29/06/2019

Qualidade técnica das publicações não pode ficar à mercê das estatísticas

Para jornalistas, relevância da reportagem é essencial para o leitor

Por Carlane Borges

Edição Tiago Ângelo
João Gabriel de Lima (Estadão). Foto: Augusto Godoy
O uso de métricas não é uma novidade no jornalismo. Antigamente, por exemplo, haviam pesquisas por telefone para saber o que as pessoas estavam lendo. Hoje, com a revolução digital, os meios de comunicação se aproximam mais das métricas digitais.

No jornalismo, o uso dessa ferramenta ainda se restringe muito à estatísticas de audiência, sem considerar como essa produção reverbera para o público. No entanto, para Pedro Burgos, do Impacto.jor, o jornal não deveria apenas avaliar o número de clicks, mas a relevância da reportagem para o leitor. “Quando as missões são claras, as métricas são muito mais assertivas”, diz.


Marta Gleich, diretora de jornalismo do grupo RBS, conta que sua estratégia é baseada em assinaturas digitais. “A gente tem certeza que não é a publicidade que vai pagar a conta, quem vai pagar a conta é o consumidor final e para isso a gente tem que ter um jornalismo de qualidade”, afirma.

O uso das métricas no veículo do Rio Grande do Sul é focado nos usuários e tem como objetivo aumentar o número de assinantes digitais, que hoje ultrapassam a marca de 17 milhões, com crescimento de 60% ao ano. “É para isso que as métricas servem: para conseguir entregar essa estratégia e deixar o negócio em pé”, diz.


Um consenso entre os palestrantes é o de que o advento da tecnologia não muda o fato de que o jornalismo de qualidade precisa ser levado ao público. “Jornalismo é jornalismo: matéria boa, matéria relevante, matéria importante você tem que publicar. As métricas servem para eu transformar isso numa coisa que o leitor vai ler e aproveitar melhor e, responder as dúvidas dele”, esclarece João Gabriel de Lima, do Estadão.


Lima, salienta que este modo de fazer jornalismo, priorizando o consumidor final, ocorre desde a origem da profissão. “O leitor já era o mais importante. O patrão é o leitor. Não é a publicidade que nos paga, é a assinatura. É esse cara que paga. É essencial conhecer o patrão. É essencial eu saber quem é o leitor”.


Segundo ele, o uso das métricas alterou o modo em que os jornais se relacionam com a notícia. “Antigamente, a matéria terminava no momento em que você fechava. Fechou e acabou. Agora uma matéria é o início de alguma coisa, de uma história que continua. depois que você publica a matéria as pessoas vão reagir, falar daquela matéria.”


O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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