25/06/2016

Conhecer público é essencial para viabilizar jornalismo de qualidade

Por Jeniffer Mendonça


Compreender o comportamento do leitor no meio em que ele está inserido é o que permite aproximar viabilidade econômica e jornalismo de qualidade. "Cada notícia merece uma decisão especial para o formato em que vai ser entregue", pontuou neste sábado (25) a editora-chefe do BuzzFeed Brasil, Manuela Barem, durante o painel "Como conquistar o leitor da geração Milênio?" no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.

Foto: Alice Vergueiro
Com mediação da jornalista Alana Rizzo, da Revista Época e da Abraji, a mesa reuniu, além de Manuela, Sergio Gwercman, diretor editoral da unidade Estilo de Vida da Editora Abril, e o secretário de redação do jornal Folha de S.Paulo, Vinicius Mota.


Segundo pesquisa do Instituto Reuters de Estudos sobre Jornalismo, 72% dos brasileiros entrevistados utilizam as redes sociais como fontes de notícias. Dentre 26 países, o Brasil é o terceiro no ranking de usuários que pagam por conteúdo jornalístico online (22%). Diante desses dados, os palestrantes ressaltaram a importância do jornalismo com credibilidade, apuração e checagem numa era em que qualquer indivíduo com acesso à internet pode produzir informação.

Por isso, intercalar notícias provenientes das redes e verificar a respectiva autenticidade se tornou uma seção exclusiva (Social News) do BuzzFeed Brasil. O portal é conhecido pelas listas, gifs e vídeos voltados para o humor e cultura pop, mas nos últimos dois meses a versão brasileira tem experimentado maneiras de cobrir "hard news" e aplicá-las em reportagens. "A produção de conteúdo voltado para entretenimento é o que paga as contas do BuzzFeed e é assim que investimos em jornalismo", explicou Manuela.

Gwercman enfatizou que não é possível presumir o leitor do Milênio, mas estar atento às particularidades do público, que se renova a cada geração. "O estágio da vida mostra a maneira como se consome conteúdo", destacou.

Além disso, o jornalista citou O Guia do Estudante e a Superinteressante, veículos da Editora Abril, como exemplos para atingir o público de forma efetiva, por meio da segmentação e especialização em conteúdo. "A ideia de curadoria é cada vez menos uma solução editorial, porque as pessoas já têm isso no 'feed' do Facebook". Expandir as possibilidades de arrecadação de recursos para além das matérias são meios apontados pelo diretor da Estilo de Vida, que cita a Feira do Estudante: "O que era uma publicação em papel virou um evento".

Mota afirmou que o desafio é atingir um público mais maduro. "Quanto mais as pessoas envelhecem, mais pressão sofrem para se informarem e não serem apenas alvos de informação", afirma. Segundo relatório do Pew Research Center, 79% dos usuários norte-americanos do Facebook estão na faixa dos 30 a 49 anos, apenas 3 pontos percentuais a menos que o público entre 18 e 29 anos (82%). Em relação às redes sociais, enfatizou: "Para a produção de notícia de qualidade, é preciso ser remunerado. É desleal absorver conteúdo artesanal e não haver um retorno".

Por fim, o secretário de redação da Folha de S.Paulo ressaltou a necessidade do diálogo intergeracional com os futuros jornalistas. "As organizações jornalísticas precisam pensar nas gerações de profissionais que vêm pela frente, senão a cultura jornalística se perde", concluiu.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.   

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