26/06/2016

"Além de técnica, fotojornalismo tem que apresentar boas histórias", afirma editor da Vice; veja dicas

Por Caio Nascimento


Fotografar na imprensa vai além do clique, um verdadeiro trabalho fotojornalístico tem que apresentar boas histórias, que expliquem a razão da foto existir. É o que afirma o editor de fotografia da revista Vice, Felipe Larozza, que realizou o workshop "Fotojornalismo básico", no 11º Congresso de Jornalismo Investigativo, neste sábado (25).

Para Larozza, que deu dicas de técnicas e de ferramentas fotográficas, o que forma o profissional do fotojornalismo é a boa escrita e o olhar sobre o mundo, não como meras imagens, mas como narrativas. "Se na mesa do bar elogiarem a história que há por trás das suas fotos, pronto, você já tem uma pauta", exemplificou.

Foto: Alice Vergueiro
De acordo com o profissional, não existe mais a tradição de fazer a foto maravilhosa do momento decisivo, é preciso praticar captando histórias e notícias. "Esse é o fotojornalismo de hoje", afirmou. Larozza apontou que essa iniciativa trilha o sucesso do fotojornalista. "O que faz o fotógrafo é a boa visão", pontuou.

O editor da Vice ressaltou que é preciso desmistificar a visão artística do fotojornalismo. "O fotojornalismo requer técnica, bagagem e roteiros que chamem a atenção do público".

 ENTRANDO NO MERCADO

Aos que querem entrar no mercado da fotografia, Larozza ressaltou a importância de se agilizar a parte burocrática. "Façam um CNPJ quando forem vender suas fotos, porque os veículos não compram fotos sem emitir nota fiscal para não caírem na malha fina do imposto de renda", disse. Para registrar um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), basta entrar no Portal do Empreendedor.

Larozza apontou também que o melhor campo de entrada para quem está começando é vender fotos para agências de fotografia, apesar de se dizer contra essas empresas. "Sou militante real e convicto contra as agências de fotografia, mas é a melhor forma de se começar", contou. Segundo ele, essas empresas pagam em torno de R$ 15 para o profissional e não oferecem direitos trabalhistas. Entretanto, há veículos, como a Vice, que pagam o fotógrafo por pauta produzida, sem haver intermédio de agências.

TÉCNICAS

 Aconselhando os fotógrafos de primeira viagem, Larozza contou que além de um bom repertório para criar boas pautas fotojornalísticas, o conhecimento técnico é o primeiro passo. "Entender a câmera tecnicamente inaugura seu contato com o mundo da fotografia", disse.

Além disso, o editor apontou a fotometria como uma técnica essencial para dominar uma câmera. Velocidade, abertura da lente e o fator ISO, que indica a sensibilidade da película à luz, são os suportes principais para comandar qualquer máquina fotográfica. "Esses três pilares vão fazer você dominar a fotografia em pouco tempo", ressaltou.

Em relação a essas bases, Larozza explicou que a velocidade da película que protege a câmera da iluminação está relacionada com a quantidade de tempo que essa proteção fica aberta recebendo luz. De acordo com o editor, quanto mais tempo a película fica aberta, mais luz recebe, e, portanto, o fotógrafo pode perder qualidade de imagem. Para que isso não aconteça, ele aconselha a sempre buscar o equilíbrio entre a velocidade, o ISO e o uso das lentes conforme varie o ambiente.

Segundo Larozza, essas bases citadas se aprendem sem muitos investimentos. "Mais vale ler o manual da máquina de que pagar cursos caros que têm por aí. Sem contar que aprendi muitas noções suficientes no YouTube", contou.

Ao abordar a produção de vídeos no fotojornalismo, o editor afirmou que o único fator que muda entre essa mídia e a fotografia é a velocidade da câmera, porque neste último o espelho da câmera fica aberto o tempo todo recebendo luz. "No vídeo, podemos jogar a velocidade lá em baixo, deixá-la próxima da faixa de 60 a 100", orientou.

Recomendando equipamentos para fotojornalistas iniciantes, o profissional indicou a câmera T3i, da Canon. "Ela é versátil, com uma qualidade de vídeo muito boa e não muito cara comparada com as demais. Fiz algumas matérias da Vice com esse modelo", disse.



O 11º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google, Grupo Globo, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, Conspiração, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, ICFJ, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a orientação de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:

Postar um comentário