29/06/2017

Brasil ainda é visto como país do carnaval e futebol, contam jornalistas

Por Pâmela Ellen

O Brasil tem uma imagem construída no exterior com base no carnaval, futebol, mulheres bonitas, praia e verão. É o que expôs o fundador da plataforma online Plus55, Gustavo Ribeiro, durante a mesa “Pra Inglês ver: cobertura do Brasil para estrangeiros”, que contou também com a repórter de política da Thomson Reuters, Lisandra Paraguassu. No painel, eles discutiram sobre as dificuldades que jornalistas brasileiros encontram ao reportar as notícias sobre o Brasil paras estrangeiros.

Para desenvolver as matérias do Plus55, a equipe mapeia quais os temas mais pesquisados sobre o país. “A bunda da mulher brasileira”, segundo ele, já esteve entre os mais procurados do dia. “O brasileiro é hipersexualizado no exterior. O problema existe porque ajudamos a construir esses estereótipos e os reforçamos durante muito tempo em nossa publicidade sobre o país”, afirmou.

Para Paraguassu, repórter da Reuters, a imagem propagada pelo país vem mudando desde 2000, a partir de nova abordagem feita pela publicidade: “ao invés de utilizar mulheres de biquíni e as festas de carnaval como chamativo, as empresas passaram a disseminar fotos dos lugares e seus atrativos turísticos”. Ela acredita, no entanto, que o próprio brasileiro ainda se orgulha dessa imagem, de ser o país do futebol, carnaval e mulheres bonitas.

Um trabalho que exige esforço diário é justamente quebrar esses estereótipos existentes sobre o Brasil. A maior dificuldade, para Paraguassu, é traduzir tudo o que acontece aqui no país para quem é de fora. “Muita coisa é incompreensível para os gringos”, diz[PE1] .
 Um dos exemplos foi a cobertura do surto do zika vírus no país. Mostrar para o mundo o trabalho dos pesquisadores brasileiros, era o maior desafio: “Foi necessário mostrar que nós também somos um país capaz de desenvolver pesquisas”.

É consenso entre os dois palestrantes que existem duas categorias de leitores estrangeiros: os que tem interesse econômico no país, com o intuito de investir no mercado brasileiro e, por esse motivo, querem saber tudo o que está acontecendo na política e economia, e aqueles os que só se interessam pelas “desgraças”.

Explicar para diferentes públicos a estrutura social do Brasil, segundo eles, é complexo. A repórter da Reuters explica que “o sistema político da América do Sul é totalmente diferente das outras regiões, as leis são diferentes, o judiciário, a cultura, tudo”. Ainda existe a imprevisibilidade. Como Ribeiro conta, “não tem como dar certeza sobre um caminho que a economia ou a política irá seguir, há reviravoltas a todo instante”.

A instabilidade política e economia do país, faz com que quem está de fora não entenda como o país ainda sobrevive. Para esclarecer o complexo cenário do país, segundo Paraguassu, “é preciso ver tudo com o olhar do estrangeiro, esclarecer as dúvidas e apresentar fatos concretos”.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

“Estamos criando uma nova linguagem com a realidade virtual”, afirma Tadeu Jungle

Por Karine Seimoha

As tecnologias imersivas têm crescido através dos produtos de entretenimento nos últimos anos, em especial, nos games, um dos setores mais rentáveis dos últimos anos. Além disso, surgiram alguns outros produtos como vídeos nas redes sociais e spin-offs de grandes produções cinematográficas que utilizam essa tecnologia.

Mais recentemente, esse tipo de produção de conteúdo chegou ao jornalismo - e, com isso, a promessa de uma nova forma de contar histórias, colocando o espectador no centro da ação. Discutindo sobre essa questão no painel “Jornalismo Imersivo: tecnologia a serviço da narrativa”, no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo de 2017, em São Paulo, Tadeu Jungle, o cineasta responsável pelos documentários “Rio de Lama” e “Fogo na Floresta”, acredita que esse tipo de produção traz mais empatia e transparência para o fazer jornalístico.

Por permitir que o espectador esteja no centro da ação, os vídeos em realidade virtual e 360º abrem a possibilidade de transmitir muito além de informações: é possível criar experiências, sensações e sentimentos no público, criando a impressão de que quem assiste também é parte daquilo. Porém, é preciso cuidado. De acordo com Erica Anderson, do Google News Lab, é de extrema importância que o jornalista saiba preparar o espectador para aquele conteúdo, com avisos e os chamados “alertas de risco” (do ínglês, triggered warning), a fim de evitar que ele se impacte de forma negativa.

Além disso, também há diversas questões éticas envolvidas no uso desta tecnologia, como, por exemplo, as filmagens em 360º com diversas pessoas em cena. Algumas delas podem, por exemplo, não querer aparecer no vídeo. Além disso, outra preocupação é o modo de produzir esses conteúdos. No Brasil, ainda não há uma agência de notícias especializada em realidade virtual - e poucos equipamentos disponíveis. Contudo, trata-se de uma tecnologia barata e que tem tudo para ganhar mais visibilidade no país em poucos anos.

YouTube 180

Uma nova visão - ainda que bastante embrionária no Brasil - é o YouTube 180. Trata-se de uma plataforma de vídeos em 180º, que contam com uma forma de produção um pouco mais simples que os vídeos em 360º, filmados em formato de esfera e planificados posteriormente. Dessa forma, o que se tem visto é um surgimento bastante diverso de técnicas e formatos de inserir o telespectador nas narrativas, ainda que somente como observador passivo.

Erica acredita que, até por conta disso, a tendência é que os formatos sofram uma convergência, e o resultado final seja algo surpreendente, mas ainda não sabe exatamente de que forma isso será feito e qual formato permanecerá. A única certeza, tanto de Erica quanto de Jungle, é que a realidade virtual não é apenas um modismo, mas sim, um formato inovador e que veio para ficar, graças a sua forma de conquistar o público com sua capacidade de estabelecer vínculos, criando emoções e proporcionando experiências por meio da livre exploração dos fatos e cenários retratados.

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo Jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

26/06/2016

"A propaganda não vai pagar a conta dos veículos", afirma Bob Garfield, da NPR


Por Jeniffer Mendonça e Tiago Aguiar

Como viabilizar economicamente o jornalismo, atingir o público e fornecer informação de qualidade? Um dos apresentadores do programa norte-americano On The Media, da NPR, Bob Garfield é enfático: "A propaganda não vai pagar a conta dos veículos". 


Fotos: Alice Vergueiro
No painel "Imprensa: o que vem depois da crise?", o jornalista também destacou que cada vez mais os leitores desconfiam do papel da mídia e que o mercado do consumo de notícias mudou e não vai voltar nunca mais a ser o que era, assim como a propaganda nos veículos. O debate foi mediado pelo jornalista Fernando Rodrigues, do UOLe encerrou o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo no sábado (25).

Para ratificar o seu posicionamento, Garfield usou como exemplo a criação do jornal The Sun, o primeiro que utilizou da propaganda, de preço baixo e escala alta para atingir a audiência de massa.

"Esse modelo durou por quase dois séculos, mas durou, com o verbo no passado", comentou o jornalista, que escreveu um artigo referência na discussão do futuro da mídia, que se tornou posteriormente o livro "Cenário de Caos" (Editora Cultrix, 304 pags., R$ 49,50 ). 

Segundo Garfield, a economia das organizações jornalísticas foi tocada durante 300 anos por três fatores: simbiose (convergência entre público, anunciantes e a imprensa), barreiras de entrada (devido a custos altos, limitando a competitividade do mercado) e demanda alta e baixa oferta (tornando o segmento muito lucrativo).

Ele perguntou ao público: "Quantos de vocês já clicaram num banner publicitário?". Com apenas um braço levantado, Garfield disse sobre o lugar que a publicidade possui no século 21 e como o investimento no setor diminuiu o alcance de empresas jornalísticas. "Quando as pessoas tiveram a oportunidade de fugir da propaganda, elas o fizeram", afirmou

Dentre os modelos de sucesso, citou o jornal The New York Times, onde já trabalhou, como referência. "É a melhor organização do mundo, tem um milhão de assinantes". Fernando Rodrigues ponderou, no entanto, que é uma alternativa não replicável no Brasil e que ainda é próximo da lógica da "audiência de massa". Garfield concordou. "O New York Times nunca vai falir".



O norte-americano destacou ainda que os micro-pagamentos, ou seja, contribuições do público, são a fonte mais viável de financiamento, mas que precisariam ser universais e com a menor barreira possível.  "O problema é que sistemas do mundo inteiro cobram muito caro para fazer cada transação, e tudo isso precisa ser feito de forma transparente".

Ao comentar sobre o Washington Post, apesar de ter enfatizado que hoje o jornal tem um déficit na ordem de centenas de milhões de dólares, elogiou o uso das redes sociais e da estratégia online. "Quanto mais avançamos, mais o jornal vai se parecer com o BuzzFeed e vice-versa. Todos nós abraçamos técnicas que aumentam a audiência e tornam notícias compartilháveis".

Questionado sobre a longevidade do Facebook, o jornalista disse que há usuários ativos demais, entre histórias de vida e conexões, nos perfis individuais para que a rede social não dure a médio prazo. Mencionou ainda o Wall Street Journal, o Financial Times e a The Economist como organizações jornalísticas que sempre terão demanda. "Esses veículos conseguem dar informações exclusivas que as empresas vão pagar para obtê-las", enfatizou.




O jornalista comentou sobre o momento de polarização ideológica, como na cobertura das eleições presidenciais norte-americanas, associado à veiculação de notícias. "Hoje em dia as pessoas procuram ler o que reforça suas ideias. A mídia não pode fazer papel de árbitro, tem que apresentar todo o contexto", afirmou.
   
Garfield também comentou que veio ao Brasil para, durante uma semana, entrevistar o máximo de pessoas e tentar entender a crise político-econômica que o país atravessa e o papel que o jornalismo brasileiro tem desempenhado em meio ao caos. Ele terminou com um recado de solidariedade: "É um privilégio participar desse evento e conhecer grandes jornalistas. Lamento pelo que o Brasil vem sofrendo, mas admiro a determinação para superar a crise".


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Reportagem que denuncia censura imposta à imprensa no RS ganha Prêmio Jovem Jornalista; conheça os bastidores

Por Helena Mega

Três crimes mal resolvidos e um jornalista processado por injúria, calúnia e difamação levaram a estudante de jornalismo Joyce Heurich, da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), a ser premiada com o documentário "Três crimes e uma sentença" no 7º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog.




Joyce contou no sábado (25) os caminhos da pauta, que teve a professora Luciana Kraemer como orientadora e a jornalista Bianca Vasconcellos, da TV Brasil, como mentora do grupo. As três participaram da mesa "Prêmio Jovem Jornalista: os vencedores de 2015", que teve Ana Luisa Gomes, representante da Oboré e dos Instituto Vladimir Herzog, como moderadora.

A partir do tema proposto, "Desafios da Liberdade de Expressão no cenário dos Direitos Humanos: retratos no Brasil de hoje", Joyce fez a leitura do livro "Uma Reportagem, Duas Sentenças - O Caso do Jornal Já", escrita pelo jornalista Elmar Bones, proprietário e editor-chefe do Jornal Já, de Porto Alegre.

Bones foi processado pela família Rigotto após publicar, em 2001, uma série de reportagens sobre Lindomar Rigotto, irmão do ex-governador gaúcho Germano Rigotto. As publicações abordaram o assassinato de Lindomar, a morte da bailarina Andréa Catarina e caso no qual Lindomar esteve envolvido poucos meses antes de sua morte e a participação dele em um escândalo de corrupção envolvendo a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) do Rio Grande Sul.​

O jornalista foi condenado a pagar indenização de R$ 130 mil à família Rigotto. Após tomar conhecimento do caso, Joyce entrou em contato com o profissional, ainda atuante no jornal e com a ONG Artigo 19, que está denunciando o caso à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) por ferir à liberdade de expressão."Conversando com a ONG, percebemos que é algo que acontece no Brasil inteiro, não só em Porto Alegre", explicou a estudante.

A ideia de fazer o documentário de 15 minutos surgiu porque ela já trabalha com televisão. O grande desafio, no entanto, foi editar todo o material dentro do tempo estipulado no prêmio. "A cada entrevista, descobríamos várias coisas", disse Joye, que vê a exposição do caso como uma contribuição muito pequena, mas necessária.

Uma das ajudas que a estudante recebeu veio de um professor de cinema da faculdade, que cedeu a câmera para as filmagens. Segundo Bianca, um dos acertos de Joyce foi escolher um bom time para trabalhar. "Na televisão, não dá para não pensar em equipe", destacou. 

O painel contou com a presença dos jornalistas Nemércio Nogueira, Sinval Itacarambi Leão e Dácio Nitrini, que fazem parte da comissão avaliadora dos projetos. 

Foram recebidas 91 propostas de pautas de todo o país e três delas escolhidas para serem financiadas pelo Instituto Vladimir Herzog.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

"Além de técnica, fotojornalismo tem que apresentar boas histórias", afirma editor da Vice; veja dicas

Por Caio Nascimento


Fotografar na imprensa vai além do clique, um verdadeiro trabalho fotojornalístico tem que apresentar boas histórias, que expliquem a razão da foto existir. É o que afirma o editor de fotografia da revista Vice, Felipe Larozza, que realizou o workshop "Fotojornalismo básico", no 11º Congresso de Jornalismo Investigativo, neste sábado (25).

Para Larozza, que deu dicas de técnicas e de ferramentas fotográficas, o que forma o profissional do fotojornalismo é a boa escrita e o olhar sobre o mundo, não como meras imagens, mas como narrativas. "Se na mesa do bar elogiarem a história que há por trás das suas fotos, pronto, você já tem uma pauta", exemplificou.

Foto: Alice Vergueiro
De acordo com o profissional, não existe mais a tradição de fazer a foto maravilhosa do momento decisivo, é preciso praticar captando histórias e notícias. "Esse é o fotojornalismo de hoje", afirmou. Larozza apontou que essa iniciativa trilha o sucesso do fotojornalista. "O que faz o fotógrafo é a boa visão", pontuou.

O editor da Vice ressaltou que é preciso desmistificar a visão artística do fotojornalismo. "O fotojornalismo requer técnica, bagagem e roteiros que chamem a atenção do público".

 ENTRANDO NO MERCADO

Aos que querem entrar no mercado da fotografia, Larozza ressaltou a importância de se agilizar a parte burocrática. "Façam um CNPJ quando forem vender suas fotos, porque os veículos não compram fotos sem emitir nota fiscal para não caírem na malha fina do imposto de renda", disse. Para registrar um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), basta entrar no Portal do Empreendedor.

Larozza apontou também que o melhor campo de entrada para quem está começando é vender fotos para agências de fotografia, apesar de se dizer contra essas empresas. "Sou militante real e convicto contra as agências de fotografia, mas é a melhor forma de se começar", contou. Segundo ele, essas empresas pagam em torno de R$ 15 para o profissional e não oferecem direitos trabalhistas. Entretanto, há veículos, como a Vice, que pagam o fotógrafo por pauta produzida, sem haver intermédio de agências.

TÉCNICAS

 Aconselhando os fotógrafos de primeira viagem, Larozza contou que além de um bom repertório para criar boas pautas fotojornalísticas, o conhecimento técnico é o primeiro passo. "Entender a câmera tecnicamente inaugura seu contato com o mundo da fotografia", disse.

Além disso, o editor apontou a fotometria como uma técnica essencial para dominar uma câmera. Velocidade, abertura da lente e o fator ISO, que indica a sensibilidade da película à luz, são os suportes principais para comandar qualquer máquina fotográfica. "Esses três pilares vão fazer você dominar a fotografia em pouco tempo", ressaltou.

Em relação a essas bases, Larozza explicou que a velocidade da película que protege a câmera da iluminação está relacionada com a quantidade de tempo que essa proteção fica aberta recebendo luz. De acordo com o editor, quanto mais tempo a película fica aberta, mais luz recebe, e, portanto, o fotógrafo pode perder qualidade de imagem. Para que isso não aconteça, ele aconselha a sempre buscar o equilíbrio entre a velocidade, o ISO e o uso das lentes conforme varie o ambiente.

Segundo Larozza, essas bases citadas se aprendem sem muitos investimentos. "Mais vale ler o manual da máquina de que pagar cursos caros que têm por aí. Sem contar que aprendi muitas noções suficientes no YouTube", contou.

Ao abordar a produção de vídeos no fotojornalismo, o editor afirmou que o único fator que muda entre essa mídia e a fotografia é a velocidade da câmera, porque neste último o espelho da câmera fica aberto o tempo todo recebendo luz. "No vídeo, podemos jogar a velocidade lá em baixo, deixá-la próxima da faixa de 60 a 100", orientou.

Recomendando equipamentos para fotojornalistas iniciantes, o profissional indicou a câmera T3i, da Canon. "Ela é versátil, com uma qualidade de vídeo muito boa e não muito cara comparada com as demais. Fiz algumas matérias da Vice com esse modelo", disse.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Repórteres que cobrem direitos humanos devem conhecer história e legislação, alertam jornalistas

Por Luan Ernesto Duarte


Em tempos polarizados, nos quais conceitos de direitos humanos estão "generalizados", repórteres que cobrem a área precisam dominar profundamente os conceitos da lei universal. É o que alertam os jornalistas Leonardo Sakamoto, da Repórter Brasil e Caio Cavechini, da TV Globo, que compartilharam suas experiências no painel "O papel do jornalista na defesa dos direitos humanos", neste sábado (25), durante o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Para Sakamoto e Cavechini, o jornalista deve conhecer a história e em especial a Declaração Universal dos Direitos Humanos e buscar reportar histórias que estão em desacordo com os direitos nela assegurados. A defesa dos princípios expressos na lei é, inclusive, item do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.

"Nesse cenário, onde cobertura de direitos humanos virou uma coisa de esquerdista, temos que pensar na nossa habilidade de comunicação, estar bem informados e buscar boas histórias que possam dialogar com a pessoa que tenha resistência à essas questões", afirmou Cavechini.


Foto: Alice Vergueiro
Segundo Sakamoto, o conceito de direitos humanos vem sendo distorcido e a população acaba sendo influenciada pelo jornalismo "espreme que sai sangue", levando a defender a lei como "coisa de bandido". "Na verdade isso diz respeito a todos nós", disse.

Sakamoto conta que toda a tentativa de discutir a temática na sociedade é seguida de represálias violentas, como xingamentos e agressões à jornalistas que realizaram trabalhos na área."Há uma reação na sociedade a quem coloca em pauta os direitos humanos. O profissional que questiona a desigualdade, a injustiça, a questão de gênero com certeza será muito xingado."

O fundador da Repórter Brasil acaba de lançar o livro "O que aprendi sendo xingado na internet", no qual ele relata sua experiência. O jornalismo investigativo realizado pelo canal é especializado no rastreamento das cadeias produtivas que envolvam crimes como trabalho escravo e tráfico de seres humanos. 

Muitas denúncias realizadas pela Repórter Brasil acontecem em fazendas, carvoarias e outras unidades industriais que são flagradas violando os direitos humanos. A agência já identificou os caminhos feitos pelos produtos desses lugares até o mercado nacional e internacional.

"Nós conseguimos pressionar o sistema produtivo nacional e internacional e até o mesmo o financeiro para gerar mecanismos de bloqueio a quem se utiliza desse tipo de crime", contou o jornalista

As reportagens que mostram o trabalho escravo utilizado pelas empresas denunciadas geram impacto econômico, segundo Sakamoto. Companhias como Cosan, MRV Engenharia e a Zara tombaram na bolsa de valores após publicações que revelaram a prática de atividades análogas à escravidão. "O nosso foco, na Repórter Brasil, é mais o impacto do que necessariamente o furo", disse.

Desrespeitos à legislação trabalhista e um cotidiano de sofrimento, depressão e risco é o que revela o documentário "Carne e Osso", de Cavechini. O filme mostra como a cadeia produtiva de carne no Brasil viola os direitos do trabalhador, colocando o profissional em uma linha de produção que exige movimentos repetitivos e gerando consequências emocionais, físicas e motoras ao funcionário.

"Foram três anos de investigação e trabalho ininterrupto com base numa demanda de procuradores e fiscais do trabalho que procuraram a Repórter Brasil dizendo que as varas trabalhistas estavam cheias de processos relacionados a frigoríficos", comentou Cavechini.

Nas cidades onde estão localizados esses frigoríficos, o jornalista relata a dificuldade que os moradores têm em encontrar emprego, já que muitos rejeitam o serviço com carnes. "Quando os haitianos chegaram no Brasil, muitos foram trabalhar nesses frigoríficos porque eles oferecem carteira assinada", contou Cavechini, que também é responsável pelo documentário "Jaci – sete pecados de uma obra amazônica", que aborda as hidrelétricas em Rondônia, o poder das empreiteiras e a relação com o governo federal.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.




Cobertura de crises humanitárias requer preparo emocional do jornalista, aconselham repórteres especiais

Por Ariane Costa Gomes

Repórteres em meio à coberturas de crises humanitárias estão propensos a passar por situações imprevistas no roteiro e possíveis fracassos. Para superá-los, é preciso ter preparo emocional, alerta os jornalistas Leandro Colon, da Folha de S.Paulo e Letícia Duarte, do Zero Hora.

Os dois repórteres especiais participaram do painel “Cobertura de crises humanitárias: experiências”, mediado pelo jornalista freelancer Germano Assad, neste sábado (25) no 11º Congresso da Abraji, em São Paulo.

Foto: Alice Vergueiro
Os profissionais contaram que neste tipo de cobertura, muitas vezes, o jornalista sai para a rua sem ter uma pauta definida e sem saber com qual história voltará. São nessas situações que ele tem que estar preparado para os possíveis imprevistos e saber redirecionar rapidamente o foco da reportagem. 

Para Colon, esse redirecionamento na rua pode ser decisivo. “Meu foco é contar histórias e contar o que eu vi de forma mais fiel possível”, afirma. 

Desencontros com o personagem e perda de equipamentos são alguns dos imprevistos que podem acontecer durante a produção da reportagem. Nessas ocasiões, aconselham os jornalistas, o repórter precisa ter inteligência emocional para conseguir pensar em alternativas, além de lidar com a pressão pessoal e dos chefes. “Lidar com o fracasso de não conseguir é importante para continuar tentando”, afirma Colon.

Letícia destaca outro imprevisto: o de risco à segurança do profissional, presente nas coberturas de crises humanitárias em terrenos adversos. Segundo a jornalista do Zero Hora, a adrenalina de encontrar boas histórias pode, às vezes, fazer com que o repórter não meça os riscos que corre.

Os repórteres também ressaltaram a importância de sugerir e apostar em boas histórias e acreditar na função social da profissão. “O jornalista é como um tradutor de mundos capaz de aproximar realidades distantes do público”, diz Colon. 

A proximidade e a honestidade com a fonte também foram pontos discutidos no painel. Para os jornalistas, vivenciar a história possibilita escrever uma narrativa diferente da convencional e é capaz de mostrar algo que as pessoas não estão vendo. Porém, o repórter precisa lembrar que não é o protagonista da reportagem e se colocar no seu lugar de interlocutor. “É preciso estar próximo o suficiente para gerar empatia, mas reconhecer seu papel como repórter", afirma Letícia.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.



Trabalhos acadêmicos mostram momento do jornalismo investigativo em ES, MG e RS

Por Juliana Tahamtani 


Além de receber profissionais experientes, com anos de trabalho nas principais redações do Brasil, o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo promovido pela Abraji também abriu espaço para trabalhos acadêmicos produzidos por jovens estudantes de jornalismo fora do eixo Rio-São Paulo, no" III Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo".


Foto: Alice Vergueiro
Expositores do Espírito Santo, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul apresentaram diferentes pontos de vista sobre como o jornalismo investigativo se desenvolve - e encontra dificuldades também - em cada um desses Estados.

Siumara de Freitas Gonçalves e José Carlos Correa, da Ufes (Universidade Federal do Espirito Santos), pesquisaram sobre "Telejornalismo Investigativo: o que acontece nas emissoras capixabas?". Os autores tomaram como caso concreto o jornalismo praticado nas emissoras de TV aberta no Estado. A partir da identificação dessas estações, foi feito um mapeamento e uma descrição do tipo de produção em cada uma dessas redações.

Uma das conclusões é a de que a carência de recursos e profissionais inibe o jornalismo investigativo. "O alto custo das produções, as redações enxutas e a falta de profissionais especializados são fatores que fazem com que a prática do jornalismo investigativo na Espírito Santo seja pouco explorada", afirma Siumara.

Para os autores da pesquisa, o jornalismo investigativo no Espírito Santo "estagnou". Como resultado, a cobertura acabou migrando para assuntos cotidianos, num ritmo diário, deixando passar oportunidades de produzir materiais investigativos mais aprofundados.

BANCO DE DADOS EM MG

A análise da produção jornalística feita em Minas Gerais foi apresentada por Marcelo Marques Araújo e Timoteo Batista dos Santos Junior. Eles falaram sobre "Jornalismo Investigativo, interface lógica, discursiva e comunicacional com software de tratamento de dados jornalísticos".

O trabalho mostra como os avanços tecnológicos em conjunto com a crescente infraestrutura de base de dados, trouxeram para o jornalismo investigativo ferramentas que antes não eram possíveis de serem imaginadas pelos profissionais da área. Os pesquisadores também analisaram a criação de um broadcasting usado para auxiliar no tratamento de dados de grande âmbito das universidades federais.

TABACO NO RS

Marília Gehrke, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), pesquisou a construção das matérias jornalísticas sobre o tabaco e saúde a partir das fontes usadas pelos repórteres na cobertura da reunião da ONU de 2014 em Moscou sobre o tratado que regula o tema.

No trabalho "Tabaco, saúde e economia: uma análise estatística sobre o emprego de fontes jornalísticas na cobertura da COP6", a estudante verificou de que forma a imprensa brasileira aborda a conferência.


Marília explica que obteve as informações a partir de pesquisa de textos informativos relacionados à conferência e veiculados em 2014 por jornais integrantes da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), assim como a criação de banco de dados num sotware de estatística chamado SPSS.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.


Todos vão errar, mas não dê a notícia errada primeiro, afirmam jornalistas

O erro está sempre ao nosso lado e pode servir como fonte de aprendizagem, mas não seja o primeiro a dar a notícia errada. A lição vem dos experientes jornalistas José Roberto Burnier, da TV Globo, e Roberto Gazzi, consultor de O Estado de S.Paulo.


Eles foram os convidados do painel "Ooooops! O que grandes jornalistas aprenderam com seus grandes erros", que ocorreu na tarde de sábado (25) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A moderação ficou por conta de João Paulo Charleaux, editor de política e economia do Nexo.


Foto: Alice Vergueiro
Gazzi considera que a Escola Base é o pior erro de sua carreira de 37 anos. No caso, o casal proprietário de um colégio, uma professora e um motorista foram acusados de abusar sexualmente de alunos. A repercussão levou à indignação da população e à depredação da escola.


À época, Gazzi era editor do caderno de cidades do Estadão. Segundo contou, decidiu dar a notícia após ver um experiente colega da TV Globo noticiando o fato.


Os funcionários da escola receberam indenizações dos veículos de imprensa que divulgaram o episódio. "Todos nos sentimos terrivelmente responsáveis pelo que aconteceu com aquele casal. É uma cicatriz que carregamos", disse Burnier, que durante o caso era editor-chefe e apresentador do Bom Dia São Paulo.


Erros de planejamento também são muito comuns nas vidas dos jornalistas. O consultor do Estadão contou que, em início de carreira, enquanto cobria o presidente Lula, decidiu aumentar o tempo da cobertura e esperar para repassar as informações para a redação. Com a demora, a matéria não foi publicada.


A ansiedade para soltar uma matéria pode, contudo, atrapalhar o trabalho do jornalista. Para Burnier, existe uma espécie de efeito manada na profissão, que ocasiona erros em sequência. "Se um faz uma coisa, vai todo mundo fazer", disse.


Para o repórter da TV Globo, ser o primeiro a dar a notícia não é o mais importante. Segundo ele, o bom jornalismo é baseado em bom senso e investigação cuidadosa.


"Duvide, duvide sempre", completou Gazzi.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

“Está no DNA do governante esconder os dados”, diz um dos fundadores da Abraji

Por Karina Balan




A Abraji apresentou no sábado (25) um levantamento feito nas capitais brasileiras com o mapa das informações prestadas via Lei de Acesso à Informação. A legislação criada há quatro anos ainda enfrenta obstáculo, segundo trabalho coordenado pela associação e feito por alunos da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto).
Foto: Alice Vergueiro
Conforme apresentado no painel "Lei de Acesso à informação nas capitais: Mapa de Acesso", só um quarto dos pedidos solicitados neste ano a câmaras municipais e prefeituras foram atendidos. "A entrega [das informações] ainda é muito pequena, mesmo utilizando todos os recursos possíveis", disse a jornalista Ivana Moreira. Também participaram da mesa os jornalistas Fernando Rodrigues, do UOL, e Marina Atoji, da Abraji.


Para Rodrigues, esconder dados está no DNA do governante. Ele disse que a falta de transparência está enraizada no órgãos públicos brasileiros, que costumam classificar como sigilosos dados muitas vezes banais. "Demora para uma lei mudar uma cultura. É um processo, e necessariamente vai demorar para isso ser implantado", acrescentou.
 
A Lei de Acesso à Informação, em vigor desde 16 de maio de 2012, permite a qualquer pessoa, física ou jurídica, solicitar informações dos órgãos e entidades públicas sem a necessidade de apresentar justificativa para o pedido. Ainda assim, Marina Atoji, que também atua no Fórum de Direito de Acesso à Informações Públicas, explicou que alguns órgãos públicos pedem informações consideradas abusivas, como endereço, profissão, telefone e o motivo da solicitação. "O pressuposto da lei é justamente não ter que explicar o porquê do pedido", disse.

Segundo os palestrantes, a lei também é útil para a comunidade científica, acadêmica e empresários. Aos jornalistas, Marina recomenda que deixem explícito em suas matérias quando conseguirem informações pela lei de acesso. "Coloque lá, no seu texto, para que as pessoas entendam que ela existe, que pode ser utilizada e evocada por qualquer um", insistiu.
      
A dica para solicitar informações é detalhar ao máximo o pedido: "É importante saber exatamente aquilo que você está querendo. Detalhar reduz a chance da resposta do órgão público ser negativa".

Os órgãos têm de 20 a 30 dias para responder a solicitação, sob pena de punições administrativas. "Se ficou em silêncio, ele descumpriu a lei de acesso", afirma Ivana. Por isso, ela recomenda formalizar todo o processo (por e-mail, por exemplo), o que permite ao solicitante  recorrer ao órgão superior, se necessário. Até hoje, porém, não existe registro destas sanções, apesar do baixo índice de respostas.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.