25/06/2016

Conhecer público é essencial para viabilizar jornalismo de qualidade

Por Jeniffer Mendonça


Compreender o comportamento do leitor no meio em que ele está inserido é o que permite aproximar viabilidade econômica e jornalismo de qualidade. "Cada notícia merece uma decisão especial para o formato em que vai ser entregue", pontuou neste sábado (25) a editora-chefe do BuzzFeed Brasil, Manuela Barem, durante o painel "Como conquistar o leitor da geração Milênio?" no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Foto: Alice Vergueiro
Com mediação da jornalista Alana Rizzo, da Revista Época e da Abraji, a mesa reuniu, além de Manuela, Sergio Gwercman, diretor editoral da unidade Estilo de Vida da Editora Abril, e o secretário de redação do jornal Folha de S.Paulo, Vinicius Mota.


Segundo pesquisa do Instituto Reuters de Estudos sobre Jornalismo, 72% dos brasileiros entrevistados utilizam as redes sociais como fontes de notícias. Dentre 26 países, o Brasil é o terceiro no ranking de usuários que pagam por conteúdo jornalístico online (22%). Diante desses dados, os palestrantes ressaltaram a importância do jornalismo com credibilidade, apuração e checagem numa era em que qualquer indivíduo com acesso à internet pode produzir informação.

Por isso, intercalar notícias provenientes das redes e verificar a respectiva autenticidade se tornou uma seção exclusiva (Social News) do BuzzFeed Brasil. O portal é conhecido pelas listas, gifs e vídeos voltados para o humor e cultura pop, mas nos últimos dois meses a versão brasileira tem experimentado maneiras de cobrir "hard news" e aplicá-las em reportagens. "A produção de conteúdo voltado para entretenimento é o que paga as contas do BuzzFeed e é assim que investimos em jornalismo", explicou Manuela.

Gwercman enfatizou que não é possível presumir o leitor do Milênio, mas estar atento às particularidades do público, que se renova a cada geração. "O estágio da vida mostra a maneira como se consome conteúdo", destacou.

Além disso, o jornalista citou O Guia do Estudante e a Superinteressante, veículos da Editora Abril, como exemplos para atingir o público de forma efetiva, por meio da segmentação e especialização em conteúdo. "A ideia de curadoria é cada vez menos uma solução editorial, porque as pessoas já têm isso no 'feed' do Facebook". Expandir as possibilidades de arrecadação de recursos para além das matérias são meios apontados pelo diretor da Estilo de Vida, que cita a Feira do Estudante: "O que era uma publicação em papel virou um evento".

Mota afirmou que o desafio é atingir um público mais maduro. "Quanto mais as pessoas envelhecem, mais pressão sofrem para se informarem e não serem apenas alvos de informação", afirma. Segundo relatório do Pew Research Center, 79% dos usuários norte-americanos do Facebook estão na faixa dos 30 a 49 anos, apenas 3 pontos percentuais a menos que o público entre 18 e 29 anos (82%). Em relação às redes sociais, enfatizou: "Para a produção de notícia de qualidade, é preciso ser remunerado. É desleal absorver conteúdo artesanal e não haver um retorno".

Por fim, o secretário de redação da Folha de S.Paulo ressaltou a necessidade do diálogo intergeracional com os futuros jornalistas. "As organizações jornalísticas precisam pensar nas gerações de profissionais que vêm pela frente, senão a cultura jornalística se perde", concluiu.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.   

Desafio de cobertura olímpica é encontrar pautas originais

Por Erick Noin

Experientes jornalistas em coberturas olímpicas, Dorrit Harazim (O Globo) e Renato Ribeiro (TV Globo) relembraram causos e deram dicas à nova geração de jornalistas presentes no terceiro e último dia do 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Na palestra deste sábado (25), eles contaram suas trajetórias em coberturas olímpicas. Dorrit, ainda pela revista Veja, cobriu o evento de Moscou, na então União Soviética, em 1980, e desde então participou de todas as sete edições seguintes, até a de Pequim, em 2008. 

Já Ribeiro, mais jovem, cobriu todas as edições dos Jogos Olímpicos desde 2000 em Sydney e estará presente na cobertura dos jogos do Rio como diretor-executivo da direção-geral de Jornalismo e Esporte da TV Globo.

Foto: Alice Vergueiro
O trabalho como repórter nos Jogos Olímpicos é cercado de dificuldades e glórias, entre elas a de participar de um fato histórico. Ribeiro lembrou, por exemplo, quando Usain Bolt da Jamaica bateu o recorde mundial dos 100 metros em Pequim.

"Curioso que um ano antes eu cobri o mundial de atletismo, e Bolt ficou em quinto nos 100 metros. E eu lembro de reparar na altura dele (1,95) e me perguntar como ele pode ser velocista?". Em Pequim, "após (Bolt) passar para a final com um tempo assombroso, percebi que estava diante de um fato histórico, que se falaria daquilo por muito e muito tempo".

DESAFIOS DA COBERTURA 

Entre os desafios que os palestrantes destacaram está o grande número de jornalistas presentes em cada evento – superior até ao de atletas – e a dificuldade de encontrar pautas originais. Os dois jornalistas citaram não gostar do tipo de abordagem clichê que destaca a superação do atleta vitorioso ante tantas dificuldades enfrentadas, como a pobreza.

A solução encontrada por ambos está em fugir do óbvio, como ir atrás de atletas representativos da diversidade da delegação olímpica brasileira. Quando o assunto são jovens promessas, Dorrit foi além, incentivando uma abordagem na qual se encontre uma maneira interessante de entrar em suas vidas com relação ao esporte, já que, ainda muito jovem, "eles podem não ter uma vida intelectual e social interessante".

O preparo também é essencial. Em um evento que abrange tantos esportes, é importante ter prioridade dos que se vai cobrir. Acompanhar treinos, estudar as regras e outros tipos de imersão são essenciais, mas não exclusivo do jornalismo nas Olimpíadas. "É da profissão, não apenas da Olimpíada. A profissão faz de nós especialistas em 5 segundos", brincou Dorrit.

COPA DO MUNDO X JOGOS RIO 2016

Dorrit destacou as diferenças entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas a partir do tipo de torcedor presente no evento. Se na copa o torcedor vai para torcer pelo próprio país, as Olimpíadas são frequentadas por amantes de esportes, que vão pelo espetáculo.

Outro diferencial importante entre os dois eventos está na presença das mulheres, diz Ribeiro. Se na Copa do Mundo as mulheres são apenas espectadoras, pela disputa ser exclusivamente masculina, nas Olimpíadas elas têm papel de protagonistas.

Sobre o pessimismo que vem cercando os jogos no Rio a 41 dias de seu início, com a cidade ainda com obras atrasadas e com suspeitas de superfaturamento, além da crise financeira do Estado do Rio de Janeiro, os dois foram enfáticos: apesar das dificuldades, os jogos se tornarão realidade.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji. 


Trabalho analisa atuação de mulheres jornalistas e mostra que elas são menos premiadas

Por Zivalda Alves

Mulheres ainda são minorias nas chefias de redações, são menos premiadas e muitas estão fora do cenário do jornalismo investigativo, embora tenham conquistado o seu espaço no mercado de trabalho jornalístico.

Com o objetivo de interpretar dados sobre investigações jornalísticas, o "III Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo", que aconteceu na manhã deste sábado (25) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, mostrou estudos sobre o tema. 

Foto: Alice Vergueiro
Participaram da apresentação Caroline Ferrari Farah, estudante da Universidade Metodista de São Paulo; Gustavo Panacioni e Paula Melani, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); e Soraya Venegas, professora da  Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro).

Caroline apresentou "As práticas jornalísticas contemporâneas – um olhar feminino". Ela realizou entrevistas semi-estruturadas com três jornalistas da cidade de São Paulo que atuam na área investigativa em diferentes mídias: jornalismo impresso, TV e agência especializada.

A jornalista queria estudar as percepções em relação a questões de gênero e os impactos dos novos métodos de trabalho no jornalismo investigativo e na redação, além da contribuição feminina nessa área. Para Carolinr, existe um olhar feminino mais sensível, a depender da pauta. "A repórter, ao produzir a matéria sobre estupro ou vulnerabilidade contra a mulher, se aproxima mais, ao se colocar no lugar da vítima", refletiu.

A pesquisadora diz que, inicialmente, a sua concepção a respeito do tema era que a maioria dos jornalistas investigativos eram homens, mas sua conclusão foi que o fator gênero não tem influência e sim o interesse pelo seguimento. 

De acordo com Caroline, a mulher no jornalismo investigativo já enfrentou problemas com a chefia, como ter sua capacidade subestimada para determinadas pautas por ser do sexo feminino. No entanto, hoje em dia, segundo as entrevistadas, o cenário melhorou.

Os pesquisadores apontam que a incorporação das novas práticas e métodos de apuração, como uso da tecnologia para cruzamento de dados, impulsionaram o jornalismo investigativo. Também alertam que é uma área de trabalho perigosa. 

Panacioni e Paula apresentaram o estudo "A expertise do jornalismo investigativo e o saber em empreendedorismo: uma análise a partir dos profissionais". De acordo com Paula, entender o jornalismo investigativo é tentar trazer os diferenciais das reportagens do tema para visualizar se utilizam  práticas de empreendedorismo. Seu companheiro de pesquisa, Panacioni mostrou quanto o incentivo financeiro é importante para estabelecer um modelo de negócio. "O empreendedorismo surge quando o jornalista vai gerenciar a pauta", completou.

Soraya comparou os prêmios Barbosa Lima Sobrinho e Tim Lopes, ambos que premiam reportagens investigativas. O trabalho analisou 25 premiações, 14 do Barbosa Lima Sobrinho e 11 do Tim Lopes. Sua pesquisa foi em torno dos critérios desenvolvidos para essa premiações. "Não há uma distinção entre os prêmios, eles atuam na mesma esfera de destaque e reconhecimento", disse, apontando para a falta diversidade dos concursos poderá acabar com eles. "Esse meu objeto de estudo vai morrer". 
A pesquisadora conclui questionando: "será que as boas práticas jornalísticas ficam restritas só aos prêmios? A premiação está sendo conduzida com responsabilidade e com a visão exata do que estão premiando?"



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.




A missão do jornalismo é impactar a sociedade, afirmam Sakamoto e Torturra


Por Phillippe Watanabe 


Impactar a sociedade é ponto central da atividade jornalística. Segundo Bruno Torturra, coordenador do Fluxo, e Leonardo Sakamoto, fundador da Repórter Brasil, para alcançar isso é necessário apostar no trabalho em rede e esquecer o ego e a fama que podem vir com um furo.

Fotos: Alice Vergueiro
Os jornalistas participaram do painel "O non-profit tem futuro no Brasil?", que discutiu modelos de jornalismo sem fins lucrativos na manhã de sábado (25) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A mediação foi da advogada Ana Valéria Araújo, coordenadora-executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

Sakamoto contou os bastidores da denúncia realizada pela Repórter Brasil em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego sobre a atividade análoga à escravidão na Zara, uma das maiores empresas do setor têxtil do mundo, e de como tudo foi pensado para atingir um determinado público e se disseminar pelas redes. "Por que escolhemos compartilhar primeiro com a BBC? Para internacionalizar a denúncia. Por que primeiro com a A Liga? Pela TV, para chegar aos jovens que usam a marca".

Outro exemplo de desapego pela exclusividade foi feito por Torturra. Após reunir uma boa quantidade de imagens sobre mães chilenas que plantam maconha para produzir remédios para os filhos, o Fantástico entrou em contato com ele demonstrando interesse pelo material.

"Se o vídeo fosse muito bem-sucedido no Fluxo, eu teria 20 mil visualizações e o público diria que eu faço um trabalho legal. Preferi que toda a família brasileira visse isso", disse Torturra.

SAÚDE FINANCEIRA

Para causar impacto, as redações precisam ser autossustentáveis. A Repórter Brasil foi fundada como ONG para conseguir pulverização de fontes de renda. Segundo Sakamoto, o financiamento internacional é responsável por cerca de 60% da receita da organização. As principais contribuições vêm da Holanda, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Os recursos estatais nacionais não chegam a 5%.

"Se a gente fosse uma empresa com fins lucrativos, com o que fazemos, seríamos acusados de alguma coisa o tempo todo", disse Sakamoto.

O caso do Fluxo é um pouco diferente. A iniciativa se mantém por doações dos leitores. "Não sou uma empresa com fins lucrativos porque eu não dou lucro mesmo", contou.

Torturra demonstrou preocupação com ofertas de dinheiro de instituições privadas em busca de conteúdo customizado. "É muito perigoso aceitar o dinheiro que está dado a sua frente, podemos virar refém".

Mesmo com as dificuldades de receita enfrentadas dentro do modelo non-profit, as iniciativas do setor se multiplicam. Torturra adiantou que, seguindo esse modelo, alguns de seus amigos estão para relançar a revista Bravo!, encerrada em 2013.

O fundador da Repórter Brasil diz que não tem mais vergonha de ir atrás de financiamento. "Peço dinheiro da mesma forma que dou bom dia", brincou.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

A América Latina como aposta editorial


Por Tiago Aguiar

Desde o ano passado circula a informação de que a China pretende financiar a construção de uma ferrovia que vai do Rio de Janeiro até o litoral peruano. Esse é um dos inúmeros temas que são pautas transnacionais latinas e que podem ser melhor abordados com integração e aprofundamento. A ideia da ferrovia foi um dos exemplos citados na mesa "Cobertura da América Latina: narrativa e investigação", neste sábado (25).

Os palestrantes foram Ana Magalhães, que lançou a revista digital Calle 2, do Brasil, e Carlos Eduardo Huertas, diretor da CONNECTAS, da Colômbia, uma plataforma digital que reúne reportagens investigativas de diversos colaboradores. Ambas as iniciativas possuem a América Latina como objeto temático.

Foto: Alice Vergueiro
O Calle 2 é composto especialmente de textos e reportagens mais profundas e analíticas, de frequência semanal. "A grande imprensa infelizmente foca suas reportagens nos centros de poder político e econômico", contou Ana. Ela frisou a riqueza de pautas que existem no "continente" - o próprio slogan do site é "boas histórias da América Latina", e por isso a revista trata também de dicas de turismo e culturais.

Ana é empreendedora e se dedica exclusivamente ao projeto junto com dois sócios. Atualmente sem fonte de financiamento, os três pretendem lançar um crowdfunding no próximo mês para financiar o projeto. O site está no ar há 7 meses. A equipe acredita em acesso gratuito e também ambiciona produzir parte do conteúdo em espanhol. Para manter a produção de diversas regiões, o site conta com uma rede de colaboradores pagos.

A CONNECTAS foi fundada pelo colombiano Carlos Eduardo Huertas a partir de contatos e experiências de redes que Huertas já participava - como o ICFJ (International Center for Journalists) e o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists). O circuito de conferências e congressos que jornalistas se encontravam fortaleceu essa rede e o impulsionou a criar a plataforma, que possui ainda um "hub" com 155 membros que trabalham em 15 países. Segundo Huertas, é "um espaço para compartilhar cumplicidades jornalísticas".

"O que acontecia na Colômbia tinha cada vez mais relação com temas globais como os Panama Papers", conta o jornalista. Huertas traçou ainda um panorama, desde a década de 1940, sobre o surgimento de uma série de organizações de integração regional como a Unasul e o Mercosul. E conclui que muitas das situações pelos quais o Brasil passa como país, a América Latina passa como região, com paralelos entre eles.

Huertas ainda retomou o argumento de Ana na importância das histórias que estão nos rincões da América Latina. "Não é somente na política, na economia ou no crime organizado que estão as semelhanças", concluiu.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

24/06/2016

Panama Papers: investigação inédita envolveu 370 jornalistas de 76 países

Por Isabella de Luca

O escândalo conhecido como "Panama Papers", que envolveu políticos e personalidades globais relacionadas a contas "offshores" construídas em paraísos fiscais, veio à tona no dia três de abril deste ano. Os jornalistas Fernando Rodrigues, do UOL, José Roberto de Toledo, do jornal O Estado de S.Paulo, peças-chave da publicação do caso no Brasil, e Marina Guevera,  diretora do ICIJ (sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), falaram nesta sexta-feira (24) sobre os bastidores do caso  que envolveu 370 jornalistas de 76 países. A exposição ocorreu no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. 
Fotos: Alice Vergueiro

Nos doze meses que antecederam a publicação simultânea do caso em diversos países, foram analisados mais de onze milhões de documentos. Nada disso seria possível sem o ICIJ, organização americana sem fins lucrativos de auxílio a profissionais da imprensa, que ofereceu suporte financeiro, técnico e de infraestrutura aos colaboradores. A organização também teve papel central em outras investigações jornalísticas, como o caso "SwissLeaks".

A forma inédita como se deu a investigação constituiu um marco no "modus operandi" do jornalismo, afirmou Fernando Rodrigues. "No século XXI, tudo vai ser global. Estamos vendo o que está acontecendo com a Lava Jato. Seria impossível uma única organização jornalística fazer algo grande assim. A colaboração é o único caminho", disse.


Durante um ano, os jornalistas compartilharam documentos e informações em plataformas online desenvolvidas pela organização de jornalistas. "Eu chamo esse espaço de 'sala de terapia', pois não dividimos apenas informações. Às vezes, num caso como o do 'Panama Papers', muitos profissionais podem se sentir isolados ou se questionar se devem publicar algo ou não", confidenciou Marina.

A publicação dos documentos vazados ocorreu de forma simultânea em todas as organizações jornalísticas integrantes da cobertura. No dia três de abril, jornais, revistas e sites de várias partes do mundo revelaram o caso. Para Rodrigues, "o que é impressionante é que havia tantos jornalistas envolvidos e absolutamente nada vazou, houve uma colaboração enorme". 

De acordo com o jornalista, não houve interferência no modo como cada veículo tratou o caso, sendo preservadas as identidades de cada um. "Acho que foi formada uma espécie de padrão para organizações jornalísticas que queiram fazer isso futuramente", afirmou.

REPERCUSSÃO E LEGADO 

O escândalo teve repercussão diferente nos países em que o caso foi publicado, gerando em muitos deles ações concretas. Protestos tomaram as ruas da Islândia e o país iniciou sua própria investigação. No Uruguai, Juan Pedro Damiani, integrante do Comitê de Ética da Fifa, renunciou ao cargo. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama se disse preocupado com a legislação vigente que permite a abertura e operação de "offshores" em paraísos fiscais. Segundo a diretora do ICIJ, foi a primeira vez que a legalidade foi questionada: "As pessoas pararam para pensar e se perguntaram: 'como isso é legal?'".


Rodrigues e Toledo citaram as principais listas de investigação e checagem dos nomes brasileiros com "offshores" no Panamá, sobre as quais se debruçaram no primeiro semestre deste ano. Constam nelas 1.061 deputados e ex-deputados estaduais, trinta mil servidores do executivo federal, todos os citados na Operação Lava Jato, senadores (incluindo suplentes e, em alguns casos, familiares), além de diretores e ex-diretores da Petrobras.

Rodrigues concluiu afirmando que, além de produzir histórias de relevância em muitos países e provocar mudanças na prática jornalística, o "Panama Papers" trouxe uma importante mensagem: "O que ficou é que a Engenharia 'offshore' é claramente um benefício de grupos com grande poder aquisitivo em detrimento dos países". 


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Preocupação com leitor garantirá futuro do jornalismo


Por Phillippe Watanabe

As empresas jornalísticas que se destacam no ambiente virtual garantem ter descoberto pelo menos parte do segredo para manter a produção de conteúdo de qualidade: preocupação com o leitor.

O painel "Abraji Talks" ocorreu no final da tarde desta sexta (24) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A discussão sobre iniciativas jornalísticas no mundo online lotou o auditório da Anhembi Morumbi. Participaram Mariana Castro, sócia da F451 Mídia, Laura Diniz, sócia do portal jurídico JOTA, Leandro Demori, editor do Medium Brasil, e Conrado Corsalette, cofundador do Nexo.

Fotos: Alice Vergueiro
Trabalhar pensando nos leitores, em notícias úteis para o cotidiano, cria vínculos com o público, segundo os palestrantes. Desse modo, antes da crise do modelo de negócio, há a crise do produto, ou seja, da própria matéria jornalística.

A preocupação com o leitor está também na utilização de formas de linguagem familiares aos consumidores de conteúdo. "Um GIF pode ser muito mais competente do que 30 ou 40 linhas de texto", afirmou Corsalette.

Formas de comunicação mais acessíveis aumentam o engajamento dos leitores, uma das principais preocupações de Castro. Ela está entre as responsáveis pelos portais Gizmodo, Risca Faca e Trivela.

Para o cofundador do Nexo, as inovações de narrativa não descartam, contudo, os fundamentos do jornalismo: novidade, precisão, equilíbrio e clareza.

O futuro dos jornalistas é o domínio sobre toda a produção, segundo Corsalette. "Entender o jornalismo como algo feito do começo ao fim, o jornalista-artesão", concluiu.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

"Delações desacompanhadas de provas técnicas podem gerar falsas alegações", diz perito da Lava Jato

Por Erick Noin


O perito criminal do departamento da Polícia Federal de Curitiba e integrante da operação Lava-Jato Fábio Salvador afirmou nesta sexta-feira (24), durante o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, que testemunhos e deleções desacompanhadas de provas técnicas que lhes deem solidez podem gerar erros se baseadas em alegações falsas.  

Foto: Alice Vergueiro
Segundo Salvador, é justamente nessa questão que reside a importância da perícia e da produção de provas através de processos científicos. Sem a produção de provas suficientes, a atribuição de culpa a um acusado fica mais difícil, segundo o policial federal. 

Ele ressaltou que, até o momento, as delações premiadas homologadas na Lava Jato foram confirmadas. "O corpo comprobatório técnico-científico dentro da operação está sustentando as decisões de todo mundo, as investigações e as decisões judiciais".

O perito comandou o painel "Bastidores da Lava-Jato: o uso de tecnologia e desafios da perícia no combate à corrupção", que teve como mediador o repórter da Folha de S.Paulo Rubens Valente.

Formado em geologia, Salvador é apenas um dos "cientistas" que compõe o quadro de peritos na operação. Na equipe há engenheiros, contabilistas e técnicos de informática que, segundo o palestrante, são os mais importantes dentro da operação. Devido à elevada demanda de perícias nessa área, por envolver entre os investigados as maiores empreiteiras do Brasil, com complexo sistema de movimentação e lavagem de dinheiro e grande quantidade de dados gravados em celulares e computadores apreendidos, esses profissionais se tornaram indispensáveis.

O trabalho de perícia também é importante para evitar erros que afetem a confiança na operação e na própria instituição, segundo o perito. Salvador lembrou do caso da cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que foi presa temporariamente por engano ao ser confundida com a esposa do petista devido à falta de apuração de elementos que identificassem a real procurada. "O erro da cunhada de Vaccari virou munição do PT contra a credibilidade da Lava-Jato e da PF", contou.

FUTURO DO COMBATE À CORRUPÇÃO

Salvador lembrou das dificuldades encontradas no início da operação, principalmente com a falta de peritos. "Ninguém sabia o que aconteceria quando tudo começou num posto de gasolina. Se no começo havia uma demanda de realização de 300 perícias com pouca gente, hoje a demanda é de mais de 1.300", revelou.

Quando o assunto é o futuro, ele se diz otimista. Perguntado se o presidente interino, Michel Temer, representa uma ameaça à investigação, ele negou prontamente: "Não, muito pelo contrário". 

O policial federal mostrou confiança no apoio manifestado pelo governo, citando a recente visita do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao prédio da Polícia Federal em Curitiba. O perito também fez questão de frisar repetidas vezes que a condução da Lava Jato é "apartidária".

No entanto, ele demonstrou desconfiança com a desvinculação da Controladoria Geral da União realizada nos primeiros dias do governo Temer, o que pode ameaçar a autoridade do órgão no combate à corrupção. "Estamos inseguros, o momento é complexo".



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

“Quem paga as contas ainda é o papel impresso”, diz editor-executivo da Folha

Por Karina Balan


Os diretores dos três principais jornais brasileiros discutiram nesta sexta-feira (24), no painel "Como investir em reportagem em tempos de crise", os desafios de se fazer bom jornalismo num momento de esvaziamento das redações e de grandes perdas com a receita publicitária. Apesar do momento difícil, João Caminoto, diretor de jornalismo do jornal O Estado de S.Paulo, Sérgio Dávila, diretor-executivo da Folha de S.Paulo e Ascânio Seleme, diretor de redação do jornal O Globo, apostam na combinação entre plataforma digital e histórias exclusivas.

Foto: Alice Vergueiro
"O desafio é continuar sendo relevante, a gente tem que ter gente boa e bem remunerada em abundância, mas não temos. Os problemas dos jornais não estão nas redações, o principal problema é que o anunciante, que pagava metade das contas, foi embora", disse Ascânio Seleme, diretor de redação de O Globo.

 Os jornalistas ressaltaram que a oferta de conteúdo digital é muito grande, o que faz com que a informação seja vista como commodity. Segundo o editor executivo da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, a abundância de informação faz com que os consumidores atuais estejam pouco dispostos a pagar por notícias.

Contudo, as facilidades da rede não diminuíram os custos de se fazer reportagem. "É muito caro produzir o conteúdo que a gente produz; a gente tem que encontrar meios de buscar novos leitores, apostando em mais análise", conta Ascânio. Os profissionais destacam que a produção de reportagens de fôlego exige a dispensa de bons repórteres das redações, e que as apurações nem sempre geram retorno.

A maior parte da receita dos jornais ainda é proveniente do impresso, embora o número de assinaturas online tenha crescido progressivamente. "Existe um fetiche em torno do digital, mas ele ainda é uma promessa, e não uma realidade do ponto de vista financeiro. Quem paga as contas é o papai impresso", avalia Sérgio Dávila

Em meio à fuga dos anunciantes, os jornais apostam em diferentes conteúdos para cada plataforma. João Caminoto, diretor de conteúdo de O Estado de S.Paulo, afirma que o digital abriu novos caminhos para a reportagem, como o jornalismo de dados dados e reportagens multimídia. "A reportagem em profundidade ganhou força. Agora podemos oferecer novos formatos, em vídeo, podcast, realidade virtual", diz. Para ele, algumas reportagens ganham muito mais vida no ambiente digital .

Quanto às projeções para o futuro, eles acreditam que o jornalismo se adaptará aos novos modelos de negócio. "O que vamos ter é um jornal que vai depender mais da circulação", disse Sérgio Dávila. Segundo ele, os portais de notícia ainda têm que competir com o Facebook, Google, Twitter e Instagram. "Imagine um dia nas rede sociais, sem conteúdo produzido pelos jornais. Será que nós, usuários, nos contentaríamos com este conteúdo?", questiona.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

O papel do Judiciário na promoção da liberdade de imprensa

por Tiago Aguiar

O painel "Liberdade de imprensa e expressão no Judiciário", realizado nesta sexta-feira (24), reuniu em conversa a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, e a jornalista Miriam Leitão. O diálogo, realizado em tom informal e permeado por referências literárias, tratou principalmente da atuação da ministra em prol da liberdade de expressão e do histórico de perseguição e censura à imprensa no Brasil.
Fotos: Alive Vergueiro
Para abrir a discussão, Miriam citou a atuação da magistrada em defesa da liberdade de expressão, tanto na proteção a jornalistas como no seu voto a favor do fim da exigência de autorização prévia para a realização de biografias, aprovado por unanimidade no Supremo no ano passado.

A ministra, que irá assumir a presidência da Corte em setembro, começou sua fala tratando da importância da palavra para a liberdade de expressão. "Uma das minhas primeiras lembranças é da mamãe dizer que 'fulano' é um homem de palavra", e citou Cecília Meireles como a grande tradução da força dessa expressão: "Ai, palavras, ai palavras, que estranha potência, a vossa! Todo o sentido da vida principia à vossa porta". "A palavra tem consequências e por isso a liberdade da palavra vem crescendo como forma de libertação do ser humano", concluiu Cármen.

Em seguida, traçou um panorama dos entraves à liberdade de expressão no País entre as décadas de 1920 e 40, destacando o trabalho do jornalista Orestes Barbosa, que foi preso devido a processo de injúria.

Ao comentar a liberdade de imprensa, reafirmou os direitos de informar e de ser informado e citou a ausência de preocupação com esses direitos na história do Brasil. "Hoje a Constituição Brasileira traduz isso especificamente no seu texto e é das liberdades mais enfatizadas em todo o mundo", disse a ministra. Ela defendeu que é impossível a existência da democracia sem a imprensa e citou os vários casos de jornalistas perseguidos, assassinados e violentados como um entrave ao regime democrático.

Miriam a questionou sobre a "censura judicial", referindo-se às ações judiciais movidas contra os jornalistas da Gazeta do Povo, no Paraná. Cármen criticou longamente os processos - citando até Sócrates -  e disse que, além da gravidade da perseguição à imprensa, o caso também distorce o direito à privacidade.

TRANSPARÊNCIA E DEMOCRACIA

Durante a conversa, também foi abordada a transparência do poder judiciário e a crítica dos "vazamentos seletivos", que frequentemente estão sendo utilizados pela imprensa na cobertura da Operação Lava Jato. A magistrada reafirmou o princípio da publicidade do processo, desde que não interfira na eficiência de determinadas investigações: "Não é opção de um juiz, é uma atividade vinculada à lei". E concluiu: "Nos processos, a fase de investigação só é mostrada na hora que já se terminou e já se cumpriu sua finalidade.

Miriam ainda perguntou se estamos vivendo um momento de ganhos ou perdas em relação à democracia. Cármen disse que não há perda, mas sim uma mudança de paradigma cívico. Comentou que a democracia é um regime de formação permanente e reforçou o funcionamento das instituições.

Ao final, a ministra, citando Guimarães Rosa, deu uma mensagem aos presentes: "Sorte é isto: merecer e ter". "Eu acho que nós brasileiros temos a sorte de merecer e podemos ter um Brasil muito melhor que este que nós temos", concluiu.


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