25/06/2016

A América Latina como aposta editorial


Por Tiago Aguiar

Desde o ano passado circula a informação de que a China pretende financiar a construção de uma ferrovia que vai do Rio de Janeiro até o litoral peruano. Esse é um dos inúmeros temas que são pautas transnacionais latinas e que podem ser melhor abordados com integração e aprofundamento. A ideia da ferrovia foi um dos exemplos citados na mesa "Cobertura da América Latina: narrativa e investigação", neste sábado (25).

Os palestrantes foram Ana Magalhães, que lançou a revista digital Calle 2, do Brasil, e Carlos Eduardo Huertas, diretor da CONNECTAS, da Colômbia, uma plataforma digital que reúne reportagens investigativas de diversos colaboradores. Ambas as iniciativas possuem a América Latina como objeto temático.

Foto: Alice Vergueiro
O Calle 2 é composto especialmente de textos e reportagens mais profundas e analíticas, de frequência semanal. "A grande imprensa infelizmente foca suas reportagens nos centros de poder político e econômico", contou Ana. Ela frisou a riqueza de pautas que existem no "continente" - o próprio slogan do site é "boas histórias da América Latina", e por isso a revista trata também de dicas de turismo e culturais.

Ana é empreendedora e se dedica exclusivamente ao projeto junto com dois sócios. Atualmente sem fonte de financiamento, os três pretendem lançar um crowdfunding no próximo mês para financiar o projeto. O site está no ar há 7 meses. A equipe acredita em acesso gratuito e também ambiciona produzir parte do conteúdo em espanhol. Para manter a produção de diversas regiões, o site conta com uma rede de colaboradores pagos.

A CONNECTAS foi fundada pelo colombiano Carlos Eduardo Huertas a partir de contatos e experiências de redes que Huertas já participava - como o ICFJ (International Center for Journalists) e o ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists). O circuito de conferências e congressos que jornalistas se encontravam fortaleceu essa rede e o impulsionou a criar a plataforma, que possui ainda um "hub" com 155 membros que trabalham em 15 países. Segundo Huertas, é "um espaço para compartilhar cumplicidades jornalísticas".

"O que acontecia na Colômbia tinha cada vez mais relação com temas globais como os Panama Papers", conta o jornalista. Huertas traçou ainda um panorama, desde a década de 1940, sobre o surgimento de uma série de organizações de integração regional como a Unasul e o Mercosul. E conclui que muitas das situações pelos quais o Brasil passa como país, a América Latina passa como região, com paralelos entre eles.

Huertas ainda retomou o argumento de Ana na importância das histórias que estão nos rincões da América Latina. "Não é somente na política, na economia ou no crime organizado que estão as semelhanças", concluiu.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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