26/06/2016

Trabalhos acadêmicos mostram momento do jornalismo investigativo em ES, MG e RS

Por Juliana Tahamtani 


Além de receber profissionais experientes, com anos de trabalho nas principais redações do Brasil, o 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo promovido pela Abraji também abriu espaço para trabalhos acadêmicos produzidos por jovens estudantes de jornalismo fora do eixo Rio-São Paulo, no" III Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo".


Foto: Alice Vergueiro
Expositores do Espírito Santo, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul apresentaram diferentes pontos de vista sobre como o jornalismo investigativo se desenvolve - e encontra dificuldades também - em cada um desses Estados.

Siumara de Freitas Gonçalves e José Carlos Correa, da Ufes (Universidade Federal do Espirito Santos), pesquisaram sobre "Telejornalismo Investigativo: o que acontece nas emissoras capixabas?". Os autores tomaram como caso concreto o jornalismo praticado nas emissoras de TV aberta no Estado. A partir da identificação dessas estações, foi feito um mapeamento e uma descrição do tipo de produção em cada uma dessas redações.

Uma das conclusões é a de que a carência de recursos e profissionais inibe o jornalismo investigativo. "O alto custo das produções, as redações enxutas e a falta de profissionais especializados são fatores que fazem com que a prática do jornalismo investigativo na Espírito Santo seja pouco explorada", afirma Siumara.

Para os autores da pesquisa, o jornalismo investigativo no Espírito Santo "estagnou". Como resultado, a cobertura acabou migrando para assuntos cotidianos, num ritmo diário, deixando passar oportunidades de produzir materiais investigativos mais aprofundados.

BANCO DE DADOS EM MG

A análise da produção jornalística feita em Minas Gerais foi apresentada por Marcelo Marques Araújo e Timoteo Batista dos Santos Junior. Eles falaram sobre "Jornalismo Investigativo, interface lógica, discursiva e comunicacional com software de tratamento de dados jornalísticos".

O trabalho mostra como os avanços tecnológicos em conjunto com a crescente infraestrutura de base de dados, trouxeram para o jornalismo investigativo ferramentas que antes não eram possíveis de serem imaginadas pelos profissionais da área. Os pesquisadores também analisaram a criação de um broadcasting usado para auxiliar no tratamento de dados de grande âmbito das universidades federais.

TABACO NO RS

Marília Gehrke, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), pesquisou a construção das matérias jornalísticas sobre o tabaco e saúde a partir das fontes usadas pelos repórteres na cobertura da reunião da ONU de 2014 em Moscou sobre o tratado que regula o tema.

No trabalho "Tabaco, saúde e economia: uma análise estatística sobre o emprego de fontes jornalísticas na cobertura da COP6", a estudante verificou de que forma a imprensa brasileira aborda a conferência.


Marília explica que obteve as informações a partir de pesquisa de textos informativos relacionados à conferência e veiculados em 2014 por jornais integrantes da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), assim como a criação de banco de dados num sotware de estatística chamado SPSS.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.


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