04/07/2015

Emoção e multiplataformas são as apostas da Globo para Olimpíada do Rio


Por Caroline Monteiro

Foto: Camila Alvarenga
Não são só os atletas que precisam de preparação longa e intensa para um melhor desempenho durante os Jogos Olímpicos. Ainda em 2014, mais de dois anos antes da abertura, que acontece em agosto de 2016,  a equipe de jornalismo das grandes emissoras já está em aquecimento para a cobertura da primeira Olimpíada no Brasil. 

Foi sobre essa preparação que o jornalista Renato Ribeiro, responsável pelo projeto olímpico da Globo, falou em painel que debateu a inovação na cobertura em TV da Olimpíada de 2016, núltimo dia do Congresso da Abraji. "Estamos criando um evento multiplataforma, com três grandes plataformas integradas e trabalhando juntas."
No Brasil, a transmissão do evento será feita por três canais abertos (Globo, Band e Record) e por quatro canais fechados (SporTV, Fox, ESPN e Band Sports). Com exceção das empresas das Organizações Globo, todas as outras têm liberdade apenas para replicar e repetir na Internet o que foi transmitido na televisão. O desafio, segundo Ribeiro, é concorrer com a própria Globo, uma vez que a emissora é a única que pode produzir conteúdo diferente para TV aberta, TV fechada e Internet. "Estamos trabalhando de um jeito que, quando acabar um jogo e começar a novela, o telespectador vá para a web ou para o SporTV, e não para a Record."

Outra estratégia adotada pela emissora é apostar na qualidade do ao vivo. Para isso, foram comprados espaços para câmeras exclusivas nos locais de transmissão, com a intenção de dar foco nos atletas nacionais caso eles não estejam sendo mostrados pelas câmeras da Olympic Broadcasting Services (OBS - organização internacional responsável pela transmissão dos jogos). Na linha editorial, o objetivo é fazer o telespectador entender o esporte, as regras da competição e quem são os grandes atletas. "Nosso desafio é fazer as pessoas se emocionarem com as Olimpíadas e, para isso, elas precisam saber o que está acontecendo". 

Somos Todos Olímpicos. A programação da Globo voltada para a Rio 2016 será intensificada em agosto de 2015, com ampla divulgação dos esportes, da campanha "Somos Todos Olímpicos", e com a criação de séries especiais para o Fantástico e Jornal Nacional e do programa "Balada Olímpica", que estreia em 5 de agosto e será apresentado por Carol Barcellos uma vez por mês após o Jornal da Globo e em todos os dias dos Jogos Olímpicos.

A transmissão será realmente intensa: na TV aberta, serão nove horas de programação esportiva durante os 17 dias de competição, totalizando 160 horas, incluindo 110 horas ao vivo. A grande dificuldade é a montagem da grade da emissora. Esportes coletivos serão transmitidos ao vivo. Atletismo, natação e ginástica, considerados os três grandes pilares dos jogos, também têm grande índices de audiência, mesmo que não tenham atletas brasileiros nas competições, porque são os esportes que mais formam heróis, segundo Ribeiro.

Algumas provas específicas, muito longas ou com muitos atletas competindo ao mesmo tempo, são problemáticas para o planejamento da emissora, que começou dois anos e meio atrás. Apesar da antecedência, nem tudo é previsível. "A segunda semana da Olimpíada é uma incógnita", conta Ribeiro. "As decisões tem de ser tomadas de um dia para o outro."

Além da competição. Para Ribeiro, a relação Copa x Olimpíada é equivalente ao embate entre paixão e amor, respectivamente. Por isso é tão importante defender os quatro pilares que a Globo vem adotando na campanha pré-Rio 2016: emoção, admiração, transformação e educação. Como a diversidade de atletas e esportes é gigante, o tratamento de toda a cobertura é muito diferente, assim como o público atingido. 

"Nas Olimpíadas, as mulheres são tão protagonistas quanto os homens. Isso é muito importante para nós que fazemos conteúdo. Elas são a primazia da audiência e quem mandam no controle remoto. O protagonismo das mulheres faz elas se verem naquela situação", aponta Ribeiro. 

Outra preocupação do jornalista é o tratamento que o esporte receberá após o fim da Olimpíada no Brasil. "Vemos uma política voltada para a área apenas agora. Mas e depois? Rio 2016 vai jogar uma cortina de fumaça no esporte brasileiro. Todo mundo vai achar que é uma maravilha, mas não é. A direção das confederações é catastrófica."

O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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