Jornalistas sul americanos discutem obstáculos vividos no continente para atuar na área
Por Luana Dias
Edição Germano Assad
O primeiro a falar sobre os Desafios do Jornalismo investigativo na América Latina no congresso da Abraji foi Octavio Enriquez, repórter do jornal nicaraguense La Prensa.
Antes de abrir o slide com a apresentação que havia preparado para o evento, Enriquez alertou: “Estamos em uma situação crítica do ponto de vista dos direitos humanos [na Nicarágua]. Trago uma apresentação com imagens que acredito serem muito fortes”.
As imagens contextualizavam o governo opressivo do presidente Daniel Ortega e de sua esposa Rosario Murillo. Conforme dados de 2018 disponibilizados pelo relatório preliminar da Associação Nicaraguense dos Direitos Humanos (ANPDH), no período de 19 de abril a 25 de julho, foram mortas 448 pessoas pela repressão do governo.
10/07/2019
03/07/2019
Vídeos | Como entrar em contato com grandes histórias | Entrevista com Daniela Arbex
Daniela Arbex, jornalista, escritora e documentarista, falou com a Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro sobre como se dá a relação com as fontes e a construção de grandes histórias. Ela participou do Domingo de Dados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Por Cristiane Paião, Gabriela Neves e Natalia Souza
Edição Augusto Godoy
Por Cristiane Paião, Gabriela Neves e Natalia Souza
Edição Augusto Godoy
Vídeos | Introdução à programação | Entrevista com Cecília do Lago e Rodrigo Menegat
Cecília do Lago e Rodrigo Menegat, jornalistas do Estadão, falaram com a Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro sobre as maneiras mais eficientes de começar a trabalhar com programação e dados. Eles participaram do Domingo de Dados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Por Cristiane Paião
Captação e Edição Augusto Godoy
Por Cristiane Paião
Captação e Edição Augusto Godoy
Vídeos | Podcasts no Brasil: "Caso Evandro", Projeto Humanos | Entrevista com Ivan Mizanzuk
Ivan Mizanzuk, professor, escritor e podcaster, falou com a Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro sobre sua relação com o jornalismo e o desenvolvimento de podcasts no Brasil. Ele participou do Domingo de Dados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Por Weslley Galzo e Cristiane Paião
Edição Augusto Godoy
Por Weslley Galzo e Cristiane Paião
Edição Augusto Godoy
Perfil: Felype Adms Oliveira (Rede Record/ Pará)
Quem é esse cara que
gastou, economizou, se endividou e viajou mais de 2.800 km para estar em um
lugar que para muitos é banal?
Por Vitória Macedo
Edição Cristiane Paião e Gabriela Moreira
| Felype Adms Oliveira fez uma viagem de mais de 20h até o Congresso. Foto: André Catto |
Como todo bom jornalista Felype Adms Oliveira, que trabalha na TV Vitoria, uma afiliada da Rede Record de Vitoria do Xingu, em Altamira no Pará, gosta de contar
histórias. A sua vinda da área mais verde do país é inspiradora diante de
olhares que estão sempre voltados para as selvas de pedras das grandes capitais do eixo sul-sudeste. Frente a frente,
sentados em uma mesa no vão principal do Congresso Internacional de Jornalismo da Abraji, a conversa fluiu com os estudantes da redação-laboratório do Repórter do Futuro em meio aos
aviões que iam e vinham a todo instante sobre os céus da Anhembi Morumbi...
02/07/2019
Homenagem à Miriam Leitão
Documentário exibido na cerimônia de homenagem a Miriam Leitão, realizada no 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo (2019). Outros Olhos Filme.
30/06/2019
7 dicas e um segredo para ser feliz fazendo jornalismo de dados
José Roberto de Toledo ensina como entrar na área.
Por: Géssica Brandino e Giulia Afiune
Se há dez anos, o jornalista sofria com a escassez de informação, o problema hoje é justamente o inverso: lidar com uma imensidão de dados. Se cada byte fosse um litro d’água, em um ano a quantidade de informações produzidas poderia encher o Oceano Pacífico.
A analogia feita pelo jornalista e editor-executivo do site da revista piauí, José Roberto de Toledo, ajuda a entender o desafio encarado por repórteres que trabalham com dados.
"A agulha que a gente procurava com a ajuda de um bloquinho e uma caneta, hoje a gente tem que achar dentro de um palheiro que é cada dia maior”, afirmou.
Para além dos dados: Como transformar estatísticas e documentos em reportagens interessantes
Estadão, G1 e Folha de S. Paulo
revelam bastidores de importantes matérias feitas a partir de dados
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| Thiago Reis, do G1, fala sobre a reportagem de dados “Escravos sem Correntes” . Foto: Alice Vergueiro. |
Por Samara Najjar
Transformar estatísticas e
documentos em histórias de interesse público é um dos maiores desafios do
jornalismo de dados. Para além de traduzir planilhas e convertê-las em textos,
jornalistas também apostam em diferentes recursos para prender a atenção do
leitor e explicar temas importantes de forma mais didática.
A elaboração de um infográfico foi
uma das principais etapas da produção do Basômetro 2.0, do jornal Estadão. O projeto trata-se de
uma ferramenta online que permite medir o governismo de cada partido político
ou deputado entre os anos de 2003 até os dias de hoje. Nele, há registros dos
mais de 844 mil votos dados por 1.811 parlamentares em todas as 2.427 votações
realizadas na Câmara nos últimos 17 anos.
Entrevista: assassinato de jornalistas cria zonas silenciadas na América Latina, diz assessor da Unesco
Guilherme Canela, assessor da Unesco, fala sobre os desafios para o exercício da profissão na região
Por Ana Luisa Zaniboni, Cristiane Paião, Stéfanie Rigamonti e Leandro Melito
Edição: Leandro Melito e Stéfanie Rigamonti
A América Latina é a região do mundo sem um conflito armado aberto com maior número de assassinatos de jornalistas no mundo. Em 2017 foram registrados 22 casos na região - o equivalente a 28% das mortes em todo o mundo. Em 2016 foram 28 casos - 27% do total. As informações são do relatório da Unesco Punir o Crime, Não a Verdade.
“Se eu tivesse que escolher um problema, o primeiro que a gente tem que atacar é que as pessoas parem de matar jornalistas”, afirma Guilherme Canela, Assessor Regional de Comunicação e Informação da Unesco.
Por Ana Luisa Zaniboni, Cristiane Paião, Stéfanie Rigamonti e Leandro Melito
Edição: Leandro Melito e Stéfanie Rigamonti
| Guilherme Canela, assessor da Unesco. Foto: Cristiane Paião. |
“Se eu tivesse que escolher um problema, o primeiro que a gente tem que atacar é que as pessoas parem de matar jornalistas”, afirma Guilherme Canela, Assessor Regional de Comunicação e Informação da Unesco.
Entrevista: Jornalismo comunitário aproxima grande imprensa e academia da realidade periférica
Gabi Coelho transita entre favela e asfalto,
reportando temas caros à periferia
Por Ana Luisa Zaniboni, Germano Assad e
Leandro Melito
Edição: Germano Assad
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| Jornalista Gabi Coelho, em painel no 14º Congresso da Abraji. (Foto: Alice Vergueiro / Abraji) |
Cobrir temas
relevantes e presentes no cotidiano das favelas e periferias Brasil afora
sempre foi um desafio, em especial para a grande imprensa e correspondentes
internacionais baseados no país. Para não incorrer em velhos clichês e preconceitos,
nada como uma visão de dentro, sensível à imensidão do país e suas nuances
regionais.
A imprensa alternativa tem histórico de representatividade no Brasil, mas com o
assassinato de Tim Lopes, em 2002, passou a pautar com mais frequência as mídias de massa. Por um lado pela consolidação de novos coletivos, jornalistas e mídias. E por outro, pela busca dos canais tradicionais por uma cobertura comunitária segura, plural e que vá além do
narcotráfico e da utilidade pública pontual.
Gabi Coelho é
uma destas jornalistas, que tem colocado sua “visão de
mulher negra periférica, jovem” a serviço do diálogo entre a favela e o
asfalto.
Vídeos | Como fazer para que as pessoas voltem a confiar na imprensa?
A Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro fez esta pergunta para alguns dos jornalistas que participaram do primeiro dia do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Estão no vídeo: Rafael Soares, do Jornal Extra; Daniel Bramatti, da Abraji/Estadão; Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo; Guilherme Amado, Revista Época.
Captação de imagem e edição: Mauricio Abbade
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares
Estão no vídeo: Rafael Soares, do Jornal Extra; Daniel Bramatti, da Abraji/Estadão; Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo; Guilherme Amado, Revista Época.
Captação de imagem e edição: Mauricio Abbade
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares
A imprensa na mira dos governos autoritários
Último painel de sábado (29) debate desafios de Brasil, Venezuela e Polônia
Por Carlane Borges, Gabriela Neves, Vitória Macedo e Weslley Galzo
Edição Cristiane Paião
O que Brasil, Venezuela e Polônia têm em comum? Para Marzen Suchan do Grupo Interia.pl da Polônia e Luz Mely Reyes, do Efecto Cocuyo da Venezuela, são países marcados pela polarização e que precisam levantar suas vozes na luta pela democracia.
Para Marzen, o governo de extrema direita da Polônia ataca a mídia e, além disso, aparelhou a chamada "grande" mídia com o auxílio, inclusive, de empresas internacionais.
Por Carlane Borges, Gabriela Neves, Vitória Macedo e Weslley Galzo
Edição Cristiane Paião
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| Foto: Gabriela Neves |
Para Marzen, o governo de extrema direita da Polônia ataca a mídia e, além disso, aparelhou a chamada "grande" mídia com o auxílio, inclusive, de empresas internacionais.
Vídeos | Qual a importância do jornalismo para a democracia?
A Redação Laboratório do Projeto Repórter do Futuro fez esta pergunta para alguns dos jornalistas que participaram do primeiro dia do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo
Neste vídeo falam: Mônica Bergamo - Folha de S. Paulo, Guilherme Amado - Revista Época, Anabela Paiva - CESEC, Adam B. Ellick - The New York Times, Natália Viana - Agência Pública e Daniel Bramatti - Abraji/Estadão.
Captação e edição: Mauricio Abbade
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares
Neste vídeo falam: Mônica Bergamo - Folha de S. Paulo, Guilherme Amado - Revista Época, Anabela Paiva - CESEC, Adam B. Ellick - The New York Times, Natália Viana - Agência Pública e Daniel Bramatti - Abraji/Estadão.
Captação e edição: Mauricio Abbade
Produção: Caroline Oliveira e Mariana Soares
Série realidades: desafios do jornalismo fora dos grandes centros
Jornalistas falam das especificidades das coberturas regionais
Por Gabriela Silva de Carvalho, Matheus Menezes e Thalita Monte Santo
Edição Cristiane Paião
Pedro Sergio Ronco, do Blog do Ronco, ao denunciar desvios de verba da merenda escolar e de combustível na prefeitura de Ribeirão Bonito, interior de São Paulo, sofreu represálias, inclusive ameaça de morte. Seu depoimento no painel sobre a imprensa longe dos grandes centros durante o 14º Congresso da Abraji foi contundente.
Edição Cristiane Paião
| Nayara Felizardo (The Intercept Brasil), Fábio Oliva (Blog do Fábio Oliva/Abraji) e Pedro Sergio Ronco (Blog do Ronco). Foto: Mariana Soares |
Pedro Sergio Ronco, do Blog do Ronco, ao denunciar desvios de verba da merenda escolar e de combustível na prefeitura de Ribeirão Bonito, interior de São Paulo, sofreu represálias, inclusive ameaça de morte. Seu depoimento no painel sobre a imprensa longe dos grandes centros durante o 14º Congresso da Abraji foi contundente.
“Nos deparamos com uma corrupção deslavada. Perguntamos ao prefeito onde ele colocava o combustível, pois não tinha reservatório. Ele disse que abasteciam e distribuíam para outros setores da prefeitura. Ao apurar, nos deparamos com um documento falso que revelava até um desvio na verba de merendas escolares”, relembra Ronco.
29/06/2019
Governo Bolsonaro elege a imprensa como inimiga, afirma diretor da Piauí
Profissionais falam sobre os desafios de cobrir um governo que desqualifica o jornalismo e faz das redes sociais seu canal oficial de informação
Texto: Karine Seimoha
Edição: André Catto e Leandro Melito
Texto: Karine Seimoha
Edição: André Catto e Leandro Melito
O modo como a imprensa noticia a política mudou já em 2017, com a eleição do presidente norte-americano Donald Trump. No Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), não foi diferente. O atual presidente nunca escondeu sua predileção por um ou outro veículo, além de desqualificar os demais.
“Estamos diante de um bicho, mas um bicho diferente. É diferente porque esse governo elege a imprensa séria como um inimigo, e quer desqualificar, destruir a imprensa”, comentou Fernando Barros, diretor de redação da revista Piauí.
Jornalistas latino-americanos criam estratégias de resistência contra pressões governamentais
Profissionais da Venezuela, Guatemala, Colômbia e Uruguai relatam formas de superar crise
Por Luísa Cortés
Edição Géssica Brandino
A crise venezuelana também atingiu o jornalismo. Desde 2014, quando Nicolás Maduro foi eleito, 266 repórteres saíram do país. Frequentemente, sites de notícias são tirados do ar, como é o caso do El Pitazo, que já mudou seu domínio na internet quatro vezes, conta a jornalista Lisseth Boon.
Coordenadora da editoria de investigação do site venezuelano independente Runrunes, ela cita diversos tipos de censura enfrentados no país, principalmente no governo Maduro.
Por Luísa Cortés
Edição Géssica Brandino
| Liseth Boon (Runrunes), Fabián Werner (Sudestada), Adriana Garcia (Orbitalab), Gladys Olmstead (Nómada) e Hugo Mario Cárdenas (El País) - Foto: Mariana Soares |
Coordenadora da editoria de investigação do site venezuelano independente Runrunes, ela cita diversos tipos de censura enfrentados no país, principalmente no governo Maduro.
Quando os jornalistas devem se calar: a ética do off
Para Daniela Lima, parte da função do repórter é respeitar o sigilo da fonte e decidir quando vale ou não publicar uma notícia
Por Emily Santos
Edição Tiago Angelo
Por Emily Santos
Edição Tiago Angelo
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| Thiago Herdy (O Globo/Época/Abraji), Daniela Lima (Folha de S.Paulo). Foto: Emily Santos |
Parte do trabalho do jornalista é construir relações que beneficiem o público por meio de informações relevantes. Mas, para Daniela Lima, editora da coluna “Painel”, do jornal Folha de S.Paulo, às vezes é melhor que o jornalista se cale.
A profissional, que expôs sua experiência na mesa “A ética do off” durante o 14º Congresso da Abraji, defendeu que é importante que o jornalista saiba qual a intenção da fonte por trás da informação passada e consiga discernir quando não deve divulgar o que sabe.
Falta de transparência em dados públicos é desafio para mapeamento de tensões socioambientais no Brasil
Projeto Latentes viabiliza investigação ambiental e acesso a informações georreferenciais para defensores, entidades, pesquisadores e jornalistas
Por Micaela dos Santos e Juliana Fronckowiak Geitens
Edição Cristiane Paião
No Brasil, existem 4.536 áreas em que assentamentos, quilombolas, reservas indígenas e áreas de proteção são vizinhas ou têm intersecção com áreas ativas de exploração mineral. Embora os dados representem o maior mapeamento de tensões socioambientais no país, dimensionar esses conflitos tornou-se um desafio para o Projeto Latentes, que fiscaliza o poder público por meio de dados abertos e da Lei de Acesso à informação.
A dificuldade de obter informações públicas coincide com diversas medidas do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), marcado pelos ataques a jornalistas e ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do forte apoio às demandas da bancada ruralista.
Por Micaela dos Santos e Juliana Fronckowiak Geitens
Edição Cristiane Paião
| Rosiane de Freitas (Livre.jor/Plural). Foto: Mariana Soares |
No Brasil, existem 4.536 áreas em que assentamentos, quilombolas, reservas indígenas e áreas de proteção são vizinhas ou têm intersecção com áreas ativas de exploração mineral. Embora os dados representem o maior mapeamento de tensões socioambientais no país, dimensionar esses conflitos tornou-se um desafio para o Projeto Latentes, que fiscaliza o poder público por meio de dados abertos e da Lei de Acesso à informação.
A dificuldade de obter informações públicas coincide com diversas medidas do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), marcado pelos ataques a jornalistas e ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além do forte apoio às demandas da bancada ruralista.
Autor de livro banido no Brasil fala sobre corrupção privada e escândalo da FIFA
Jornalista reforça importância de transparência dentro dos clubes para que novos casos não ocorram
Por Luana Nunes
No Brasil, a corrupção privada não é considerada crime. O tema foi tratado pelo jornalista Ken Bensinger, autor do livro Red Card, e repórter do BuzzFeed News. No País, os direitos de sua obra foram comprados pela Globo, empresa implicada em denúncias de corrupção tratadas no livro. A empresa embargou a publicação.
A investigação envolve José Maria Marin e Marco Polo Del nero, ex-presidentes da CBF. O primeiro foi condenado a quatro anos de prisão após o caso ser revelado. O segundo ainda vive no Brasil para evitar ser preso nos EUA, onde é impedido de exercer qualquer função ligada ao futebol.
Por Luana Nunes
| Ken Bensinger (BuzzFeed News). Foto: Mariana Soares |
No Brasil, a corrupção privada não é considerada crime. O tema foi tratado pelo jornalista Ken Bensinger, autor do livro Red Card, e repórter do BuzzFeed News. No País, os direitos de sua obra foram comprados pela Globo, empresa implicada em denúncias de corrupção tratadas no livro. A empresa embargou a publicação.
A investigação envolve José Maria Marin e Marco Polo Del nero, ex-presidentes da CBF. O primeiro foi condenado a quatro anos de prisão após o caso ser revelado. O segundo ainda vive no Brasil para evitar ser preso nos EUA, onde é impedido de exercer qualquer função ligada ao futebol.
The Intercept está quase se bancando, afirma editor
Com Vaza Jato em evidência, número de assinantes do site aumentou significativamente
Por Ariádne Mussato e Beatriz Santoro
Edição Cristiane Paião e Leandro Melito
Edição Cristiane Paião e Leandro Melito
| Andrei Netto (Headline), Pedro Doria (Meio), Luiza Bodenmüller (Aos Fatos). Foto: Augusto Godoy |
Desde o começo do ano, o site conta com assinaturas recorrentes, arrecadando hoje mais de R$ 260 mil reais por mês somente com seus mais de 9 mil leitores assinantes. A série de publicações da Vaza Jato colocou o The Intercept em evidência, o que colaborou com o aumento das doações. No dia 11 de junho, o montante arrecadado por mês era de 92 mil reais, um aumento de quase três vezes mais.
Setor de tecnologia deve ser pautado como estrutura de poder
Jornalistas destacam necessidade de abordagem crítica na cobertura do tema
Por Géssica Brandino e Stéfanie RigamontiHá cinco anos, as maiores empresas mundiais eram ligadas ao petróleo. Hoje, esse lugar é ocupado pelo setor de tecnologia, com Amazon, Apple, Google, Microsoft e Samsung como as marcas mais valiosas, segundo a Brand Finance. O Facebook aparece em 7º lugar. Justamente por isso, esse ecossistema deve receber uma cobertura crítica dos jornalistas.
Por Géssica Brandino e Stéfanie RigamontiHá cinco anos, as maiores empresas mundiais eram ligadas ao petróleo. Hoje, esse lugar é ocupado pelo setor de tecnologia, com Amazon, Apple, Google, Microsoft e Samsung como as marcas mais valiosas, segundo a Brand Finance. O Facebook aparece em 7º lugar. Justamente por isso, esse ecossistema deve receber uma cobertura crítica dos jornalistas.
Qualidade técnica das publicações não pode ficar à mercê das estatísticas
Para jornalistas, relevância da reportagem é essencial para o leitor
Por Carlane Borges
Edição Tiago Ângelo
O uso de métricas não é uma novidade no jornalismo. Antigamente, por exemplo, haviam pesquisas por telefone para saber o que as pessoas estavam lendo. Hoje, com a revolução digital, os meios de comunicação se aproximam mais das métricas digitais.
No jornalismo, o uso dessa ferramenta ainda se restringe muito à estatísticas de audiência, sem considerar como essa produção reverbera para o público. No entanto, para Pedro Burgos, do Impacto.jor, o jornal não deveria apenas avaliar o número de clicks, mas a relevância da reportagem para o leitor. “Quando as missões são claras, as métricas são muito mais assertivas”, diz.
Por Carlane Borges
Edição Tiago Ângelo
| João Gabriel de Lima (Estadão). Foto: Augusto Godoy |
No jornalismo, o uso dessa ferramenta ainda se restringe muito à estatísticas de audiência, sem considerar como essa produção reverbera para o público. No entanto, para Pedro Burgos, do Impacto.jor, o jornal não deveria apenas avaliar o número de clicks, mas a relevância da reportagem para o leitor. “Quando as missões são claras, as métricas são muito mais assertivas”, diz.
Livros relatam os erros e as consequências do caso Escola Base
25 anos depois, filho do casal acusado injustamente revela o seu lado da história
Por Amanda Stabile e Joyce Moura
Edição Ronald Sclavi
Por Amanda Stabile e Joyce Moura
Edição Ronald Sclavi
| Ricardo Shimada (filho do casal do caso Escola Base), e Emílio Coutinho, autores dos livros apresentados no painel. Foto: Augusto Godoy. |
A meta de Ricardo Shimada é
colocar um exemplar do livro que acaba de escrever em cada universidade do
Brasil, para que todos conheçam as consequências do caso que ficou conhecido como
"Escola Base" e não repitam os mesmos erros. “A imprensa estava muito
ansiosa por dar o furo. É melhor retardar a vitória do que profanar seu valor”,
destaca.
"Atrás
de uma notícia sempre tem uma pessoa”, é o que alerta Shimada, filho de
Icushiro e Maria Aparecida Shimada, donos da Escola Infantil Base e vítimas de um dos maiores erros jornalísticos cometidos pela imprensa brasileira.
A era dos extremos: o leitor quer ponderação ou ativismo?
A necessidade de diferenciar militância do jornalismo profissional
Por Gabriela Neves e Weslley Galzo
Edição Tiago Angelo
Entre os palestrantes convidados para cobrir o painel surgiu de forma urgente e unânime, logo no início, a necessidade de debater o chamado jornalismo militante e sobretudo diferenciá-lo do jornalismo profissional.“Quando a gente fala de jornalismo militante eu não sei se é jornalismo... jornalismo profissional é outra coisa”, disse Fernando Rodrigues, diretor de redação do Poder 360.
A pertinência do assunto atraiu muitos espectadores e fez com que a sala ficasse lotada. Com a plateia instigada pela discussão, ao dar espaço para as perguntas, Nayara Felizardo, repórter do Intercept Brasil na região Norte e Nordeste, fez uma pergunta que arrancou aplausos da plateia. “Se uma pessoa é machista, homofóbica e misógina, dar nome a essas características verdadeiras é ser militante?”, questiona.
Por Gabriela Neves e Weslley Galzo
Edição Tiago Angelo
| Da esquerda para a direita Carla Jimenez (El País Brasil), Paula Miraglia (Nexo), Daniela Pinheiro (Época) e Fernando Rodrigues (Poder360) - Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro |
A pertinência do assunto atraiu muitos espectadores e fez com que a sala ficasse lotada. Com a plateia instigada pela discussão, ao dar espaço para as perguntas, Nayara Felizardo, repórter do Intercept Brasil na região Norte e Nordeste, fez uma pergunta que arrancou aplausos da plateia. “Se uma pessoa é machista, homofóbica e misógina, dar nome a essas características verdadeiras é ser militante?”, questiona.
Confira dicas para começar um podcast
Juliana Walluer do podcast Mamilos, Filipe Figueiredo do Xadrez Verbal e Ivan Mizanzuk do Anticast dão dicas de como produzir um podcast com conteúdo diversificado
Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Definir o formato, a frequência, quem irá apresentar o podcast, qual o assunto e porque ele mobiliza, são as questões a serem respondidas para oferecer um projeto de podcast a possíveis financiadores. Essa é a opinião de Juliana Walluer que produz o podcast Mamilos. Confira no áudio e no vídeo abaixo dicas de como começar a produzir um podcast.
Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Edição Leandro Melito
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| Juliana Wallauer (Mamilos Podcast). Foto: Alice Vergueiro. |
Cobertura das Forças Armadas: um novo desafio para o jornalismo
Assim como os militares estão aprendendo a lidar com os repórteres, os jornalistas também estão aprendendo a lidar com a categoria
Repórter: Luana Dias
Editor: André Catto e Cristiane Paião
Para Igor Gielow, da Folha de S. Paulo se político é “que nem bife, quanto mais você bate, mais macio ele fica”, militares não funcionam da mesma forma. A expressão "bater", no jornalismo, tem significado parecido com o de criticar, denunciar, abordar ou noticiar de forma mais enfática ou agressiva. “Se você bate muito em um militar, ou ele vai bater de volta ou simplesmente você perdeu o cara”, destaca Gielow. Segundo ele, aqui no Brasil, os dois lados ainda estão aprendendo a lidar com a chamada cultura democrática. “É um processo que ainda vai demorar para fechar”, conclui.
| Marcelo Godoy (Estadão) e Igor Gielow (Folha de S. Paulo) - Foto: Ariadne Mussato |
Repórter do BuzzFeed revela rede de corrupção entre chefes de governo
Traçando uma rede de conexões, Ken Bensinger foi capaz de ligar o envolvimento de Chuck Blazer, Vladimir Putin e Donald Trump
Por Matheus Menezes
Edição: Leandro Melito
“Como um jornalista, você quer aquilo que é secreto, que as pessoas não sabem”. Seguindo essa lógica, Ken Bensinger, repórter do BuzzFeedNews se embrenhou em uma floresta armado apenas de uma caneta - a proteção do jornalista - para encontrar um personagem que lhe garantiria um grande furo de reportagem. “Você sabia que o presidente dos Estados Unidos é um espião russo?”, sussurra a fonte anônima.
Por Matheus Menezes
Edição: Leandro Melito
| Ken Bensinger (BuzzFeed News) - Foto: Ariadne Mussato |
Podcasts: crescimento faz plataformas de streaming buscarem parcerias para conteúdo
Produtores falam sobre as possibilidades e caminhos a serem explorados para o formato
Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Edição Leandro Melito
Desde 2017, as plataformas de streaming, como o Spotify e o Deezer, começaram a disponibilizar podcasts. E, assim como o aumento de ouvintes, consequentemente, essas redes vêm procurando cada vez mais parcerias. “Todo dia o Spotify disponibiliza 30 podcasts novos”, ressalta Juliana Wallauer, que produz o podcast Mamilos.
Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Edição Leandro Melito
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| Rodrigo Vizeu (Folha de S. Paulo / Podcast Café da Manhã), Juliana Wallauer (Mamilos Podcast) e Filipe Figueiredo (Podcast Xadrez Verbal). Foto: Alice Vergueiro. |
Programa Tim Lopes: investigação aponta que morte de radialista foi encomendada por R$ 5 mil
Após denúncias contra a administração local, Jefferson Pureza foi assassinado em Edealina-GO
Por Luana Nunes e Thalita Monte Santo
Edição: Caroline Oliveira e Cristiane Paião
17 de janeiro de 2018. Jefferson Pureza, 39 anos, estava deitado na varanda de casa quando foi morto com dois tiros. Dois homens chegaram em uma moto, e já entraram atirando.
No caso que aconteceu em Edealina, Goiás, o radialista foi morto dentro de casa. Foi socorrido, mas morreu no local.
Ele trabalhava em uma rádio comunitária, A voz do povo, que inclusive já havia sofrido incêndios e outros ataques. O motivo? Denúncias contra a administração local.
Por Luana Nunes e Thalita Monte Santo
Edição: Caroline Oliveira e Cristiane Paião
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| Angelina Nunes (ESPM/Abraji). Foto: Alice Vergueiro |
Ele trabalhava em uma rádio comunitária, A voz do povo, que inclusive já havia sofrido incêndios e outros ataques. O motivo? Denúncias contra a administração local.
Consórcio de jornalistas expõe fraudes no setor da saúde
Fruto de jornalismo colaborativo, investigação reuniu 250 repórteres baseados em 36 países
Por Juliana Fronckowiak
Edição Tiago Angelo
Não satisfeitos com os resultados inéditos da colaboração transnacional de jornalistas no caso Panama Papers, maior vazamento de documentos envolvendo paraísos fiscais, o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists) apurou, em 2018, fraudes relacionadas ao mau uso de dispositivos médicos. No Brasil, a Agência Pública e a Revista Piauí participaram da investigação, batizada de The Implant Files.
Por Juliana Fronckowiak
Edição Tiago Angelo
| Guilherme Amado (Abraji), Allan de Abreu (revista piauí) e Anna Beatriz Anjos (Agência Pública). Foto: Ariadne Mussato. |
Jornalismo sem fins lucrativos: o que a experiência dos EUA pode ensinar?
Para Rosental Calmon, o modelo veio para preencher o vazio existente na cobertura diária dos grandes veículos
Por Juliana Fronckowiak Geitens
Edição: Leandro Melito e Caroline Oliveira
Talvez Mercedes Sosa tenha se inspirado na geração de jornalistas que nascia quando, em 1989, fez a música ‘Todo Cambia’. Assim como tudo muda, o modelo de negócio que sustentou o jornalismo por décadas mudou.
O jornalista brasileiro Rosental Calmon, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, acompanhou de dentro esse processo nos EUA e acredita que o Brasil pode beber na fonte dessa experiência e mudar profundamente não só um modelo de negócio, mas o produto jornalístico.
Edição: Leandro Melito e Caroline Oliveira
| Rosental Calmon Alves (Centro Knight para o Jornalismo nas Américas). Foto: Augusto Godoy |
Talvez Mercedes Sosa tenha se inspirado na geração de jornalistas que nascia quando, em 1989, fez a música ‘Todo Cambia’. Assim como tudo muda, o modelo de negócio que sustentou o jornalismo por décadas mudou.
O jornalista brasileiro Rosental Calmon, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, acompanhou de dentro esse processo nos EUA e acredita que o Brasil pode beber na fonte dessa experiência e mudar profundamente não só um modelo de negócio, mas o produto jornalístico.
Projeto de jornalismo independente identifica e mapeia crimes de ódio nos Estados Unidos
Documenting Hate expõe casos de intolerância após eleição de Trump nos EUA
Texto: Karine Seimoha
Edição: Samara Najjar
| Rachel Glickhouse (ProPública) e Thais Nunes (SBT). Foto: Ariadne Mussato |
Depois de perceber um aumento significativo nos casos de violência por intolerância, tanto real quanto virtual, nos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump, em 2017, a agência ProPublica iniciou um trabalho pautado no interesse público, cujo objetivo é mapear os casos de violência motivada intolerância no país.
28/06/2019
Do excêntrico ao real: bastidores das notícias além da Lava-Jato
Jornalistas da TV Globo detalham bastidores das matérias que produziram
Por João Vitor Reis
Uma doação controversa de missionários evangélicos. Um número de whatsapp na porta de uma loja de stand up paddle fechada em Punta del Este. Lavagem de dinheiro através de fábrica de água mineral.
Essas foram algumas das situações relatadas pelos jornalistas Arthur Guimarães, acompanhado de Paulo Renato Soares, ambos da TV Globo, resultado de reportagens exibidas nos telejornais da emissora, na cobertura da operação Lava-jato.
“A gente ficou a frente da Lava-Jato. Não dependemos de fonte, fizemos nossa investigação, com nossas microcâmeras, nossos levantamentos societários, porque para eles (a força-tarefa da Lava-Jato) é muito fácil: tem um computador que basta apertar um botão e aparece tudo”, detalhou Arthur Guimarães, que é o produtor responsável na cobertura das reportagens da operação Lava-jato. “É uma coisa de você fazer na raça”.
Arthur acompanhou diversos casos de extensões da Operação Lava-Jato, como as operações Calicute e Ponto Final.
Calicute - Descobertas desde o Diário Oficial uruguaio
Em várias delações no início da Operação Lava-Jato surgiu o nome do doleiro Juca Bala. “Era um apelido, codinome de doleiro. Um cara importante, mas que ninguém sabia quem era. Uma fonte do câmbio negro disse que o nome dele é Vinicius Claret”, contou Guimarães.
Em busca no Diário Oficial do Uruguai, o produtor descobriu que o doleiro Juca Bala era dono de uma loja de stand up paddle (SUP ― um surf praticado com remo) em Punta del Este. Arthur tentou encontrá-lo em um evento esportivo no País vizinho que acabou cancelado.
Apesar disso, o doleiro foi localizado no endereço descoberto e foram tentadas abordagens com câmera escondida, sem êxito. “Quando dava a hora do almoço ele saía e deixava na porta um papelzinho sulfite escrito ‘llamame al whatsapp’, e a gente fez imagem dele”, disse Guimarães, que viu nisto uma informação.
Com o número em mãos, o jornalista acabou por encontrar o número na agenda de Maria Lúcia Tavares, que era a secretária do departamento de operações estruturadas da Odebrecht. “A gente foi pra perseguir o doleiro do Cabral, e descobriu que ele era o doleiro da Odebrecht”.
A lavagem do Lavouras
Guimarães aprofundou também os bastidores da operação Ponto Final, que tratou do escândalo de pagamento de propina a políticos pela Fetranspor, sindicato patronal das empresas de ônibus do Rio de Janeiro, e do sumiço do presidente da entidade, José Carlos Lavouras. “Vazou a operação e ele sumiu. Os donos das empresas de ônibus no Rio são portugueses”, explicou.
Segundo o jornalista, Lavouras fugiu para Portugal e lá operou um monopólio de ônibus em Matosinhos, no Porto. O Governo brasileiro entrou com pedido de extradição contra o empresário por conta de um sistema de lavagem de dinheiro de offshore triangulado por meio de uma produtora de água mineral na cidade de Carvalhelhos, no extremo norte.
Para o jornalista, o problema de fazer esse tipo de apuração é ser confundido com a polícia. “Ele é um delator, um cara que morre de medo de ser morto. Seguido, acha que você quer matá-lo e não fazer uma pergunta”, finaliza.
Guimarães e Soares reforçaram a possibilidade de crimes similares com sindicatos patronais em outras regiões do Brasil. “Em São Paulo tem a mesma instituição. É só investigar: antes da Lava-Jato a gente não tinha acesso a essas pessoas”, reforçou o produtor.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
Por João Vitor Reis
| Arthur Guimarães (TV Globo) e Paulo Renato Soares (TV Globo). Foto: Mariana Soares |
Uma doação controversa de missionários evangélicos. Um número de whatsapp na porta de uma loja de stand up paddle fechada em Punta del Este. Lavagem de dinheiro através de fábrica de água mineral.
Essas foram algumas das situações relatadas pelos jornalistas Arthur Guimarães, acompanhado de Paulo Renato Soares, ambos da TV Globo, resultado de reportagens exibidas nos telejornais da emissora, na cobertura da operação Lava-jato.
“A gente ficou a frente da Lava-Jato. Não dependemos de fonte, fizemos nossa investigação, com nossas microcâmeras, nossos levantamentos societários, porque para eles (a força-tarefa da Lava-Jato) é muito fácil: tem um computador que basta apertar um botão e aparece tudo”, detalhou Arthur Guimarães, que é o produtor responsável na cobertura das reportagens da operação Lava-jato. “É uma coisa de você fazer na raça”.
Arthur acompanhou diversos casos de extensões da Operação Lava-Jato, como as operações Calicute e Ponto Final.
Calicute - Descobertas desde o Diário Oficial uruguaio
Em várias delações no início da Operação Lava-Jato surgiu o nome do doleiro Juca Bala. “Era um apelido, codinome de doleiro. Um cara importante, mas que ninguém sabia quem era. Uma fonte do câmbio negro disse que o nome dele é Vinicius Claret”, contou Guimarães.
Em busca no Diário Oficial do Uruguai, o produtor descobriu que o doleiro Juca Bala era dono de uma loja de stand up paddle (SUP ― um surf praticado com remo) em Punta del Este. Arthur tentou encontrá-lo em um evento esportivo no País vizinho que acabou cancelado.
Apesar disso, o doleiro foi localizado no endereço descoberto e foram tentadas abordagens com câmera escondida, sem êxito. “Quando dava a hora do almoço ele saía e deixava na porta um papelzinho sulfite escrito ‘llamame al whatsapp’, e a gente fez imagem dele”, disse Guimarães, que viu nisto uma informação.
Com o número em mãos, o jornalista acabou por encontrar o número na agenda de Maria Lúcia Tavares, que era a secretária do departamento de operações estruturadas da Odebrecht. “A gente foi pra perseguir o doleiro do Cabral, e descobriu que ele era o doleiro da Odebrecht”.
A lavagem do Lavouras
Guimarães aprofundou também os bastidores da operação Ponto Final, que tratou do escândalo de pagamento de propina a políticos pela Fetranspor, sindicato patronal das empresas de ônibus do Rio de Janeiro, e do sumiço do presidente da entidade, José Carlos Lavouras. “Vazou a operação e ele sumiu. Os donos das empresas de ônibus no Rio são portugueses”, explicou.
Segundo o jornalista, Lavouras fugiu para Portugal e lá operou um monopólio de ônibus em Matosinhos, no Porto. O Governo brasileiro entrou com pedido de extradição contra o empresário por conta de um sistema de lavagem de dinheiro de offshore triangulado por meio de uma produtora de água mineral na cidade de Carvalhelhos, no extremo norte.
Para o jornalista, o problema de fazer esse tipo de apuração é ser confundido com a polícia. “Ele é um delator, um cara que morre de medo de ser morto. Seguido, acha que você quer matá-lo e não fazer uma pergunta”, finaliza.
Guimarães e Soares reforçaram a possibilidade de crimes similares com sindicatos patronais em outras regiões do Brasil. “Em São Paulo tem a mesma instituição. É só investigar: antes da Lava-Jato a gente não tinha acesso a essas pessoas”, reforçou o produtor.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
Jornalismo periférico ganha força para além da mídia alternativa
Projetos surgem em cenário em que diversos grupos e movimentos sociais buscam representatividade na sociedade
Por Micaela Santos
Edição Géssica Brandino
Por denunciar problemas sociais e dialogar diretamente com públicos pouco representados pelos grandes veículos de mídia, o jornalismo periférico tem ganhado cada vez mais força para além da mídia alternativa. Criado em 2005 por Rene Silva, morador do Rio de Janeiro e na época com apenas 11 anos de idade, o jornal Voz das Comunidades ganhou repercussão nacional e internacional após a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas em 2010.
Por Micaela Santos
Edição Géssica Brandino
| Pedro Borges (Alma Preta), Gabi Coelho (Voz das Comunidades) e Nina Weingrill (ÉNois). Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro / OBORÉ |
Por denunciar problemas sociais e dialogar diretamente com públicos pouco representados pelos grandes veículos de mídia, o jornalismo periférico tem ganhado cada vez mais força para além da mídia alternativa. Criado em 2005 por Rene Silva, morador do Rio de Janeiro e na época com apenas 11 anos de idade, o jornal Voz das Comunidades ganhou repercussão nacional e internacional após a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas em 2010.
Repórteres relatam cotidiano de ameaças de grupos bolsonaristas
Para coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa da OAB, muitos desses casos são planejados
Por Luísa Cortés
Edição Géssica Brandino
Se antes os departamentos jurídicos das redações estavam acostumados a lidar com acusações de plágio, pedidos para retirar matérias do ar por falar mal de alguém e ameaças de processo, hoje os caso ali são um tanto diferentes: ameaças por ligações telefônicas e nas redes sociais, divulgação na internet de dados pessoais, como endereço e número de telefone.
Foi o que aconteceu com as jornalistas Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo) e Constança Rezende (UOL, ex-Estadão), que participaram nesta sexta-feira (28) no 14º Congresso de Jornalismo da Abraji.
Por Luísa Cortés
Edição Géssica Brandino
| Constanza Rezende (UOL), Daniela Pinheiro (Revista Época), Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo) e Pierpaolo Bottini (OAB). Foto: Augusto Godoy. |
Se antes os departamentos jurídicos das redações estavam acostumados a lidar com acusações de plágio, pedidos para retirar matérias do ar por falar mal de alguém e ameaças de processo, hoje os caso ali são um tanto diferentes: ameaças por ligações telefônicas e nas redes sociais, divulgação na internet de dados pessoais, como endereço e número de telefone.
Foi o que aconteceu com as jornalistas Patrícia Campos Mello (Folha de S. Paulo) e Constança Rezende (UOL, ex-Estadão), que participaram nesta sexta-feira (28) no 14º Congresso de Jornalismo da Abraji.
Apuração independente do caso Marielle colabora para imparcialidade das investigações
Jornalistas contam bastidores da cobertura sobre o assassinato da vereadora e desdobramentos do caso após a publicação das matérias
Por Gabriela Silva de Carvalho e Carlane Borges
Edição Leandro Melito
“Ninguém imaginava que a 5º maior vereadora negra do Rio de Janeiro iria ultrapassar as fronteiras do Brasil”, afirma Vera Araújo (O Globo) ao falar sobre os bastidores da apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco, hoje (28), no 14º Congresso da Abraji.
Eleita pelo PSOL, Marielle utilizou seu mandato para denunciar violações de direitos humanos nas periferias do Rio de Janeiro, além de representar no parlamento carioca a defesa dos direitos da população negra e LGBTQI+.
Por Gabriela Silva de Carvalho e Carlane Borges
Edição Leandro Melito
“Ninguém imaginava que a 5º maior vereadora negra do Rio de Janeiro iria ultrapassar as fronteiras do Brasil”, afirma Vera Araújo (O Globo) ao falar sobre os bastidores da apuração do assassinato da vereadora Marielle Franco, hoje (28), no 14º Congresso da Abraji.
Eleita pelo PSOL, Marielle utilizou seu mandato para denunciar violações de direitos humanos nas periferias do Rio de Janeiro, além de representar no parlamento carioca a defesa dos direitos da população negra e LGBTQI+.
“Quando o jornalismo noticia, os órgãos de investigação vão atrás”
Fabiano Angélico, da Transparência Internacional, fala sobre a função do jornalismo de dados no combate à corrupção
Por Amanda Stabile e Thalita Monte Santo
Edição Caroline Oliveira
Jair Bolsonaro foi eleito hasteando a bandeira do combate à corrupção. Entretanto, para Fabiano Angélico, consultor sênior do Centro de Conhecimento Anticorrupção, da Transparência Internacional, há um contrassenso, considerando as investidas governamentais contra as políticas de dados públicos. “Houve tentativas, por exemplo, de mudar a Lei de Acesso à Informação”, pontuou.
Em janeiro de 2019, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, no exercício da Presidência, assinou decreto determinando que presidentes de fundações, servidores comissionados e autarquias pudessem decretar sigilo ultrassecreto e secreto para dados públicos. No entanto, a norma foi revogada no mês seguinte, no Congresso Nacional.
Por Amanda Stabile e Thalita Monte Santo
Edição Caroline Oliveira
| Fabiano Angélico (Transparência Internacional) Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro |
Em janeiro de 2019, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, no exercício da Presidência, assinou decreto determinando que presidentes de fundações, servidores comissionados e autarquias pudessem decretar sigilo ultrassecreto e secreto para dados públicos. No entanto, a norma foi revogada no mês seguinte, no Congresso Nacional.
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