29/06/2019

Governo Bolsonaro elege a imprensa como inimiga, afirma diretor da Piauí

Profissionais falam sobre os desafios de cobrir um governo que desqualifica o jornalismo e faz das redes sociais seu canal oficial de informação

Texto: Karine Seimoha
Edição: André Catto e Leandro Melito


O modo como a imprensa noticia a política mudou já em 2017, com a eleição do presidente norte-americano Donald Trump. No Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), não foi diferente. O atual presidente nunca escondeu sua predileção por um ou outro veículo, além de desqualificar os demais.

“Estamos diante de um bicho, mas um bicho diferente. É diferente porque esse governo elege a imprensa séria como um inimigo, e quer desqualificar, destruir a imprensa”, comentou Fernando Barros, diretor de redação da revista Piauí.

Segundo o jornalista,  Bolsonaro acredita que a imprensa é uma elite e, portanto, faz questão de desqualificá-la, colocando-a no mesmo arco de inimigos que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

Embora cometesse muitas gafes ao conversar com jornalistas no início de sua campanha eleitoral, as entrevistas recentes do presidente demonstram que, apesar de ele não perder oportunidade de destratar os profissionais, sabe o impacto que o jornalismo tem em sua popularidade. Com isso, está ficando mais cauteloso.

“Assessores e ministros que tinham medo de serem vistos falando com jornalistas, e mesmo o próprio Bolsonaro, já se abriram mais. Ele [Bolsonaro] é o presidente que mais fala com jornalista”, destacou Nelson de Sá, colunista da Folha de S.Paulo. Contudo, segundo Sá, a relação dele com a imprensa é a que sempre foi: fala com quem confia, com quem lhe interessa.

Para Fernando Barros essa é uma oportunidade para que o jornalismo se supere. 

Relação com militares

Embora tenha prometido levar especialistas para ocupar cargos de chefia nos ministérios, o presidente acabou compondo um governo de militares. Segundo os palestrantes, isso causou uma movimentação nas redações, pois há muito tempo não há profissionais especializados em militares.

Essa relação próxima do Planalto com o exército é alvo de críticas frequentes da imprensa. Fernando Barros acredita, contudo, que os militares têm um certo desprezo pelo presidente, pois o veem como um mal militar, insubordinado e que ameaçou explodir parte do quartel por razões torpes. 

O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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