02/07/2015

Cobertura do Poder Judiciário é mal explorada pela imprensa, diz fundador do Jota

Por Letícia Ferreira

Foto: Alice Vergueiro
Um poder pouco questionado pelo jornalismo. É assim que Felipe Recondo, jornalista e sócio-fundador do site de notícias jurídicas Jota, vê as pautas de cobertura do Poder Judiciário brasileiro. Para ele, essa área ainda representa um grande desafio não apenas para a imprensa, mas para outros setores da sociedade que pretendem questionar a Justiça.

Recondo relatou o caso de uma jovem advogada que pretendia realizar uma pesquisa sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das intenções do levantamento era revelar quais juízes demoram mais para julgar determinados casos. No entanto, ela acabou desistindo do trabalho temendo intimidações profissionais futuras.“Um advogado não vai criticar o juiz porque sabe que pode precisar dele”, diz Recondo. 

Ainda na área do direito, a FGV-Rio também teve dificuldade no levantamento de dados para o projeto Supremo em Números, que pretende facilitar a compreensão de grande volumes de informações jurídicas. Depois de analisá-los, a intenção da fundação era disponibilizar os dados brutos em uma plataforma on-line para que fossem acessados por qualquer pessoa. Agora, segundo Recondo, há um risco de as informações não serem publicadas por pressão do Supremo.

“A imprensa não está disposta a comprar a briga [com o Poder Judiciário]”, afirma o jornalista do Jota. De acordo com Recondo, por dois motivos principais: interesses próprios dos veículos e possíveis processos judiciais que podem inviabilizar da empresa ou do jornalista que assinou uma reportagem questionada na justiça. 

Algo próximo do ocorrido com o jornalista Leandro Fortes, condenado a pagar R$180 mil em indenização por danos morais ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ao lado da Revista Capital e de Mino Carta, por três colunas publicadas.

Mesmo assim, a partir da experiência de quase um ano no Jota, Felipe sente que há um interesse crescente da sociedade em entender a atuação do judiciário e como suas atividades influenciam a vida do cidadão. Por outro lado, acredita que a cobertura dessa área é pequena. "Não existe essa cobertura [nos veículos], há poucas pessoas para discutir”.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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