Por Gabriela Silva de Carvalho, Luísa Cortés e Tchérena Monteiro
Edição Leandro Melito
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| Rodrigo Vizeu (Folha de S. Paulo / Podcast Café da Manhã), Juliana Wallauer (Mamilos Podcast) e Filipe Figueiredo (Podcast Xadrez Verbal). Foto: Alice Vergueiro. |
Foi assim que a Eleição na Chapa, podcast da Folha de S.Paulo, nasceu. “Surgiu quando estava rolando o [podcast] Presidente da Semana. Eles [Spotify] propuseram um podcast sobre eleição e foi quando eu fui fazer esse podcast diário que durou seis semanas. E deu certo, eles gostaram”, explica Rodrigo Vizeu, produtor do Café da Manhã.
O interesse e procura tem caminhado de mãos dadas. Segundo Juliana Wallauer, produtora do podcast Mamilos, há funcionários da empresa de streaming com a meta de alimentar podcasts no Brasil. “Eles não precisam de um podcast de roda de conversa. Querem um olhar interessante e diferente. É melhor ter um piloto, mas não precisa. O importante é pensar no formato, na frequência. Programas com temporadas também são uma possibilidade”, explica Wallauer.
No caso do Café da Manhã, essa parceria permite que a produção seja feita de forma autônoma. “Eles têm um aporte financeiro e querem que a gente entregue o material. Então, temos liberdade editorial”, explica Vizeu.
O surgimento de programas com abordagem política tem ganhado notoriedade e sido uma forma de abrir as portas para o público jovem debater o tema. Segundo Vizeu, o principal desafio é conseguir ser didático, dinâmico e dar o contexto certo aos fatos. “Eu ouvia falar que só quem lia jornalismo político era jornalista e fonte. E estamos rompendo isso”, acrescenta ele.
A possibilidade de ouvir sobre determinado tema enquanto fazemos outras coisas é um dos principais diferenciais do podcast. Além disso, ele apresenta as informações de uma forma simples de ser consumida e proporciona espaço para diferentes pessoas.
“Ninguém daria espaço para um professor de história falar. Então, o podcast dá uma liberdade. Não depende de intervalo ou uma certa publicidade para ir ao ar”, relata Filipe Figueiredo, do Xadrez Verbal.
Os podcasts têm trazido, também, a questão de identidade para o consumo de informação segmentada. “O podcast brasileiro faz o que os grandes não fazem. É criar comunidade de uma forma muito grande e isso tem muito valor”, afirma Juliana Wallauer.
Quando se fala na produção nacional é comum a comparação com os podcasts dos Estados Unidos, onde o meio tem uma infraestrutura melhor e é mais difundido. Para Filipe Figueiredo o acesso a melhores equipamentos e a melhor conexão com a internet que os norte-americanos tem à sua disposição influenciam na maior produção e disseminação desse produto por lá.
“Se você tropeçar na rua, acha um iPhone e se você sentar em uma praça ou em um shopping, tem um Wi-Fi de boa qualidade”, comenta Filipe Figueiredo.
Investimento
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, países pioneiros no formato, os podcasts começaram como variações do rádio em rádios públicas e hoje já têm seu próprio mercado consolidado, com investimento publicitário. No Brasil, a produção ainda depende principalmente de pessoas interessadas em produzir conteúdo por conta própria. Por isso, comparar os dois produtos é tirá-los de um contexto, segundo Juliana Wallauer, do Mamilos.
“É como comparar o samba e o jazz”, diz. Uma qualidade dos podcasts brasileiros é a formação de comunidade que eles proporcionam, o que não acontece no exterior, segundo a produtora de conteúdo.
A fala foi relacionada a uma discussão recente no Twitter, depois de uma postagem do jornalista da Folha de S. Paulo Daigo Oliva. Ele diz que passou uma semana ouvindo apenas podcasts brasileiros e que “a experiência foi insuportável”, que “a maneira como os assuntos são apresentados é precária e amadora”. Sobre o episódio, os podcasters comentaram que o jornalista tem direito a expressar sua opinião, mas reforçaram a impossibilidade de comparar as produções dos dois países.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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