26/06/2016

Reportagem que denuncia censura imposta à imprensa no RS ganha Prêmio Jovem Jornalista; conheça os bastidores

Por Helena Mega

Três crimes mal resolvidos e um jornalista processado por injúria, calúnia e difamação levaram a estudante de jornalismo Joyce Heurich, da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), a ser premiada com o documentário "Três crimes e uma sentença" no 7º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog.




Joyce contou no sábado (25) os caminhos da pauta, que teve a professora Luciana Kraemer como orientadora e a jornalista Bianca Vasconcellos, da TV Brasil, como mentora do grupo. As três participaram da mesa "Prêmio Jovem Jornalista: os vencedores de 2015", que teve Ana Luisa Gomes, representante da Oboré e dos Instituto Vladimir Herzog, como moderadora.

A partir do tema proposto, "Desafios da Liberdade de Expressão no cenário dos Direitos Humanos: retratos no Brasil de hoje", Joyce fez a leitura do livro "Uma Reportagem, Duas Sentenças - O Caso do Jornal Já", escrita pelo jornalista Elmar Bones, proprietário e editor-chefe do Jornal Já, de Porto Alegre.

Bones foi processado pela família Rigotto após publicar, em 2001, uma série de reportagens sobre Lindomar Rigotto, irmão do ex-governador gaúcho Germano Rigotto. As publicações abordaram o assassinato de Lindomar, a morte da bailarina Andréa Catarina e caso no qual Lindomar esteve envolvido poucos meses antes de sua morte e a participação dele em um escândalo de corrupção envolvendo a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) do Rio Grande Sul.​

O jornalista foi condenado a pagar indenização de R$ 130 mil à família Rigotto. Após tomar conhecimento do caso, Joyce entrou em contato com o profissional, ainda atuante no jornal e com a ONG Artigo 19, que está denunciando o caso à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) por ferir à liberdade de expressão."Conversando com a ONG, percebemos que é algo que acontece no Brasil inteiro, não só em Porto Alegre", explicou a estudante.

A ideia de fazer o documentário de 15 minutos surgiu porque ela já trabalha com televisão. O grande desafio, no entanto, foi editar todo o material dentro do tempo estipulado no prêmio. "A cada entrevista, descobríamos várias coisas", disse Joye, que vê a exposição do caso como uma contribuição muito pequena, mas necessária.

Uma das ajudas que a estudante recebeu veio de um professor de cinema da faculdade, que cedeu a câmera para as filmagens. Segundo Bianca, um dos acertos de Joyce foi escolher um bom time para trabalhar. "Na televisão, não dá para não pensar em equipe", destacou. 

O painel contou com a presença dos jornalistas Nemércio Nogueira, Sinval Itacarambi Leão e Dácio Nitrini, que fazem parte da comissão avaliadora dos projetos. 

Foram recebidas 91 propostas de pautas de todo o país e três delas escolhidas para serem financiadas pelo Instituto Vladimir Herzog.

O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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