29/06/2019

Projeto de jornalismo independente identifica e mapeia crimes de ódio nos Estados Unidos

Documenting Hate expõe casos de intolerância após eleição de Trump nos EUA 

Texto: Karine Seimoha 
Edição: Samara Najjar 
Rachel Glickhouse (ProPública) e Thais Nunes (SBT). Foto: Ariadne Mussato

Depois de perceber um aumento significativo nos casos de violência por intolerância, tanto real quanto virtual, nos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump, em 2017, a agência ProPublica iniciou um trabalho pautado no interesse público, cujo objetivo é mapear os casos de violência motivada intolerância no país. 

Foi assim que surgiu o Documenting Hate. Com foco no jornalismo de impacto e sem aceitar patrocínio do governo ou de instituições privadas, Rachel Glickhouse destacou a importância do projeto para a sociedade norte-americana, uma vez que mais de 90% dos casos de intolerância não são notificados à polícia no país. E, quando ela fala de intolerância, ela está citando todos os tipos: racial, de gênero, étnica, religiosa, sexual, de identidade de gênero e de orientação sexual. “Acho que certa parte da população ficou empoderada com o Trump para fazer coisas assim contra negros, latinos e imigrantes. Confundem liberdade de expressão com crime.” 

Desde que o projeto foi lançado, por meio de um formulário online para denúncias – uma vez que a polícia norte-americana não é obrigada a reportar os dados de crimes de ódio para o governo federal, tornando o levantamento mais difícil –, já foram recebidas mais de 6 mil denúncias. Todas elas são contadas no site do Documenting Hate. 

Tratam-se, de acordo com Rachel, de histórias interessantes, de fontes interessantes, mas com diversas pendências, justamente pela falta de informações completas. “As pessoas acham que temos dados completos e oficiais de crimes de ódio”, explica. 

O processo Rachel também explicou como funciona o processo de apuração de publicação do Documenting Hate. Trata-se de um trabalho com foco em investigação, que não tem o objetivo de relatar o dia a dia, mas sim, intenção de causa impacto na sociedade a longo prazo. Depois que um personagem se cadastra e conta sua história através do formulário, o repórter que se interessar pode toma-la para si e entrar em contato. 

A partir desse ponto, desenvolve-se todo o ciclo de apuração, que envolve sempre pensar no público enquanto se está escrevendo a reportagem. Além disso, é importante manter o foco no “jornalismo de engajamento”, que conta com um time dedicado a projetos especiais, o uso de redes sociais, mas não para distribuição de conteúdo, além de escutar antes de pautar, com o intuito de criar um ciclo virtuoso. 

A organização também trabalha com parcerias em toda a América Latina, a fim de fazer a informação chegar ao máximo de pessoas possível, aumentando a audiência e encontrando novas fontes. Esse processo também faz parte de um dos objetivos centrais da ProPublica: dividir para conquistar.

O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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