação midiática é o melhor remédio contra a desinformação

 Estratégia consiste em desenvolver senso crítico e ensinar sobre funcionamento das mídias, com potenciais impactos positivos para o jornalismo e para a democracia 

Por: Gustavo Honório e João Benz
Edição: André Martins


Caixão cheio de pedra para inflacionar os números da pandemia. Cocaína como prevenção à Covid-19. Vacina como causa autismo. Mamadeira de "piroca" e kit gay. Certamente, você já se deparou com alguns desses “fatos” de caráter duvidoso. Eles se disseminam mais rápido do que são combatidos – e a sociedade sofre com o estrago. No segundo dia do 15º Congresso da Abraji, foi discutida uma resposta eficiente para esse problema: a educação midiática.

“Trata-se de uma habilidade necessária para os dias atuais. A educação midiática habilita pessoas a acessar e interpretar criticamente toda a informação que recebem”, explica Patricia Blanco, presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta. Natália Leal, diretora de conteúdo da Agência Lupa, também presente na mesa, complementa: “Saber diferenciar uma informação verdadeira de uma falsa é uma discussão que precisa ecoar para toda a sociedade”. Ela, que também é professora do LupaEducação, braço de educação midiática da agência, reforça que esse debate não pode ficar preso no meio jornalístico. 

O que acontece do outro lado do balcão depois de submetermos um pedido via LAI?

Especialistas esclarecem questões mal compreendidas por quem usa a ferramenta e explicam os procedimentos dos operadores com o fluxo de pedidos e recursos através da plataforma e-SIC

Por: João Vitor Reis e Amanda Oliveira

Edição: Pamela Chagas


O que acontece depois que um jornalista faz uma solicitação à qual ele tem direito por meio da Lei de Acesso à Informação
 
Márcio Cunha Filho, auditor da Controladoria-Geral da União (CGU), e Thomaz Barbosa, superintendente de Integridade e Controle Social na Controladoria Geral do Estado de Minas Gerais, buscaram responder essa pergunta na 15ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo neste sábado (12), em uma conversa mediada por Maria Vitória Ramos, jornalista e diretora da agência de dados independente Fiquem Sabendo, especializada na Lei de Acesso à Informação. 

O caminho é simples: na internet, pedidos são feitos por meio da plataforma e-SIC, disponível para qualquer pessoa. Para agilizar o processo, porém, é importante evitar erros básicos. 

Como faço para usar a Lei de Acesso à Informação?

“A LAI nos livrou de depender da assessoria de imprensa”, afirma Luiz Fernando Toledo, da CNN Brasil

Por: Carina Gonçalves e Douglas Figueiredo

Edição: Raquel Brandão


A Lei de Acesso à Informação (LAI) é uma ferramenta poderosa e pode ser aliada da produção jornalística. Ela obriga órgãos públicos a responderem a pedidos de informação, determina regras a serem respeitadas para o acesso aos dados, e gera uma grande e diversa fonte de dados para apuração e construção de reportagens. No entanto, embora exista conteúdo robusto sobre esse instrumento, nem todos sabem como usá-lo.

A Constituição de 1988, no item 33 do Artigo 5 -- que garante a liberdade de expressão --, já previa a transparência de informações e a igualdade de todos. Mas foi somente em 2011 que a LAI recebeu uma regulamentação: a Lei nº 12.527, que a concedeu o nome atual e normas específicas.

“Por ter demorado tanto, nós conseguimos bons exemplos e boas práticas para fazer uma lei bastante boa – pelo menos no papel. Ela atinge todas as esferas de poder”, afirma a jornalista Marina Atoji, gerente de projetos na ONG Transparência Brasil e especialista em Lei de Acesso à Informação.

Marina e Luiz Fernando Toledo, jornalista de dados na CNN Brasil, conversaram sobre os benefícios do uso da LAI e explicaram as formas de fazer isso no painel “Nunca Usei a Lei de Acesso à Informação. Como Faço?”.

Da escolha da pauta à publicação: como são feitos os podcasts de política?

Os jornalistas Renata Lo Prete e Conrado Corsalette falam sobre o processo de produção dos podcasts 'O Assunto' e 'Durma com essa'

Por: Miréia Figueiredo e Ruam Oliveira

Edição: Pâmela Chagas



Roteirização, gravação e edição. O processo aparentemente simples de produção de um podcast, na verdade, guarda uma série de particularidades em relação a outros produtos jornalísticos. Na mesa “Saiba como são produzidos os podcasts que falam da política nacional”, realizada neste sábado (12) durante o 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, a jornalista da TV Globo, Renata Lo Prete, e Conrado Corsalette, do jornal Nexo, compartilharam suas experiências na descoberta de contar histórias por meio do áudio.

No caso do podcast O Assunto, produzido para o site G1, Lo Prete conta que a mobilização para definir a pauta começa cedo, por volta das 10h da manhã. A equipe, composta por seis pessoas, discute via Whatsapp possíveis temas a serem abordados no episódio do próximo dia.

Cobertura do coronavírus no Brasil exige equilíbrio físico e mental dos jornalistas

Com o avanço da pandemia, a imprensa se tornou uma fonte segura de informação e prestação de serviço

Por: Aelson Linardi e Carlane Borges

Edição: Vitória Macedo

A Covid-19 apresentou ao jornalismo desafios que não faziam parte da rotina. Uma das atividades essenciais da profissão, ir à rua, se tornou um problema para as redações, pelo risco de exposição ao vírus. A coragem para seguir trabalhando foi relatada na mesa “Diários da tragédia: repórteres e a cobertura de Covid-19”, durante o Congresso da Abraji, no sábado (12). 

Para Maiá Menezes, do jornal O Globo, Pedro Borges, da agência Alma Preta, e Edmar Barros, fotógrafo freelancer de agências de notícias nacionais e internacionais, os contratempos também falam alto: tomar todos os cuidados necessários é só o começo. 

Depois disso ainda há desgaste mental e as dificuldades de acesso a dados importantes para a apuração jornalística.

Jornalistas se autocensuram para sobreviver no ponto mais violento da fronteira brasileira

Facções criminosas entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, executam profissionais de imprensa que denunciam crimes

Por: Camila Araújo e Wender Starlles

Edição: Wender Starlles




Com 12 tiros o jornalista e dono do site Porã News, Léo Veras, foi assassinado em casa, no início de 2020. Ele cobria principalmente assuntos relacionados à disputa de poder pelo narcotráfico.

O crime aconteceu em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Entre os quase 17 mil quilômetros de divisa do Brasil com outros dez países vizinhos, a fronteira com o Paraguai apresenta desafios à segurança de profissionais de imprensa. 

É o que conta Marta Ferreira, editora do Campo Grande News, na discussão sobre jornalismo na fronteira, que aconteceu no segundo dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. “As execuções de pessoas são constantes e representam a ponta do iceberg pela disputa do comando de tráfico na região”.

Jornalismo esportivo: um universo a ser explorado

Adriano Wilkson, jornalista do UOL, conta um pouco de sua experiência na cobertura de esporte de uma forma diferente

Por: Natasha Meneguelli e Natalia de Souza

Edição: Leandro Melito


“Eu lembro bem, eu estava sentado na cama do motel, testemunhando aquela cena toda, surreal, do Acácio muito fraco, um cara de dois metros sendo colocado em uma banheira de água quente para suar”, relembra Adriano Wilkson, jornalista esportivo do UOL. Ele acompanhava o processo de perda de peso do lutador profissional de MMA Acácio “Pequeno” dos Santos, junto ao seu treinador Magno Wilson. 

A reportagem narrativa em que ele descreve esse processo deu origem ao livro A Grande Luta, que trata da história real de atletas em torneios brasileiros. Em um bate-papo com Adriana Barsotti, diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o profissional conta o interesse imediato pelo assunto ao descobrir a prática recorrente de perda de peso radical entre os lutadores de MMA. Wilkson queria não apenas contar que isso acontecia, mas contar a história de alguém passando pelo processo. 

“O meu interesse é buscar no universo esportivo, as histórias que valem a pena, fugindo do campo e bola, quem jogou bem ou mal”, conta.

Entrevista exclusiva: Neena Kapur, do The New York Times, revela bastidores do combate a ameaças digitais

O que a gerente de inteligência de um dos maiores jornais do mundo tem a dizer sobre a proteção de dados de jornalistas

Por: Gustavo Honório e Rafael de Toledo

Edição: Wender Starlles

Tradução: Artur Alvarez, Gustavo Honório e Rafael de Toledo

Liderar uma equipe e traçar estratégias de segurança digital em um dos jornais mais importantes do mundo é uma tarefa desafiadora. Neena Kapur faz esse trabalho desde 2019. Interessada em geopolítica e nas interações que os países mantêm com o ciberespaço, ela encontrou uma maneira de disseminar a importância do assunto.

Desde então, Kapur trabalha no combate e na prevenção de ataques e abusos sofridos por jornalistas no ambiente virtual. Uma das formas de ameaça com a qual a especialista lida é o doxing - prática de obter dados privados de uma pessoa e torná-los públicos na web-, tema do painel "Doxing e outras ameaças de segurança digital contra jornalistas", mediado por Patricia Campos Mello, repórter especial da Folha de S. Paulo, no primeiro dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Em entrevista exclusiva, a responsável pela proteção digital dos jornalistas do The New York Times destaca bastidores da segurança e comenta sobre a importância de ensinar pessoas se prevenirem de ataque.

Bastidores do Prêmio Pulitzer: a investigação que revelou uma política de execuções extrajudiciais nas Filipinas

Em meio à incessante guerra contra traficantes e dependentes químicos conduzida pelo presidente Rodrigo Duterte, reportagem da Reuters usou apuração na rua e dados para romper a narrativa oficial de que a polícia atirava em legítima defesa

Por: Isabella Vieira e Katherine Rivas

Edição: Ricardo Rossetto

Em 2016, quando Rodrigo Duterte foi eleito presidente das Filipinas, os jornalistas da agência Reuters Andrew Marshall e Clare Baldwin logo identificaram, ali, uma história importante que deveria ser contada.

Conhecido por conduzir uma política antidrogas que provocou a morte de milhares de pessoas na cidade de Davao, onde foi prefeito por 21 anos, Duterte cumpriu a promessa de levar a nível nacional sua guerra incessante contra traficantes e dependentes químicos.

"Pouco tempo depois que Duterte assumiu a presidência, os assassinatos vieram às centenas, depois milhares”, conta Marshall. “Em uma favela que visitamos, encontramos uma mulher que tinha perdido quatro filhos nessa guerra às drogas. As testemunhas relatavam que bairros periféricos tinham se tornado um ‘rio de sangue’”, lembra Baldwin. 

'A Máquina do Ódio' e 'Tormenta': jornalistas expõem entranhas do bolsonarismo em livros

 Patricia Campos Mello e Thaís Oyama falam sobre os bastidores da apuração jornalística que resultou nos livros que impactaram os meios político e jornalístico este ano

Por: Redação
Edição: Leandro Melito


Dois livros já em circulação nas livrarias brasileiras e que impactaram os meios político e jornalístico do país foram relançados nesta sexta-feira (11), no primeiro dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. 

Em comum, A Máquina do Ódio: notas de uma repórter sobre fake news e violência digital da jornalista  Patricia Campos Mello, repórter especial da Folha de S. Paulo e Tormenta - o governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, da jornalista Thaís Oyama, colunista do UOL, trazem elementos de investigação jornalística que ajudam a entender a formação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e seu método de fazer política. 

Jornalistas ansiosos se tornam um perfil comum na cobertura da Covid-19

A pandemia amplificou em cerca de 61% os casos de jornalistas com transtornos emocionais, mas protocolos sobre saúde mental ainda são pouco debatidos nas redações

Por Douglas Figueiredo e Rafael de Toledo
Edição: Dario Vasconcelos


Falar sobre saúde mental no campo profissional, para muitos, ainda é um tabu e com o jornalismo não é diferente. Relatos de transtornos de ansiedade e estresse não são novidades nas redações de grandes veículos. No entanto, estudos mostram que a pandemia alterou significativamente o lado psicológico de jornalistas que alegam, por exemplo, o aumento da pressão no trabalho.

Neste sábado (12), o 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, convidou os jornalistas Meera Selva, diretora do programa de bolsas do Instituto Reuters para Estudo de Jornalismo, no Reino Unido, e Guilherme Valadares, fundador e diretor do Papo de Homem, para revelar quais são esses desafios para os profissionais da imprensa.

Com mediação de Luiza Bodenmüller, gerente de estratégia do Aos Fatos, os profissionais falaram sobre a “Saúde Mental dos Jornalistas em Tempos de Pandemia”, tema da mesa de discussão.

Falta de dados é método do Estado para ocultar violência policial

Jornalistas do Fantástico contam os bastidores de reportagem que mostrou que, a cada 84 minutos, a polícia mata uma pessoa no Brasil.

Por Camilo Mota e Cassiane Lopes
Edição: Raquel Brandão


Encontrar números que mostrassem que a violência policial estava se intensificando e fazendo mais vítimas nas periferias do país, foi o grande desafio para a repórter Sônia Bridi, a editora Nancy Dutra e os produtores James Alberti e Mônica Reolom, do Fantástico, programa dominical da Rede Globo.

Como não existe no Brasil órgão federal que consolide os registros da violência nos Estados, os produtores tiveram que montar sua própria base de dados, por meio de solicitações via lei de acesso à informação, para todas as secretarias estaduais. 

Colapso climático deve ser tema central no debate jornalístico

Para o editor global de meio ambiente do jornal The Guardian, o tema é o prisma para entender questões políticas, econômicas e sociais.

Por Matheus Menezes e Thuany Gibertini
Edição: Nayani Real


Onde costumam se localizar as reportagens sobre jornalismo ambiental nos veículos de imprensa? Sabendo das consequências do colapso ambiental e o impacto em toda a forma de habitar esse planeta, o jornalista britânico Jonathan Watts, editor global de meio ambiente do jornal The Guardian, salienta que as matérias sobre meio ambiente não devem ser restritas ao canto de uma página, de uma editoria específica, especialmente porque muitas pessoas já evitam olhar para o tema. 
 
“O meio ambiente precisa estar em todo o jornal, ao invés de ficar em sua periferia”, pontua.

Em meio à pandemia, 'Le Monde' inova em formatos de notícias

Em Masterclass, a vice-chefe do jornal francês Cécile Prieur fala sobre novas estratégias e modelos de negócio adotados pelo veículo

Por André Martins e Mikael Schumacher
Edição: Luísa Cortés


Vídeos curtos no TikTok, mensagens pelo WhatsApp, podcast exclusivo: essas foram algumas iniciativas de um dos principais jornais da França para disseminar notícias no contexto da pandemia da Covid-19.

Em meio à crise sanitária, o jornal francês Le Monde fez uso de uma página com atualizações ao vivo, em que trazia as notícias quentes e interagia com o público respondendo perguntas.

“Não é porque é o Le Monde, que o jornalismo precisa ser chato e sério. É preciso democratizar a informação”, disse Cécile Prieur, vice-chefe do veículo, entrevistada hoje (12) pela diretora da Abraji Natalia Mazotte, na mesa Como o jornal francês Le Monde vem se preparando para sobreviver, realizada no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Bolsonaro vê imprensa como 'inimiga útil', diz Thaís Oyama

Presidente ataca jornalistas porque isso faz suas redes sociais crescerem, diz autora de “Tormenta”

Por: Rafael Sampaio
Edição: Leandro Melito

Meses de investigação sobre bastidores do governo Jair Bolsonaro, de apuração com fontes no Planalto, checagens de informações vindas de ministros e assessores, além de incontáveis viagens a Brasília e ao Rio de Janeiro. Esta foi a rotina da jornalista Thaís Oyama para escrever Tormenta - o Governo Bolsonaro: Crises, Intrigas e Segredos.

O livro revela os bastidores do primeiro ano do governo bolsonarista através de relatos e depoimentos de fontes próximas ao presidente. Trata-se de uma obra fundamental para entender Bolsonaro e seu círculo mais íntimo, além de servir como panorama para a nova onda conservadora que tomou a política institucional brasileira de assalto nos últimos anos.

Em entrevista ao Repórter do Futuro, Oyama menciona um fato curioso: fontes do Planalto revelaram que a passagem do livro que mais incomodou Bolsonaro foi uma frase no último capítulo. “A frase fala que Bolsonaro não se dobrou de uma vez à velha política, ele foi se curvando aos pouquinhos”, comenta a jornalista.

Ataques virtuais são nova forma de censura, diz Patricia Campos Mello

Repórter especial da Folha diz que redes virtuais de ódio são “ecossistema” descentralizado e que tentam intimidar jornalistas

Por: Rafael Sampaio
Edição: Leandro Melito

 
Uma das mais premiadas jornalistas brasileiras da atualidade, a repórter especial da Folha de S. Paulo, Patricia Campos Mello relata em entrevista ao Repórter do Futuro como os ataques de ódio e a disseminação de fake news via aplicativos e redes sociais, como WhatsApp e Facebook, tornaram-se uma nova forma de tentar calar quem faz jornalismo no país.

Ao contrário da crença comum de que a distribuição de mensagens de ódio e fake news partem de algum comando central ou da ação de robôs, Mello pondera que, antes de tudo, essa prática tem a seu favor o fato de ser descentralizada.

Os propagadores de ódio virtual contam com um “ecossistema”, que inclui desde os perfis de redes sociais do presidente Bolsonaro e de seus filhos, blogs conservadores, canais de YouTube de influenciadores de direita, perfis de legisladores bolsonaristas e muita gente de carne e osso - pessoas que leem e acreditam nas mentiras disseminadas na internet.

“Quando você tem governantes endossando esse tipo de mensagem agressiva, ou mesmo estimulando, isso ganha uma amplitude muito maior”, analisa Mello. Para ela, jornalistas não devem se calar. Conseguir “viralizar” uma reportagem apurada, checada e com sólida base em informações é um dos desafios principais nas redações.


Violência digital contra mulheres jornalistas estimula censura

Discurso de ódio nas redes sociais evidencia vulnerabilidade do gênero

Por Cassiane Lopes e Nayani Real
Edição: Vitória Macedo



Mulheres jornalistas estão duplamente propensas a ser vítimas de violência: por exercer sua profissão e por conta de seu gênero feminino. Isso é o que diz o site sobre o tema, feito pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A popularização das redes sociais nos últimos anos dá vazão a um novo formato de ataques a essas profissionais.

Na palestra “Ataques virtuais contra mulheres jornalistas na América Latina”, Sandra Chaher, presidenta da Asociación Civil Comunicación para la Igualdad na Argentina, conta que a preocupação a nível global sobre o assunto aumentou por conta da intensificação das violências contra as profissionais na internet. “Esse espaço está reproduzindo a violência estrutural que temos na sociedade", explica. Junto à argentina, construíram o debate a colombiana Lina Cuellar, diretora e co-fundadora da Fundación Sentiido, a boliviana Isabel Mercado, diretora da Página Siete e a venezuelana Gabriela Buada, fundadora do Caleidoscopio Humano.

11/09/2020

Jornalismo de soluções: um novo modelo para engajar o público

Modelo busca solucionar problemas da sociedade e mediar aproximação entre o público e a notícia

Por: João Vitor Reis e Natalia de Souza

Edição: Tiago Angelo


Não focar apenas em denunciar problemas, mas propor soluções para eles. É com base nessa premissa que um grupo de especialistas em comunicação propôs o chamado “jornalismo de soluções”, alternativa que busca aproximar o público e a notícia. 

O tema foi discutido nesta sexta-feira (11), durante a mesa “Afinal, o que é jornalismo de soluções?”, que ocorreu no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A conversa contou com a presença de Marta Gleich, diretora de jornalismo do Grupo RBS, e foi mediada por Priscila Pacheco, repórter da agência de checagem Aos Fatos. 

Sistema de Justiça prefere prisões a investigações, dizem jornalistas

Fausto Salvadori (Ponte Jornalismo), Cecília Olliveira (Intercept Brasil) e Carolina Brígido (O Globo), experientes em coberturas de investigações, discutem injustiças em inquéritos e julgamentos no Brasil

Por: Matheus Menezes e Artur Ferreira

Edição: Artur Ferreira


Um homem preso por tráfico de drogas, sem drogas. Isso aconteceu com Rogério Xavier Salles, vendedor negro de Osasco (SP), em agosto de 2019. A Polícia Militar disse ter apreendido 23 gramas de cocaína com Rogério, porém, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) comprovou que não havia nenhuma substância ilícita.

Apesar do resultado, essa informação foi ignorada pelo delegado, que manteve Rogério detido por 28 dias. Somente após a história ter sido publicada pela Ponte Jornalismo, o homem foi inocentado. “Mas ninguém devolve o mês que você passou na cadeia por um crime que você não cometeu”, diz o jornalista Fausto Salvadori, um dos fundadores do site.

Por que é tão fácil condenar negros e pobres no Brasil? Fausto ilustra que a maneira como a polícia é organizada hoje reforça esse viés racista. “Basicamente você tem uma polícia para proteger o patrimônio da elite branca rica e para manter sob controle a população negra e pobre”, afirma.

Como cobrir educação: das visitas às escolas ao ensino remoto na pandemia

Os jornalistas Paulo Saldaña, Renata Cafardo e Thais Borges destacam o significado político do tema nos últimos tempos e a importância do contato direto com os educadores

Por: André Martins e Miréia Figueiredo
Edição: Samara Najjar

Vagas em creches, desigualdades e falta de infraestrutura nas escolas, qualidade do ensino, trocas de ministros, educação remota, volta às aulas, financiamento... Se antes já não faltavam pautas, o governo Bolsonaro e a pandemia da covid-19 agregaram novos elementos ao jornalismo de educação.

“O jornalismo de educação passou por grandes mudanças ao longo dos últimos anos”, aponta Renata Cafardo, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo que cobre o tema há 20 anos, dando o tom do debate.

Ao lado de Paulo Saldaña, repórter da Folha de S.Paulo, e Thais Borges, repórter do Jornal Correio, os três ministraram o curso “Como cobrir educação: escola, pandemia e Bolsonaro”, promovido pelo 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Credibilidade jornalística em tempos de desinformação

“The Trust Project” resgata a confiança dos leitores e a credibilidade do jornalismo em veículos de comunicação

Por: Carina Gonçalves e Lala Silva


A construção de credibilidade jornalística nasce da confiança do público com o veículo de comunicação: é nisso que o "The Trust Project" acredita. Tendo como valores a ética, diversidade e imparcialidade, veículos brasileiros como a Agência Lupa, Agência Mural de Jornalismo das Periferias, Jornal Nexo, O Povo e Poder 360, aderiram à iniciativa, que coloca luz em princípios essenciais para um jornalismo sério e de qualidade, principalmente em meio a uma pandemia.

Este foi o tema da palestra "Construindo credibilidade nas organizações midiáticas pós- covid-19: os desafios de implantar os certificados de verificação de qualidade", com mediação do editor do Estadão, Daniel Bramatti, e participação da fundadora e diretora do The Trust Project, Sally Lehrman, e o co-fundador e correspondente de Osasco da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, Paulo Talarico.

Qual é o papel do jornalista no combate à covid-19?

Entre a “infodemia” e a pandemia do novo coronavírus, está o desafio de produzir e fazer circular informações confiáveis

Por: Caroline Oliveira

Edição: Caroline Oliveira


A população mundial carrega o peso de duas pandemias ao mesmo tempo. Em um obro, está a covid-19, que já matou cerca de 905 mil e contaminou 28 milhões de pessoas. No outro, a “infodemia”, definida assim pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para caracterizar a enxurrada de informações falsas como uma ameaça à saúde.

Entre as duas pandemias, estão os profissionais da imprensa, principalmente do jornalismo científico, que têm o desafio e a responsabilidade de produzir e fazer circular informações confiáveis.

Uma dessas profissionais é Roberta Jansen, repórter do O Estado de S. Paulo especializada em ciência, saúde e meio ambiente, cuja dificuldade “está sendo filtrar as informações verdadeiras da pandemia da desinformação. Tem muita informação e pesquisa sobre a doença circulando, mas também muita notícia falsa”.

Infodemia: a pandemia de covid-19 e a viralização de fake news

Cientista e jornalista comentam a confluência das duas áreas em um esforço conjunto pode conter a desinformação

Por: Mikael Schumacher e Miréia Figueiredo

Edição: Mariana Soares

Além de ter exposto problemas estruturais graves de países do mundo inteiro, como a falta de um sistema de saúde público, a pandemia da covid-19 também apontou para duas fissuras no avanço do desenvolvimento humano: a desvalorização da imprensa e da ciência. 

Este foi o ponto central da mesa “Desafios na cobertura do jornalismo científico durante a covid-19”, do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que contou com a participação de Roberta Jansen, jornalista do Estadão especializada em saúde e ciência, e do cientista-membro do Comitê de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis.

Cobertura do trabalho escravo exige cuidados e sensibilidade do repórter

Leonardo Sakamoto e Piero Locatelli relatam suas experiências em reportagens sobre violação de direitos trabalhistas

Por: Natasha Meneguelli


A cobertura do trabalho escravo exige cuidados específicos na apuração e nas informações colocadas na reportagem. No minicurso “Como cobrir trabalho escravo e outros direitos trabalhistas”, os jornalistas Leonardo Sakamoto e Piero Locatelli trouxeram dicas e relatos de anos de experiência no assunto. Ambos compartilham o vínculo com a Repórter Brasil, uma das referências para a cobertura do tema no país.

Dentro da programação do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, os repórteres explicaram que não é todo caso grave de violação trabalhista que corresponde ao trabalho escravo.

Contudo, isso não significa que ele não mereça ser noticiado. “Isso lembra o fato de que o trabalho escravo é uma cesta de crimes. Tem muito tema para cobrir, pauta não vai faltar, devido à quantidade de conexões do problema”, destacou Sakamoto.

Robô denuncia mineração ilegal na Amazônia

O projeto Amazônia Minada monitora o avanço do garimpo, enquanto desmatamento e queimadas se intensificam no país por influência das políticas não ambientais do governo Bolsonaro

Por: Camilo Mota e Isabela Alves

Edição: Gabriela Vasques

O projeto Amazônia Minada, lançado em novembro de 2019, mapeia e notifica quando novos requerimentos de mineração são protocolados, no governo federal, dentro de unidades de conservação de proteção integral na Amazônia. 

A equipe do projeto se inspirou no Robotox, um robô que tuíta sempre que o governo federal libera registro de novo agrotóxico. Elaborado em 3 meses, o robô da Amazônia Minada também avisa, por meio de um tweet, quando um novo pedido de mineração é protocolado. 

Doxing representa risco à integridade de jornalistas

Tática de divulgação de dados pessoais é utilizada para afetar a credibilidade de profissionais de imprensa e intimidar grupos minoritários

Por: Gustavo Honório, Rafael de Toledo e Wender Starlles
Edição: Wender Starlles

Você pode até não estar familiarizado com o termo, mas com certeza já ouviu ou foi vítima de doxing. A prática, cada vez mais comum contra jornalistas, consiste na publicação de informações privadas ou sensíveis na internet a fim de prejudicar, intimidar e até mesmo censurar a liberdade de expressão de profissionais de imprensa. 

Para falar sobre o tema na sexta-feira (11), primeiro dia do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Neena Kapur, gerente de Inteligência de Segurança do The New York Times, contou à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, quais são os principais métodos por trás do doxing e como as pessoas podem tomar medidas de segurança digital. 

Visão de produto no jornalismo pauta debate sobre modernização das redações

Grandes redações e jornalistas tradicionais tentaram se manter distanciados do tema, porém com a pandemia foram forçados a se adequar à nova realidade

Por: Thuany Gibertini e Pâmela Chagas

Edição: Pâmela Chagas



A crise no jornalismo é debatida já há algum tempo entre profissionais da área. Abordando perspectivas diferentes das tradicionais para fazer do jornalismo um negócio sustentável, a diretora de produtos do portal Jota, Paty Gomes e o coordenador do Google News Lab no Brasil, Marco Túlio Pires, apontam como principal erro dos veículos de comunicação o atraso em se adaptar às novas tecnologias.

Para ambos os jornalistas, é preciso ter uma nova mentalidade de produto e experiência do usuário como alternativa para o fortalecimento da prática jornalística. “É um olhar que a gente importa das empresas de tecnologia para tornar o jornalismo mais essencial”, explica Gomes. 

Ele aponta que o modo de trabalho no Jota vai de encontro a essa ideia, “se não for para resolver um problema do usuário, é melhor não fazer". 

"Hoje temos uma relação com o conteúdo e a informação de um jeito dinâmico. Então essa visão de resolver um problema é primordial”, conta.

Matar o jornalista não significa matar a mensagem: projeto dá continuidade à investigações de jornalistas assassinados

Diante do contexto de constantes ataques à liberdade de imprensa e impunidade à morte de jornalistas, Laurent Richard e Angelina Nunes apresentam iniciativas colaborativas em defesa da profissão

Por: Maria Carolina Sousa e Isabella Vieira

Edição: Caroline Oliveira

A morte de um jornalista não significa a interrupção de uma história. Foi a partir desta ideia que profissionais da imprensa decidiram se mobilizar para além de notas de repúdio e fundaram projetos para investigar os crimes e dar continuidade às investigações desenvolvidas pelos jornalistas assassinados.

Segundo os Repórteres Sem Fronteiras (RSF), censura, prisão e morte de jornalistas se devem às suas pautas de investigações contra políticos corruptos ou organizações criminosas, principalmente. De acordo com a instituição, 49 jornalistas perderam suas vidas em 2019 enquanto praticavam sua profissão.

Para Laurent Richard, jornalista investigativo francês e fundador do Forbidden Stories, nesse cenário “há duas maneiras de defender a imprensa: lutando por políticas governamentais contra a impunidade dos crimes e criando projetos de jornalistas na defesa de outros jornalistas".

Laurent Richard participou do painel "Forbidden Stories e Programa Tim Lopes: Conheça iniciativas que investigam a morte de jornalistas", do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

O debate também contou a presença de Angelina Nunes, coordenadora do Programa Tim Lopes da Abraji, e mediação de Marcelo Beraba, jornalista e um dos fundadores da Abraji.