27/06/2019

“O meu coração bate pelo jornalismo de todas as formas”, diz Miriam Leitão

Jornalista é homenageada pelos mais de 40 anos de contribuição ao jornalismo

Por Luana Dias, Matheus Menezes e Mariana Soares
Edição Leandro Melito


Míriam Leitão (Globo) recebeu homenagens e foi entrevistada por Daniel Bramatti (Abraji) e Guilherme Amado (OGlobo) 
“Só explica bem quem parou para ouvir. Esse é o privilégio do jornalista. Somos o meio do caminho. É isso que eu sou. É isso que eu quero ser”, refletiu Miriam Leitão no trecho final do documentário apresentado em sua homenagem. 

A jornalista recebeu o prêmio pela sua contribuição ao jornalismo promovido 14º Congresso de Jornalismo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). Mesmo tendo todos os holofotes voltados para si nesse dia, Miriam não largou suas tarefas. Logo após acompanhar a palestra sobre os abusos por militares no Rio, ela parou para dar conta da sua coluna do dia, comentário para rádio e concedeu entrevistas à tarde. “Estou trabalhando. Não posso parar”, diz.


  

Com 47 anos de carreira, Miriam já passou pelo jornal O Globo, revista Veja, TV Globo, rádio CBN, etc. O jornalismo é a sua paixão. “O meu coração bate pelo jornalismo de todas as formas. Jornalismo é múltiplo, é inquietante, exige muito de nós, tem cada vez mais portas para se abrir, se executar, se fazer jornalismo”, afirma a comentarista. 

Nomes como José Hamilton Ribeiro, Zuenir Ventura, Tim Lopes, Elio Gaspari, Elvira Lobato e Carlos Wagner já receberam a tiveram a mesma honra. “Às vezes eu penso nas pessoas que puxaram o meu tapete, e nas pessoas que me pegaram pela mão. Eu fico pensando nas pessoas que me trouxeram até aqui”, conta emocionada. 

Devido ao momento político e social de ataque ao jornalismo, Daniel Bramatti, presidente da Abraji, declarou ao início da homenagem: “Obviamente o que a gente faz é importante, por isso que a gente é atacado e a gente vê que o jornalismo está mostrando ao que veio”. Miriam Leitão, jornalista que lida com a cobertura econômica e política, é acostumada a lidar com ataques à sua atuação. 

Defensora de ideias ligadas ao centro, Miriam está adaptada a lidar com insatisfações por parte das correntes ideológicas da direita e da esquerda. “A democracia, mesmo com os enormes defeitos, é sempre uma construção coletiva para o melhor. Governos ruins sempre vão ter. A democracia nos permite construir e continuar construindo”, afirma a jornalista. 

Prêmio Cláudio Weber Abramo 

Esses ataques não se restringem apenas à Miriam. Pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Massachusetts de Tecnologia comprovou que notícias falsas se espalham mais e mais rapidamente que notícias verdadeiras. Segundo os pesquisadores, o momento político mundial contribui para isso e permite aplicar os estudos ao Brasil. 

E foi na contramão dessa onda de desinformação que o Prêmio Cláudio Weber Abramo de jornalismo de dados foi inaugurado nesse mesmo evento.

O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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