Por Pâmela Ellen
O Brasil tem uma imagem
construída no exterior com base no carnaval, futebol, mulheres bonitas, praia e
verão. É o que expôs o fundador da plataforma online Plus55, Gustavo Ribeiro,
durante a mesa “Pra Inglês ver: cobertura do Brasil para estrangeiros”, que
contou também com a repórter de política da Thomson Reuters, Lisandra
Paraguassu. No painel, eles discutiram sobre as dificuldades que jornalistas
brasileiros encontram ao reportar as notícias sobre o Brasil paras estrangeiros.
Para desenvolver as matérias
do Plus55, a equipe mapeia quais os temas mais pesquisados sobre o país. “A
bunda da mulher brasileira”, segundo ele, já esteve entre os mais procurados do
dia. “O brasileiro é hipersexualizado no exterior. O problema existe porque ajudamos
a construir esses estereótipos e os reforçamos durante muito tempo em nossa
publicidade sobre o país”, afirmou.
Para Paraguassu, repórter da
Reuters, a imagem propagada pelo país vem mudando desde 2000, a partir de nova
abordagem feita pela publicidade: “ao invés de utilizar mulheres de biquíni e
as festas de carnaval como chamativo, as empresas passaram a disseminar fotos
dos lugares e seus atrativos turísticos”. Ela acredita, no entanto, que o
próprio brasileiro ainda se orgulha dessa imagem, de ser o país do futebol,
carnaval e mulheres bonitas.
Um dos exemplos foi a cobertura do surto do
zika vírus no país. Mostrar para o mundo o trabalho dos pesquisadores
brasileiros, era o maior desafio: “Foi necessário mostrar que nós também somos
um país capaz de desenvolver pesquisas”.
É consenso entre os dois
palestrantes que existem duas categorias de leitores estrangeiros: os que tem
interesse econômico no país, com o intuito de investir no mercado brasileiro e,
por esse motivo, querem saber tudo o que está acontecendo na política e
economia, e aqueles os que só se interessam pelas “desgraças”.
Explicar para diferentes
públicos a estrutura social do Brasil, segundo eles, é complexo. A repórter da
Reuters explica que “o sistema político da América do Sul é totalmente
diferente das outras regiões, as leis são diferentes, o judiciário, a cultura,
tudo”. Ainda existe a imprevisibilidade. Como Ribeiro conta, “não tem como dar
certeza sobre um caminho que a economia ou a política irá seguir, há
reviravoltas a todo instante”.
A instabilidade política e
economia do país, faz com que quem está de fora não entenda como o país ainda
sobrevive. Para esclarecer o complexo cenário do país, segundo Paraguassu, “é
preciso ver tudo com o olhar do estrangeiro, esclarecer as dúvidas e apresentar
fatos concretos”.
O 12º Congresso Internacional de
Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi
Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism
Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter
e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos
Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas,
Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the
Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde
sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do
Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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