10/07/2019

O jornalismo investigativo resiste na América Latina

Jornalistas sul americanos discutem obstáculos vividos no continente para atuar na área 

Por Luana Dias 
Edição Germano Assad

O primeiro a falar sobre os Desafios do Jornalismo investigativo na América Latina no congresso da Abraji foi Octavio Enriquez, repórter do jornal nicaraguense La Prensa. 

Antes de abrir o slide com a apresentação que havia preparado para o evento, Enriquez alertou: “Estamos em uma situação crítica do ponto de vista dos direitos humanos [na Nicarágua]. Trago uma apresentação com imagens que acredito serem muito fortes”. 

As imagens contextualizavam o governo opressivo do presidente Daniel Ortega e de sua esposa Rosario Murillo. Conforme dados de 2018 disponibilizados pelo relatório preliminar da Associação Nicaraguense dos Direitos Humanos (ANPDH), no período de 19 de abril a 25 de julho, foram mortas 448 pessoas pela repressão do governo. 

03/07/2019

Vídeos | Como entrar em contato com grandes histórias | Entrevista com Daniela Arbex

Daniela Arbex, jornalista, escritora e documentarista, falou com a Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro sobre como se dá a relação com as fontes e a construção de grandes histórias. Ela participou do Domingo de Dados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Por Cristiane Paião, Gabriela Neves e Natalia Souza
Edição Augusto Godoy



Vídeos | Introdução à programação | Entrevista com Cecília do Lago e Rodrigo Menegat

Cecília do Lago e Rodrigo Menegat, jornalistas do Estadão, falaram com a Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro sobre as maneiras mais eficientes de começar a trabalhar com programação e dados. Eles participaram do Domingo de Dados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Por Cristiane Paião
Captação e Edição Augusto Godoy

Vídeos | Podcasts no Brasil: "Caso Evandro", Projeto Humanos | Entrevista com Ivan Mizanzuk

Ivan Mizanzuk, professor, escritor e podcaster, falou com a Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro sobre sua relação com o jornalismo e o desenvolvimento de podcasts no Brasil. Ele participou do Domingo de Dados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Por Weslley Galzo e Cristiane Paião
Edição Augusto Godoy


Perfil: Felype Adms Oliveira (Rede Record/ Pará)


Quem é esse cara que gastou, economizou, se endividou e viajou mais de 2.800 km para estar em um lugar que para muitos é banal?

Por Vitória Macedo
Edição Cristiane Paião e Gabriela Moreira
Felype Adms Oliveira fez uma viagem de mais de 20h até o Congresso. Foto: André Catto

Como todo bom jornalista Felype Adms Oliveira, que trabalha na TV Vitoria, uma afiliada da Rede Record de Vitoria do Xingu, em Altamira no Pará, gosta de contar histórias. A sua vinda da área mais verde do país é inspiradora diante de olhares que estão sempre voltados para as selvas de pedras das grandes capitais do eixo sul-sudeste. Frente a frente, sentados em uma mesa no vão principal do Congresso Internacional de Jornalismo da Abraji, a conversa fluiu com os estudantes da redação-laboratório do Repórter do Futuro em meio aos aviões que iam e vinham a todo instante sobre os céus da Anhembi Morumbi...

02/07/2019

Homenagem à Miriam Leitão

Documentário exibido na cerimônia de homenagem a Miriam Leitão, realizada no 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo (2019). Outros Olhos Filme.


30/06/2019

7 dicas e um segredo para ser feliz fazendo jornalismo de dados


José Roberto de Toledo ensina como entrar na área.

Por: Géssica Brandino e Giulia Afiune
José Roberto de Toledo, editor do site da piauí compartilha ensinamentos sobre jornalismo de dados. 
Se há dez anos, o jornalista sofria com a escassez de informação, o problema hoje é justamente o inverso: lidar com uma imensidão de dados. Se cada byte fosse um litro d’água, em um ano a quantidade de informações produzidas poderia encher o Oceano Pacífico. 

A analogia feita pelo jornalista e editor-executivo do site da revista piauí, José Roberto de Toledo, ajuda a entender o desafio encarado por repórteres que trabalham com dados.

"A agulha que a gente procurava com a ajuda de um bloquinho e uma caneta, hoje a gente tem que achar dentro de um palheiro que é cada dia maior”, afirmou.

Para além dos dados: Como transformar estatísticas e documentos em reportagens interessantes

Estadão, G1 e Folha de S. Paulo revelam bastidores de importantes matérias feitas a partir de dados
Thiago Reis, do G1, fala sobre a reportagem de dados “Escravos sem Correntes” . Foto: Alice Vergueiro.

Por Samara Najjar

Transformar estatísticas e documentos em histórias de interesse público é um dos maiores desafios do jornalismo de dados. Para além de traduzir planilhas e convertê-las em textos, jornalistas também apostam em diferentes recursos para prender a atenção do leitor e explicar temas importantes de forma mais didática.

A elaboração de um infográfico foi uma das principais etapas da produção do Basômetro  2.0, do jornal Estadão. O projeto trata-se de uma ferramenta online que permite medir o governismo de cada partido político ou deputado entre os anos de 2003 até os dias de hoje. Nele, há registros dos mais de 844 mil votos dados por 1.811 parlamentares em todas as 2.427 votações realizadas na Câmara nos últimos 17 anos.

Entrevista: assassinato de jornalistas cria zonas silenciadas na América Latina, diz assessor da Unesco

Guilherme Canela, assessor da Unesco, fala sobre os desafios para o exercício da profissão na região

Por Ana Luisa Zaniboni, Cristiane Paião, Stéfanie Rigamonti e Leandro Melito

Edição: Leandro Melito e Stéfanie Rigamonti


Guilherme Canela, assessor da Unesco. Foto: Cristiane Paião.
A América Latina é a região do mundo sem um conflito armado aberto com maior número de assassinatos de jornalistas no mundo. Em 2017 foram registrados 22 casos na região - o equivalente a 28% das mortes em todo o mundo. Em 2016 foram 28 casos - 27% do total. As informações são do relatório da Unesco Punir o Crime, Não a Verdade

“Se eu tivesse que escolher um problema, o primeiro que a gente tem que atacar é que as pessoas parem de matar jornalistas”, afirma Guilherme Canela, Assessor Regional de Comunicação e Informação da Unesco. 

Entrevista: Jornalismo comunitário aproxima grande imprensa e academia da realidade periférica


Gabi Coelho transita entre favela e asfalto, reportando temas caros à periferia

Por Ana Luisa Zaniboni, Germano Assad e Leandro Melito
Edição: Germano Assad

Jornalista Gabi Coelho, em painel no 14º Congresso da Abraji. (Foto: Alice Vergueiro / Abraji)

Cobrir temas relevantes e presentes no cotidiano das favelas e periferias Brasil afora sempre foi um desafio, em especial para a grande imprensa e correspondentes internacionais baseados no país. Para não incorrer em velhos clichês e preconceitos, nada como uma visão de dentro, sensível à imensidão do país e suas nuances regionais.

A imprensa alternativa tem histórico de representatividade no Brasil, mas com o assassinato de Tim Lopes, em 2002, passou a pautar com mais frequência as mídias de massa. Por um lado pela consolidação de novos coletivos, jornalistas e mídias. E por outro, pela busca dos canais tradicionais por uma cobertura comunitária segura, plural e que vá além do narcotráfico e da utilidade pública pontual.

Gabi Coelho é uma destas jornalistas, que tem colocado sua “visão de mulher negra periférica, jovem” a serviço do diálogo entre a favela e o asfalto.

Vídeos | Como fazer para que as pessoas voltem a confiar na imprensa?

A Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro fez esta pergunta para alguns dos jornalistas que participaram do primeiro dia do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Estão no vídeo: Rafael Soares, do Jornal Extra; Daniel Bramatti, da Abraji/Estadão; Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo; Guilherme Amado, Revista Época.

Captação de imagem e edição: Mauricio Abbade
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares



A imprensa na mira dos governos autoritários

Último painel de sábado (29) debate desafios de Brasil, Venezuela e Polônia

Por Carlane Borges, Gabriela Neves, Vitória Macedo e Weslley Galzo 
Edição Cristiane Paião
Foto: Gabriela Neves
O que Brasil, Venezuela e Polônia têm em comum? Para Marzen Suchan do Grupo Interia.pl da Polônia e Luz Mely Reyes, do Efecto Cocuyo da Venezuela, são países marcados pela polarização e que precisam levantar suas vozes na luta pela democracia. 

Para Marzen, o governo de extrema direita da Polônia ataca a mídia e, além disso, aparelhou a chamada "grande" mídia com o auxílio, inclusive, de empresas internacionais. 

Vídeos | Qual a importância do jornalismo para a democracia?

A Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro fez esta pergunta para alguns dos jornalistas que participaram do primeiro dia do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Neste vídeo falam: Mônica Bergamo - Folha de S. Paulo, Guilherme Amado - Revista Época, Anabela Paiva - CESEC, Adam B. Ellick - The New York Times, Natália Viana - Agência Pública e Daniel Bramatti - Abraji/Estadão. 

Captação e edição: Mauricio Abbade 
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares


Série realidades: desafios do jornalismo fora dos grandes centros

Jornalistas falam das especificidades das coberturas regionais

Por Gabriela Silva de Carvalho, Matheus Menezes e Thalita Monte Santo
Edição Cristiane Paião


Nayara Felizardo (The Intercept Brasil), Fábio Oliva (Blog do Fábio Oliva/Abraji) e Pedro Sergio Ronco (Blog do Ronco). Foto: Mariana Soares

Pedro Sergio Ronco, do Blog do Ronco, ao denunciar desvios de verba da merenda escolar e de combustível na prefeitura de Ribeirão Bonito, interior de São Paulo, sofreu represálias, inclusive ameaça de morte. Seu depoimento no painel sobre a imprensa longe dos grandes centros durante o 14º Congresso da Abraji foi contundente. 

“Nos deparamos com uma corrupção deslavada. Perguntamos ao prefeito onde ele colocava o combustível, pois não tinha reservatório. Ele disse que abasteciam e distribuíam para outros setores da prefeitura. Ao apurar, nos deparamos com um documento falso que revelava até um desvio na verba de merendas escolares”, relembra Ronco. 

29/06/2019

Governo Bolsonaro elege a imprensa como inimiga, afirma diretor da Piauí

Profissionais falam sobre os desafios de cobrir um governo que desqualifica o jornalismo e faz das redes sociais seu canal oficial de informação

Texto: Karine Seimoha
Edição: André Catto e Leandro Melito


O modo como a imprensa noticia a política mudou já em 2017, com a eleição do presidente norte-americano Donald Trump. No Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), não foi diferente. O atual presidente nunca escondeu sua predileção por um ou outro veículo, além de desqualificar os demais.

“Estamos diante de um bicho, mas um bicho diferente. É diferente porque esse governo elege a imprensa séria como um inimigo, e quer desqualificar, destruir a imprensa”, comentou Fernando Barros, diretor de redação da revista Piauí.

Jornalistas latino-americanos criam estratégias de resistência contra pressões governamentais

Profissionais da Venezuela, Guatemala, Colômbia e Uruguai relatam formas de superar crise

Por Luísa Cortés
Edição Géssica Brandino

Liseth Boon (Runrunes), Fabián Werner (Sudestada), Adriana Garcia (Orbitalab), Gladys Olmstead (Nómada) e Hugo Mario Cárdenas (El País) - Foto: Mariana Soares
A crise venezuelana também atingiu o jornalismo. Desde 2014, quando Nicolás Maduro foi eleito, 266 repórteres saíram do país. Frequentemente, sites de notícias são tirados do ar, como é o caso do El Pitazo, que já mudou seu domínio na internet quatro vezes, conta a jornalista Lisseth Boon. 

Coordenadora da editoria de investigação do site venezuelano independente Runrunes, ela cita diversos tipos de censura enfrentados no país, principalmente no governo Maduro. 


Quando os jornalistas devem se calar: a ética do off

Para Daniela Lima, parte da função do repórter é respeitar o sigilo da fonte e decidir quando vale ou não publicar uma notícia

Por Emily Santos
Edição Tiago Angelo


Thiago Herdy (O Globo/Época/Abraji), Daniela Lima (Folha de S.Paulo). Foto: Emily Santos


Parte do trabalho do jornalista é construir relações que beneficiem o público por meio de informações relevantes. Mas, para Daniela Lima, editora da coluna “Painel”, do jornal Folha de S.Paulo, às vezes é melhor que o jornalista se cale.

A profissional, que expôs sua experiência na mesa “A ética do off” durante o 14º Congresso da Abraji, defendeu que é importante que o jornalista saiba qual a intenção da fonte por trás da informação passada e consiga discernir quando não deve divulgar o que sabe.

Falta de transparência em dados públicos é desafio para mapeamento de tensões socioambientais no Brasil

Projeto Latentes viabiliza investigação ambiental e acesso a informações georreferenciais para defensores, entidades, pesquisadores e jornalistas 

Por Micaela dos Santos e Juliana Fronckowiak Geitens 
Edição Cristiane Paião 

Rosiane de Freitas (Livre.jor/Plural). Foto: Mariana Soares


No Brasil, existem 4.536 áreas em que assentamentos, quilombolas, reservas indígenas e áreas de proteção são vizinhas ou têm intersecção com áreas ativas de exploração mineral. Embora os dados representem o maior mapeamento de tensões socioambientais no país, dimensionar esses conflitos tornou-se um desafio para o Projeto Latentes, que fiscaliza o poder público por meio de dados abertos e da Lei de Acesso à informação. 

A dificuldade de obter informações públicas coincide com diversas medidas do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), marcado pelos ataques a jornalistas e ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do forte apoio às demandas da bancada ruralista. 

Autor de livro banido no Brasil fala sobre corrupção privada e escândalo da FIFA

Jornalista reforça importância de transparência dentro dos clubes para que novos casos não ocorram

Por Luana Nunes


Ken Bensinger (BuzzFeed News). Foto: Mariana Soares

No Brasil, a corrupção privada não é considerada crime. O tema foi tratado pelo jornalista Ken Bensinger, autor do livro Red Card, e repórter do BuzzFeed News. No País, os direitos de sua obra foram comprados pela Globo, empresa implicada em denúncias de corrupção tratadas no livro. A empresa embargou a publicação. 


A investigação envolve José Maria Marin e Marco Polo Del nero, ex-presidentes da CBF. O primeiro foi condenado a quatro anos de prisão após o caso ser revelado. O segundo ainda vive no Brasil para evitar ser preso nos EUA, onde é impedido de exercer qualquer função ligada ao futebol. 


The Intercept está quase se bancando, afirma editor

Com Vaza Jato em evidência, número de assinantes do site aumentou significativamente

Por Ariádne Mussato e Beatriz Santoro
Edição Cristiane Paião e Leandro Melito

Andrei Netto (Headline), Pedro Doria (Meio), Luiza Bodenmüller (Aos Fatos). Foto: Augusto Godoy
Financiado pela First Look Media, do fundador do Ebay, Pierre Omidyar, o site The Intercept Brasil também conta com financiamento dos leitores. Segundo Leandro Demori, editor do site, o valor pago pelos assinantes como pessoa física está próximo de ultrapassar o valor repassado pela empresa de mídia, objetivo traçado pela equipe. "É um sonho que está muito perto de acontecer", afirma. 

Desde o começo do ano, o site conta com assinaturas recorrentes, arrecadando hoje mais de R$ 260 mil reais por mês somente com seus mais de 9 mil leitores assinantes. A série de publicações  da Vaza Jato colocou o The Intercept em evidência, o que colaborou com o aumento das doações. No dia 11 de junho, o montante arrecadado por mês era de 92 mil reais, um aumento de quase três vezes mais.

Setor de tecnologia deve ser pautado como estrutura de poder

Jornalistas destacam necessidade de abordagem crítica na cobertura do tema


Por Géssica Brandino e Stéfanie Rigamonti
Diego Salazar (No hemos entendido nada), Gabriel Dance (The New York Times), Guilherme Canela (UNESCO), Tatiana Dias (The Intercept Brasil) e Sérgio Spagnuolo (Volt Data Lab/Abraji) - Foto: Augusto Godoy
Há cinco anos, as maiores empresas mundiais eram ligadas ao petróleo. Hoje, esse lugar é ocupado pelo setor de tecnologia, com Amazon, Apple, Google, Microsoft e Samsung como as marcas mais valiosas, segundo a Brand Finance. O Facebook aparece em 7º lugar. Justamente por isso, esse ecossistema deve receber uma cobertura crítica dos jornalistas.

Qualidade técnica das publicações não pode ficar à mercê das estatísticas

Para jornalistas, relevância da reportagem é essencial para o leitor

Por Carlane Borges

Edição Tiago Ângelo
João Gabriel de Lima (Estadão). Foto: Augusto Godoy
O uso de métricas não é uma novidade no jornalismo. Antigamente, por exemplo, haviam pesquisas por telefone para saber o que as pessoas estavam lendo. Hoje, com a revolução digital, os meios de comunicação se aproximam mais das métricas digitais.

No jornalismo, o uso dessa ferramenta ainda se restringe muito à estatísticas de audiência, sem considerar como essa produção reverbera para o público. No entanto, para Pedro Burgos, do Impacto.jor, o jornal não deveria apenas avaliar o número de clicks, mas a relevância da reportagem para o leitor. “Quando as missões são claras, as métricas são muito mais assertivas”, diz.


Livros relatam os erros e as consequências do caso Escola Base

25 anos depois, filho do casal acusado injustamente revela o seu lado da história


Por Amanda Stabile e Joyce Moura
Edição Ronald Sclavi

Ricardo Shimada (filho do casal do caso Escola Base), e Emílio Coutinho, autores dos livros apresentados no painel. Foto: Augusto Godoy.
A meta de Ricardo Shimada é colocar um exemplar do livro que acaba de escrever em cada universidade do Brasil, para que todos conheçam as consequências do caso que ficou conhecido como "Escola Base" e não repitam os mesmos erros. “A imprensa estava muito ansiosa por dar o furo. É melhor retardar a vitória do que profanar seu valor”, destaca. 

"Atrás de uma notícia sempre tem uma pessoa”, é o que alerta Shimada, filho de Icushiro e Maria Aparecida Shimada, donos da Escola Infantil Base e vítimas de um dos maiores erros jornalísticos cometidos pela imprensa brasileira.

A era dos extremos: o leitor quer ponderação ou ativismo?

A necessidade de diferenciar militância do jornalismo profissional 

Por Gabriela Neves e Weslley Galzo 
Edição Tiago Angelo 


Da esquerda para a direita Carla Jimenez (El País Brasil), Paula Miraglia (Nexo), Daniela Pinheiro (Época) e Fernando Rodrigues (Poder360) - Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro
Entre os palestrantes convidados para cobrir o painel surgiu de forma urgente e unânime, logo no início, a necessidade de debater o chamado jornalismo militante e sobretudo diferenciá-lo do jornalismo profissional.“Quando a gente fala de jornalismo militante eu não sei se é jornalismo... jornalismo profissional é outra coisa”, disse Fernando Rodrigues, diretor de redação do Poder 360. 

A pertinência do assunto atraiu muitos espectadores e fez com que a sala ficasse lotada. Com a plateia instigada pela discussão, ao dar espaço para as perguntas, Nayara Felizardo, repórter do Intercept Brasil na região Norte e Nordeste, fez uma pergunta que arrancou aplausos da plateia. “Se uma pessoa é machista, homofóbica e misógina, dar nome a essas características verdadeiras é ser militante?”, questiona. 

Confira dicas para começar um podcast

Juliana Walluer do podcast Mamilos, Filipe Figueiredo do Xadrez Verbal e Ivan Mizanzuk do Anticast dão dicas de como produzir um podcast com conteúdo diversificado

Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Edição Leandro Melito
Juliana Wallauer (Mamilos Podcast). Foto: Alice Vergueiro.  
Definir o formato, a frequência, quem irá apresentar o podcast, qual o assunto e porque ele mobiliza, são as questões a serem respondidas para oferecer um projeto de podcast a possíveis financiadores. Essa é a opinião de Juliana Walluer que produz o podcast Mamilos. Confira no áudio e no vídeo abaixo dicas de como começar a produzir um podcast.


Cobertura das Forças Armadas: um novo desafio para o jornalismo

Assim como os militares estão aprendendo a lidar com os repórteres, os jornalistas também estão aprendendo a lidar com a categoria 

Repórter: Luana Dias 
Editor: André Catto e Cristiane Paião

Marcelo Godoy (Estadão) e Igor Gielow (Folha de S. Paulo) - Foto: Ariadne Mussato
Para Igor Gielow, da Folha de S. Paulo se político é “que nem bife, quanto mais você bate, mais macio ele fica”, militares não funcionam da mesma forma. A expressão "bater", no jornalismo, tem significado parecido com o de criticar, denunciar, abordar ou noticiar de forma mais enfática ou agressiva. “Se você bate muito em um militar, ou ele vai bater de volta ou simplesmente você perdeu o cara”, destaca Gielow. Segundo ele, aqui no Brasil, os dois lados ainda estão aprendendo a lidar com a chamada cultura democrática. “É um processo que ainda vai demorar para fechar”, conclui. 

Repórter do BuzzFeed revela rede de corrupção entre chefes de governo

Traçando uma rede de conexões, Ken Bensinger foi capaz de ligar o envolvimento de Chuck Blazer, Vladimir Putin e Donald Trump

Por Matheus Menezes
Edição: Leandro Melito

Ken Bensinger (BuzzFeed News) - Foto: Ariadne Mussato
“Como um jornalista, você quer aquilo que é secreto, que as pessoas não sabem”. Seguindo essa lógica, Ken Bensinger, repórter do BuzzFeedNews se embrenhou em uma floresta armado apenas de uma caneta - a proteção do jornalista - para encontrar um personagem que lhe garantiria um grande furo de reportagem. “Você sabia que  o presidente dos Estados Unidos é um espião russo?”, sussurra a fonte anônima.

Podcasts: crescimento faz plataformas de streaming buscarem parcerias para conteúdo

Produtores falam sobre as possibilidades e caminhos a serem explorados para o formato

Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Edição Leandro Melito
Rodrigo Vizeu (Folha de S. Paulo / Podcast Café da Manhã), Juliana Wallauer (Mamilos Podcast) e Filipe Figueiredo (Podcast Xadrez Verbal). Foto: Alice Vergueiro. 
Desde 2017, as plataformas de streaming, como o Spotify e o Deezer, começaram a disponibilizar podcasts. E, assim como o aumento de ouvintes, consequentemente, essas redes vêm procurando cada vez mais parcerias. “Todo dia o Spotify disponibiliza 30 podcasts novos”, ressalta Juliana Wallauer, que produz o podcast Mamilos.

Programa Tim Lopes: investigação aponta que morte de radialista foi encomendada por R$ 5 mil

Após denúncias contra a administração local, Jefferson Pureza foi assassinado em Edealina-GO 

Por Luana Nunes e Thalita Monte Santo 
Edição: Caroline Oliveira e Cristiane Paião
Angelina Nunes (ESPM/Abraji). Foto: Alice Vergueiro
17 de janeiro de 2018. Jefferson Pureza, 39 anos, estava deitado na varanda de casa quando foi morto com dois tiros. Dois homens chegaram em uma moto, e já entraram atirando. No caso que aconteceu em Edealina, Goiás, o radialista foi morto dentro de casa. Foi socorrido, mas morreu no local.

Ele trabalhava em uma rádio comunitária, A voz do povo, que inclusive já havia sofrido incêndios e outros ataques. O motivo? Denúncias contra a administração local. 

Consórcio de jornalistas expõe fraudes no setor da saúde

Fruto de jornalismo colaborativo, investigação reuniu 250 repórteres baseados em 36 países

Por Juliana Fronckowiak
Edição Tiago Angelo
Guilherme Amado (Abraji), Allan de Abreu (revista piauí) e Anna Beatriz Anjos (Agência Pública). Foto: Ariadne Mussato. 
Não satisfeitos com os resultados inéditos da colaboração transnacional de jornalistas no caso Panama Papers, maior vazamento de documentos envolvendo paraísos fiscais, o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) apurou, em 2018, fraudes relacionadas ao mau uso de dispositivos médicos. No Brasil, a Agência Pública e a Revista Piauí participaram da investigação, batizada de The Implant Files. 

Jornalismo sem fins lucrativos: o que a experiência dos EUA pode ensinar?

Para Rosental Calmon, o modelo veio para preencher o vazio existente na cobertura diária dos grandes veículos

Por Juliana Fronckowiak Geitens
Edição: Leandro Melito e Caroline Oliveira



Rosental Calmon Alves (Centro Knight para o Jornalismo nas Américas). Foto: Augusto Godoy

Talvez Mercedes Sosa tenha se inspirado na geração de jornalistas que nascia quando, em 1989, fez a música ‘Todo Cambia’. Assim como tudo muda, o modelo de negócio que sustentou o jornalismo por décadas mudou. 

O jornalista brasileiro Rosental Calmon, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, acompanhou de dentro esse processo nos EUA e acredita que o Brasil pode beber na fonte dessa experiência e mudar profundamente não só um modelo de negócio, mas o produto jornalístico. 


Projeto de jornalismo independente identifica e mapeia crimes de ódio nos Estados Unidos

Documenting Hate expõe casos de intolerância após eleição de Trump nos EUA 

Texto: Karine Seimoha 
Edição: Samara Najjar 
Rachel Glickhouse (ProPública) e Thais Nunes (SBT). Foto: Ariadne Mussato

Depois de perceber um aumento significativo nos casos de violência por intolerância, tanto real quanto virtual, nos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump, em 2017, a agência ProPublica iniciou um trabalho pautado no interesse público, cujo objetivo é mapear os casos de violência motivada intolerância no país. 

28/06/2019

Do excêntrico ao real: bastidores das notícias além da Lava-Jato

Jornalistas da TV Globo detalham bastidores das matérias que produziram 

Por João Vitor Reis 

Arthur Guimarães (TV Globo) e Paulo Renato Soares (TV Globo). Foto: Mariana Soares

Uma doação controversa de missionários evangélicos. Um número de whatsapp na porta de uma loja de stand up paddle fechada em Punta del Este. Lavagem de dinheiro através de fábrica de água mineral. 

Essas foram algumas das situações relatadas pelos jornalistas Arthur Guimarães, acompanhado de Paulo Renato Soares, ambos da TV Globo, resultado de reportagens exibidas nos telejornais da emissora, na cobertura da operação Lava-jato.

“A gente ficou a frente da Lava-Jato. Não dependemos de fonte, fizemos nossa investigação, com nossas microcâmeras, nossos levantamentos societários, porque para eles (a força-tarefa da Lava-Jato) é muito fácil: tem um computador que basta apertar um botão e aparece tudo”, detalhou Arthur Guimarães, que é o produtor responsável na cobertura das reportagens da operação Lava-jato. “É uma coisa de você fazer na raça”.

Arthur acompanhou diversos casos de extensões da Operação Lava-Jato, como as operações Calicute e Ponto Final.

Calicute - Descobertas desde o Diário Oficial uruguaio

Em várias delações no início da Operação Lava-Jato surgiu o nome do doleiro Juca Bala. “Era um apelido, codinome de doleiro. Um cara importante, mas que ninguém sabia quem era. Uma fonte do câmbio negro disse que o nome dele é Vinicius Claret”, contou Guimarães.

Em busca no Diário Oficial do Uruguai, o produtor descobriu que o doleiro Juca Bala era dono de uma loja de stand up paddle (SUP ― um surf praticado com remo) em Punta del Este. Arthur tentou encontrá-lo em um evento esportivo no País vizinho que acabou cancelado.

Apesar disso, o doleiro foi localizado no endereço descoberto e foram tentadas abordagens com câmera escondida, sem êxito. “Quando dava a hora do almoço ele saía e deixava na porta um papelzinho sulfite escrito ‘llamame al whatsapp’, e a gente fez imagem dele”, disse Guimarães, que viu nisto uma informação.

Com o número em mãos, o jornalista acabou por encontrar o número na agenda de Maria Lúcia Tavares, que era a secretária do departamento de operações estruturadas da Odebrecht. “A gente foi pra perseguir o doleiro do Cabral, e descobriu que ele era o doleiro da Odebrecht”. 

A lavagem do Lavouras

Guimarães aprofundou também os bastidores da operação Ponto Final, que tratou do escândalo de pagamento de propina a políticos pela Fetranspor, sindicato patronal das empresas de ônibus do Rio de Janeiro, e do sumiço do presidente da entidade, José Carlos Lavouras. “Vazou a operação e ele sumiu. Os donos das empresas de ônibus no Rio são portugueses”, explicou. 

Segundo o jornalista, Lavouras fugiu para Portugal e lá operou um monopólio de ônibus em Matosinhos, no Porto. O Governo brasileiro entrou com pedido de extradição contra o empresário por conta de um sistema de lavagem de dinheiro de offshore triangulado por meio de uma produtora de água mineral na cidade de Carvalhelhos, no extremo norte.

Para o jornalista, o problema de fazer esse tipo de apuração é ser confundido com a polícia. “Ele é um delator, um cara que morre de medo de ser morto. Seguido, acha que você quer matá-lo e não fazer uma pergunta”, finaliza.

Guimarães e Soares reforçaram a possibilidade de crimes similares com sindicatos patronais em outras regiões do Brasil. “Em São Paulo tem a mesma instituição. É só investigar: antes da Lava-Jato a gente não tinha acesso a essas pessoas”, reforçou o produtor.


O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Jornalismo periférico ganha força para além da mídia alternativa

Projetos surgem em cenário em que diversos grupos e movimentos sociais buscam representatividade na sociedade 

Por Micaela Santos 
Edição Géssica Brandino 
Pedro Borges (Alma Preta), Gabi Coelho (Voz das Comunidades) e Nina Weingrill (ÉNois). Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro / OBORÉ



Por denunciar problemas sociais e dialogar diretamente com públicos pouco representados pelos grandes veículos de mídia, o jornalismo periférico tem ganhado cada vez mais força para além da mídia alternativa. Criado em 2005 por Rene Silva, morador do Rio de Janeiro e na época com apenas 11 anos de idade, o jornal Voz das Comunidades ganhou repercussão nacional e internacional após a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas em 2010. 

Repórteres relatam cotidiano de ameaças de grupos bolsonaristas

Para coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa da OAB, muitos desses casos são planejados 

Por Luísa Cortés 
Edição Géssica Brandino 
Constanza Rezende (UOL), Daniela Pinheiro (Revista Época), Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo) e Pierpaolo Bottini (OAB). Foto: Augusto Godoy. 




Se antes os departamentos jurídicos das redações estavam acostumados a lidar com acusações de plágio, pedidos para retirar matérias do ar por falar mal de alguém e ameaças de processo, hoje os caso ali são um tanto diferentes: ameaças por ligações telefônicas e nas redes sociais, divulgação na internet de dados pessoais, como endereço e número de telefone. 

Foi o que aconteceu com as jornalistas Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo) e Constança Rezende (UOL, ex-Estadão), que participaram nesta sexta-feira (28) no 14º Congresso de Jornalismo da Abraji. 

Apuração independente do caso Marielle colabora para imparcialidade das investigações

Jornalistas contam bastidores da cobertura sobre o assassinato da vereadora e desdobramentos do caso após a publicação das matérias 

Por Gabriela Silva de Carvalho e Carlane Borges 
Edição Leandro Melito

“Ninguém imaginava que a 5º maior vereadora negra do Rio de Janeiro iria ultrapassar as fronteiras do Brasil”, afirma Vera Araújo (O Globo) ao falar sobre os bastidores da apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco, hoje (28), no 14º Congresso da Abraji. 

Eleita pelo PSOL, Marielle utilizou seu mandato para denunciar  violações de direitos humanos nas periferias do Rio de Janeiro, além de representar no parlamento carioca a defesa dos direitos da população negra e LGBTQI+.

“Quando o jornalismo noticia, os órgãos de investigação vão atrás”

Fabiano Angélico, da Transparência Internacional, fala sobre a função do jornalismo de dados no combate à corrupção

Por Amanda Stabile e Thalita Monte Santo
Edição Caroline Oliveira

Fabiano Angélico (Transparência Internacional)
Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro
Jair Bolsonaro foi eleito hasteando a bandeira do combate à corrupção. Entretanto, para Fabiano Angélico, consultor sênior do Centro de Conhecimento Anticorrupção, da Transparência Internacional, há um contrassenso, considerando as investidas governamentais contra as políticas de dados públicos. “Houve tentativas, por exemplo, de mudar a Lei de Acesso à Informação”, pontuou.

Em janeiro de 2019, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, no exercício da Presidência, assinou decreto determinando que presidentes de fundações, servidores comissionados e autarquias pudessem decretar sigilo ultrassecreto e secreto para dados públicos. No entanto, a norma foi revogada no mês seguinte, no Congresso Nacional.


A realidade em diferentes formatos

Os jornalistas Vladimir Netto e Daniela Arbex apresentam obras jornalísticas adaptadas para o cinema


Por Gabriela Neves e Natalia de Souza

Daniela Arbex (Tribuna das Minas), Julia Duailibi (GloboNews) e Vladimir Netto (TV Globo)
Foto: Mariana Soares
Para escrever um bom texto jornalístico é preciso ouvir histórias, ouvir pessoas. É o que frisam os jornalistas Vladimir Netto e Daniela Arbex na palestra “Meu livro reportagem foi para tela”.  


Daniela Arbex conta que passou por um longo processo de apuração em seu livro Holocausto Brasileiro - que retrata a violência sofrida por pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, chamado por ela de manicômio. "Logo que tive contato com as fotos das vítimas do hospital, fiquei extremamente impactada. Isso porque conheci as imagens 50 anos após a tragédia ", diz a jornalista.

O conceito de Fake News é utilizado para descredibilizar o jornalismo

Especialistas apontam ameaças à liberdade de imprensa com a banalização do termo

Por Ariadne Mussato
Edição Cristiane Paião


Da esquerda para direita: Laura Tresca (Artigo 19), Rodrigo Rangel (Crusoé), Taís Gasparian (RBMDF Advogados), Natália Leal (Agência Lupa) e Ana Rita Cunha (Aos Fatos).
Foto: Natalia Souza
Existe uma linha tênue entre a possibilidade de controle de fake news e liberdade de imprensa que, para a advogada Taís Gasparian, da RBMDF Advogados, pode gerar um grande problema quanto a judicialização das notícias falsas. Isso porque, para ela, não existe uma definição exata sobre o termo e, quando se trata de imprensa, gera censura.

“Se vocês forem sair daqui com uma recomendação minha, seria: não usem o termo fake news, porque esse conceito tem sido usado por políticos para desacreditar a imprensa, para desacreditar o trabalho do jornalista”, disse a advogada.