26/06/2016

Cobertura de crises humanitárias requer preparo emocional do jornalista, aconselham repórteres especiais

Por Ariane Costa Gomes

Repórteres em meio à coberturas de crises humanitárias estão propensos a passar por situações imprevistas no roteiro e possíveis fracassos. Para superá-los, é preciso ter preparo emocional, alerta os jornalistas Leandro Colon, da Folha de S.Paulo e Letícia Duarte, do Zero Hora.

Os dois repórteres especiais participaram do painel “Cobertura de crises humanitárias: experiências”, mediado pelo jornalista freelancer Germano Assad, neste sábado (25) no 11º Congresso da Abraji, em São Paulo.

Foto: Alice Vergueiro
Os profissionais contaram que neste tipo de cobertura, muitas vezes, o jornalista sai para a rua sem ter uma pauta definida e sem saber com qual história voltará. São nessas situações que ele tem que estar preparado para os possíveis imprevistos e saber redirecionar rapidamente o foco da reportagem. 

Para Colon, esse redirecionamento na rua pode ser decisivo. “Meu foco é contar histórias e contar o que eu vi de forma mais fiel possível”, afirma. 

Desencontros com o personagem e perda de equipamentos são alguns dos imprevistos que podem acontecer durante a produção da reportagem. Nessas ocasiões, aconselham os jornalistas, o repórter precisa ter inteligência emocional para conseguir pensar em alternativas, além de lidar com a pressão pessoal e dos chefes. “Lidar com o fracasso de não conseguir é importante para continuar tentando”, afirma Colon.

Letícia destaca outro imprevisto: o de risco à segurança do profissional, presente nas coberturas de crises humanitárias em terrenos adversos. Segundo a jornalista do Zero Hora, a adrenalina de encontrar boas histórias pode, às vezes, fazer com que o repórter não meça os riscos que corre.

Os repórteres também ressaltaram a importância de sugerir e apostar em boas histórias e acreditar na função social da profissão. “O jornalista é como um tradutor de mundos capaz de aproximar realidades distantes do público”, diz Colon. 

A proximidade e a honestidade com a fonte também foram pontos discutidos no painel. Para os jornalistas, vivenciar a história possibilita escrever uma narrativa diferente da convencional e é capaz de mostrar algo que as pessoas não estão vendo. Porém, o repórter precisa lembrar que não é o protagonista da reportagem e se colocar no seu lugar de interlocutor. “É preciso estar próximo o suficiente para gerar empatia, mas reconhecer seu papel como repórter", afirma Letícia.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.



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