26/06/2016

Todos vão errar, mas não dê a notícia errada primeiro, afirmam jornalistas

O erro está sempre ao nosso lado e pode servir como fonte de aprendizagem, mas não seja o primeiro a dar a notícia errada. A lição vem dos experientes jornalistas José Roberto Burnier, da TV Globo, e Roberto Gazzi, consultor de O Estado de S.Paulo.


Eles foram os convidados do painel "Ooooops! O que grandes jornalistas aprenderam com seus grandes erros", que ocorreu na tarde de sábado (25) no 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A moderação ficou por conta de João Paulo Charleaux, editor de política e economia do Nexo.


Foto: Alice Vergueiro
Gazzi considera que a Escola Base é o pior erro de sua carreira de 37 anos. No caso, o casal proprietário de um colégio, uma professora e um motorista foram acusados de abusar sexualmente de alunos. A repercussão levou à indignação da população e à depredação da escola.


À época, Gazzi era editor do caderno de cidades do Estadão. Segundo contou, decidiu dar a notícia após ver um experiente colega da TV Globo noticiando o fato.


Os funcionários da escola receberam indenizações dos veículos de imprensa que divulgaram o episódio. "Todos nos sentimos terrivelmente responsáveis pelo que aconteceu com aquele casal. É uma cicatriz que carregamos", disse Burnier, que durante o caso era editor-chefe e apresentador do Bom Dia São Paulo.


Erros de planejamento também são muito comuns nas vidas dos jornalistas. O consultor do Estadão contou que, em início de carreira, enquanto cobria o presidente Lula, decidiu aumentar o tempo da cobertura e esperar para repassar as informações para a redação. Com a demora, a matéria não foi publicada.


A ansiedade para soltar uma matéria pode, contudo, atrapalhar o trabalho do jornalista. Para Burnier, existe uma espécie de efeito manada na profissão, que ocasiona erros em sequência. "Se um faz uma coisa, vai todo mundo fazer", disse.


Para o repórter da TV Globo, ser o primeiro a dar a notícia não é o mais importante. Segundo ele, o bom jornalismo é baseado em bom senso e investigação cuidadosa.


"Duvide, duvide sempre", completou Gazzi.


O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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