Ferramentas facilitam pesquisa sobre políticos, reúnem
pedidos feitos por meio da LAI e processos judiciais contra jornalistas e
público geral
Por Carolina Marcheti
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| Tiago Mali(Abraji) e Hugo Salustiano(Transparência Brasil) reforçam importância de ferramentas e bancos de dados na apuração jornalística l Foto: Alice Vergueiro |
Nesta sexta-feira, 29, Tiago Mali, Coordenador de Projeto e Cursos da Abraji, e Hugo Salustiano,
da Transparência Brasil, apresentaram dois projetos que tem por objetivo
auxiliar profissionais da imprensa e o público geral a buscar e mensurar
informações relativas a ações judiciais movidas por políticos, personalidades e
organizações governamentais e privadas que se sentem difamadas por
profissionais da imprensa. Há também uma terceira ferramenta que reúne pedidos
feitos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Na mesa “Ferramentas
da ABRAJI para jornalistas”, Mali explicou em detalhes o projeto CTRL-X,
que cataloga processos movidos por políticos, pessoas notórias e empresas, e o
Publique-se, que reúne documentos de ações judiciais de candidatos a cargos políticos.
O segundo ainda está em fase final de elaboração, e ambos são abertos para uso
do público geral.
Salustiano, por sua
vez, expôs o terceiro programa, o Achados e Pedidos, projeto realizado em
colaboração com a ONG Transparência Brasil que agrupa solicitações feitas via Lei de Acesso à
Informação e suas respostas.
Segundo Mali, muitas
figuras entram com processos para tirar matérias ou mesmo publicações de redes
sociais do ar alegando difamação. Esse tipo de processo, explica o coordenador,
além de constranger o indivíduo, em especial o jornalista, é uma ameaça à
liberdade de imprensa, uma vez que, cria a ideia de que falar dos envolvidos,
habituados com esse artifício judicial, é um risco.
Ainda segundo Mali,
ferramentas como essas são importantes para facilitar a procura por dados essenciais.
Tanto quando a busca é pela situação de um elegível, como para garantir o
direito de expressão sem retaliações ou censura prévia.
Quem processa? Por quê?
O CTRL-X, cataloga, a partir de procura manual e algoritmos
de raspagem de dados da justiça eleitoral, quais políticos, e sob quais
alegações recorreram à justiça. Posteriormente, ao perceber que algumas
instituições processavam jornalistas ou indivíduos que as criticavam
publicamente, o programa se tornou mais abrangente, envolvendo também processos
de pessoas notórias e empresas.
Na ferramenta é
possível filtrar e retirar dados explorando diversas variáveis, como estado,
alegação, formato, autor e empresa. O CRTL-X é capaz de mostrar, por exemplo,
qual tipo de processo mais acontece no estado de São Paulo. O mês que antecede
as eleições, contou Mali, é o que ocorre a maior parte dos recursos movidos por
políticos que não desejam ser associados à críticas.
O coordenador da
Abraji citou o caso de Celso Russomano, que, ao ser acusado de não pagar
impostos em seu estabelecimento “O Bar do Alemão”, entrou com um processo para
que o Google não permitisse pesquisas associando seu nome ao local.
O Publique-se, por
sua vez, reúne documentos de ações judiciais no STF e STJ, relativos a todos os
candidatos a cargos governamentais desde 2006. Além da busca nominal, é
possível procurar por assuntos mais genéricos, como o termo “corrupção”.
Uma das ferramentas
mais importantes para pesquisa de dados no Brasil é o objeto do projeto Achados e
Pedidos, feito em colaboração com a Transparência Brasil. A
plataforma mostra pedidos e respostas feitos via Lei de Acesso à Informação no
país.
O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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