28/06/2019

“Quando o jornalismo noticia, os órgãos de investigação vão atrás”

Fabiano Angélico, da Transparência Internacional, fala sobre a função do jornalismo de dados no combate à corrupção

Por Amanda Stabile e Thalita Monte Santo
Edição Caroline Oliveira

Fabiano Angélico (Transparência Internacional)
Foto: Augusto Godoy / Repórter do Futuro
Jair Bolsonaro foi eleito hasteando a bandeira do combate à corrupção. Entretanto, para Fabiano Angélico, consultor sênior do Centro de Conhecimento Anticorrupção, da Transparência Internacional, há um contrassenso, considerando as investidas governamentais contra as políticas de dados públicos. “Houve tentativas, por exemplo, de mudar a Lei de Acesso à Informação”, pontuou.

Em janeiro de 2019, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, no exercício da Presidência, assinou decreto determinando que presidentes de fundações, servidores comissionados e autarquias pudessem decretar sigilo ultrassecreto e secreto para dados públicos. No entanto, a norma foi revogada no mês seguinte, no Congresso Nacional.




Outra investida recente foi a aprovação pelo Senado, no último dia 26, do relatório do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) do Projeto de Lei da Câmara 27/2017, com a inclusão de artigos que enfraquecem a luta contra a corrupção no País, abrindo espaço para a criminalização de juízes e procuradores. “Isso é péssimo! Mostra que a nossa classe política não aprendeu nada com a Lava Jato, com os impactos da grande corrupção nos últimos anos”, argumenta. 

Investigar a corrupção é uma tarefa árdua. Se, ainda, o procurador for pressionado pelas leis, “o que vai acontecer é uma autocensura”. É necessário encontrar uma sintonia que evite o abuso de autoridade, mas não criminalize as atividades de quem atua no caso.

A importância do jornalismo no combate à corrupção, Angelico pontua que, como gatekeeper, na fiscalização do que é de interesse público, o jornalismo de dados é “absolutamente crucial”, já que a transparência na informação e o acesso aos dados públicos só têm impacto se forem utilizados. “Quando o crime acontece, o Estado não investiga porque as coisas acontecem por debaixo do pano. Quando o jornalismo noticia, os órgãos de investigação vão atrás”, explica.

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