03/07/2015

Jornalismo esportivo é abordado de maneira mais crítica por veículos independentes

Por Letícia Ferreira
Foto: Beatriz Sanz
O jornalismo independente se tornou um campo de inovação de linguagem e de maneiras de financiar o desenvolvimento do trabalho jornalístico. Quando a pauta é esportiva, não é diferente.

Felipe Lobo, sub-editor do site Trivela e Fábio Chiorino, editor do blog ESPN FC e repórter do Esporte Final, participaram do painel 'Jornalismo Esportivo Independente', durante o 10º Congresso de Jornalismo Investigativo.


Para Lobo, "o esporte não é algo isolado do mundo". Segundo ele, o Trivela vai além da cobertura esportiva e aborda as possíveis relações que o esporte pode ter com questões sociais e políticas.

Já o Esporte Fino, agora Esporte Final, vai além dos resultados e não foca na cobertura de um esporte específico. A missão, desde de 2011, quando o projeto teve um aperfeiçoamento editorial, é cobrir o maior número de atividades esportivas, com um conteúdo analítico. "Nós não fugimos das polêmicas, ao contrário, nós procuramos  — porque é isso o que nos define", afirmou o editor.

No caso do Trivela, o conteúdo diferenciado pode ser traduzido em números. De acordo com o editor, a audiência do portal é bem segmentada. Cerca de 60% do tráfego do site é direto, ou seja, esses 60% digitam o endereço no navegador para acessá-lo. Entre 38 e 40% passam pela home e acessam diversos conteúdos dentro do portal. O Trivela trabalha com prioridades diferentes das praticadas em outros veículos que cobrem o futebol — como a exposição da vida pessoal de jogadores, segundo Lobo. Ele dá como exemplo a reportagem "Como o futebol moldou a identidade cultural do Brasileiro", que abrange temas como políticas públicas, econômicas e sociológicas. Lobo afirma que "questões espinhosas como essas, não são destacadas pelos veículos maiores".

A liberdade editorial do jornalismo independente é apenas um dos lados. Para Chiorino, "com a independência editorial surge o desafio de viver com a independência financeira". Todos os editores e colaboradores do Esporte Final trabalham em outros lugares para sobreviver. O projeto raramente resulta em receitas financeiras.

Para aqueles que se interessam pelo caminho do jornalismo esportivo independe Lobo orienta a buscar o jornalismo regional. "Quem está longe dos grandes centros pode trabalhar com a imprensa local. Geralmente, times do interior e de algumas regiões do país pouco aparecem nos grandes veículos de esporte e há uma oportunidade nisso".

Chiorino compartilha da opinião e acredita que é possível atuar de maneira independente fora dos grandes centros midiáticos. "É um caminho super viável. É preciso ter em mente que a independência editorial vem com uma responsabilidade muito grande", como a cobrança do público.

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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