03/07/2015

Jornalista peruana ensina a sobreviver como repórter freelancer

Por Mariana Bananal

Foto: Tamiris Gomes
Com as mudanças que ocorrem dentro das redações em todo o mundo, o jornalismo freelancer cada vez mais é uma alternativa para os profissionais continuarem no mercado e ganharem dinheiro. Embora existam dilemas sobre a prática, já que as condições de trabalho podem ser precárias, a jornalista peruana Verónica Goyzueta, correspondente internacional freelancer no Brasil, aponta os melhores caminhos para sobreviver nesta função. 


1. Pense no trabalho como se fosse um empresário: é preciso ter um projeto de pauta, objetivos e estratégias para a execução da matéria. Além do controle de produção, o jornalista deve pensar em seu caixa. Com um bom planejamento, é possível calcular um fluxo de entrada e saída do dinheiro, sabendo quanto será gasto no projeto, tendo em mente o valor a ser recebido. Além disso, poupar uma parte do que recebe é fundamental para a estabilidade financeira.

2. Seja versátil e saiba escrever sobre diferentes temas:  Verónica trabalha há 20 anos como correspondente no Brasil. Começou escrevendo para agências de notícias e há alguns anos se tornou freelancer. “No início da carreira, trabalhar para veículos de comunicação é um experiência importante”, mostra. É uma oportunidade para reunir fontes e contatos. O freelancer precisa estar atento a tudo que está acontecendo no país onde atua, ler diferentes jornais, para conseguir escrever sobre temas diversos como política, meio ambiente, economia e até entretenimento.

3. Seja especialista em um tema: além da versatilidade, se especializar em um assunto abre portas. O freelancer precisa ter alguns veículos fidelizados, para o qual sempre escreverá, garantindo uma renda fixa mensal. Ser especialista destaca o profissional para atingir esse objetivo.

4. Saiba escrever em mais de uma língua: inglês, espanhol e francês abrem portas. São os idiomas mais procurados para produção de conteúdo. Verónica lembra, ainda, que com a melhora da economia dos países latino-americanos, os jornais desses lugares passaram a comprar mais matérias. Além disso, esses países ganharam visibilidade no exterior, e publicações com temas destes lugares passaram a ser requeridas por jornais de todo o mundo.

5. Valorize o seu trabalho: não há muito jogo para negociar, embora o pagamento não deve ser desrespeitoso ao trabalho realizado. Verónica lembra que não existe uma tabela internacional que fixe o preço das reportagens. A remuneração varia de acordo com o orçamento de cada redação. "Para matérias em jornal impresso, eu recebo entre 120 e 400 dólares por um texto que contenha de 500 a mil palavras". O preço sempre dependerá daquilo que é pedido e dos tipos de fontes que precisam ser ouvidas. Matérias online podem valer cerca de 40 dólares, enquanto publicações em revista são melhor remuneradas. O pagamento vai de 400 a 700 dólares, dependendo do veículo. A mídia alemã é a que melhor remunera os jornalistas freelancers. 

6. Invista nas suas próprias reportagens: normalmente, o processo de produção da reportagem freelancer se inicia em um contato com o editor do veículo para o qual ela será oferecida. Na oportunidade, o repórter discute o que a mídia quer e também pode pedir ajuda de custo para a produção de seu material. Nem sempre as matérias serão aprovadas. Contudo, o espírito empreendedor do repórter pode levá-lo a investir em seu próprio material. Verónica exemplifica a situação com um projeto no qual investiu R$ 1.745 e acabou tendo como retorno R$ 7.950, vendendo o resultado de seu trabalho para quatro veículos diferentes. Para isso, é importante também que o repórter produza pautas diferentes para cada publicação.

8. Use as redes sociais para divulgar seu trabalho: o repórter iniciante, ainda não conhecido, pode usar as redes sociais a seu favor, para divulgar seu trabalho. É importante ter um Twitter que mostre seu modo de pensar, um Facebook com seu material de trabalho postado, e também redes como o Linkedin, que permite aos possíveis contratantes conhecer o trabalho da pessoa. Também é preciso mostrar seu trabalho, e uma opção para quem tem poucas publicações são os blogs. Neles, vale inserir o portfólio acadêmico, além de coberturas e publicações já realizadas. 



O 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio do Google, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Gol, Itaú, Oi, TAM, Twitter e UOL, e apoio da ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), ANJ (Associação Nacional de Jornais), Comunique-se, Conspiração, Consulado Geral dos Estados Unidos no Brasil, FAAP, Fórum de Direitos de Acesso à Informações Públicas, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, sob a tutela de coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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