25/06/2016

Trabalho analisa atuação de mulheres jornalistas e mostra que elas são menos premiadas

Por Zivalda Alves

Mulheres ainda são minorias nas chefias de redações, são menos premiadas e muitas estão fora do cenário do jornalismo investigativo, embora tenham conquistado o seu espaço no mercado de trabalho jornalístico.

Com o objetivo de interpretar dados sobre investigações jornalísticas, o "III Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo", que aconteceu na manhã deste sábado (25) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, mostrou estudos sobre o tema. 

Foto: Alice Vergueiro
Participaram da apresentação Caroline Ferrari Farah, estudante da Universidade Metodista de São Paulo; Gustavo Panacioni e Paula Melani, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); e Soraya Venegas, professora da  Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro).

Caroline apresentou "As práticas jornalísticas contemporâneas – um olhar feminino". Ela realizou entrevistas semi-estruturadas com três jornalistas da cidade de São Paulo que atuam na área investigativa em diferentes mídias: jornalismo impresso, TV e agência especializada.

A jornalista queria estudar as percepções em relação a questões de gênero e os impactos dos novos métodos de trabalho no jornalismo investigativo e na redação, além da contribuição feminina nessa área. Para Carolinr, existe um olhar feminino mais sensível, a depender da pauta. "A repórter, ao produzir a matéria sobre estupro ou vulnerabilidade contra a mulher, se aproxima mais, ao se colocar no lugar da vítima", refletiu.

A pesquisadora diz que, inicialmente, a sua concepção a respeito do tema era que a maioria dos jornalistas investigativos eram homens, mas sua conclusão foi que o fator gênero não tem influência e sim o interesse pelo seguimento. 

De acordo com Caroline, a mulher no jornalismo investigativo já enfrentou problemas com a chefia, como ter sua capacidade subestimada para determinadas pautas por ser do sexo feminino. No entanto, hoje em dia, segundo as entrevistadas, o cenário melhorou.

Os pesquisadores apontam que a incorporação das novas práticas e métodos de apuração, como uso da tecnologia para cruzamento de dados, impulsionaram o jornalismo investigativo. Também alertam que é uma área de trabalho perigosa. 

Panacioni e Paula apresentaram o estudo "A expertise do jornalismo investigativo e o saber em empreendedorismo: uma análise a partir dos profissionais". De acordo com Paula, entender o jornalismo investigativo é tentar trazer os diferenciais das reportagens do tema para visualizar se utilizam  práticas de empreendedorismo. Seu companheiro de pesquisa, Panacioni mostrou quanto o incentivo financeiro é importante para estabelecer um modelo de negócio. "O empreendedorismo surge quando o jornalista vai gerenciar a pauta", completou.

Soraya comparou os prêmios Barbosa Lima Sobrinho e Tim Lopes, ambos que premiam reportagens investigativas. O trabalho analisou 25 premiações, 14 do Barbosa Lima Sobrinho e 11 do Tim Lopes. Sua pesquisa foi em torno dos critérios desenvolvidos para essa premiações. "Não há uma distinção entre os prêmios, eles atuam na mesma esfera de destaque e reconhecimento", disse, apontando para a falta diversidade dos concursos poderá acabar com eles. "Esse meu objeto de estudo vai morrer". 
A pesquisadora conclui questionando: "será que as boas práticas jornalísticas ficam restritas só aos prêmios? A premiação está sendo conduzida com responsabilidade e com a visão exata do que estão premiando?"



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.




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