Por
Daniela Arcanjo
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| Nikole Hannah-Jones (NYT) e Marcelo Moreira (TV Globo) debateram no principal painel do dia. Foto: Alice Vergueiro |
O encerramento do segundo dia do 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo teve a participação Nikole Hannah Jones, jornalista investigativa da ‘New
York Times Magazine’, que foi a entrevistada da mesa “Cobrindo gênero e raça: o que
podemos aprender com o NYTimes”. O encontro contou com a mediação de Marcelo
Moreira, conselheiro da Abraji e jornalista da TV Globo.
Hannah-Jones ganhou diversos prêmios ao longo dos seus 15 anos
de carreira, como o Peabody,
George Polk e o Hechinger Grand Prize for Distinguished Education Reporting. Em
2015, foi eleita a jornalista do ano pela Associação Nacional de Jornalistas
Negros e, em 2017, foi uma das 24 pessoas escolhidas para receber o MacArthur
Fellowship.
Com o seu
artigo “Escolhendo uma escola para a minha filha em um cidade segregada”, para
a ‘New York Times Magazine’, ganhou o prêmio National Magazine. Hannah-Jones
discorre sobre a batalha que percorreu para encontrar uma escola diversa e de
qualidade para a filha, em um sistema escolar que, segundo ela, ainda divide
negros e brancos e prioriza o segundo grupo.
A
jornalista afirma que não há progresso quando se trata de racismo. “Meu pai não
precisava ser grato por não ter sido escravo, porque a escravidão nunca deveria
ter existido”. No contexto educacional, ela compara a atual situação das
escolas americanas com a vivida no período pós-segregação, que se deu na década
de 1970.
A repórter aponta a igualdade escolar, em termos de
qualidade de ensino e de oportunidades, como uma das saídas para acabar com o racismo
nos Estados Unidos. “A diferença nas escolas explica grande parte da
desigualdade nos Estados Unidos”, afirma. E completa: “alguém toma as decisões para
que as escolas negras tenham a pior infraestrutura”. Para ela, as escolas
americanas não estão quebradas, e sim funcionando como o programado.
Essa situação é refletida no jornalismo americano. Segundo Hannah-Jones,
os jornalistas são majoritariamente brancos e ignoram os problemas negros que
não tem grande visibilidade na cobertura da imprensa. Para ela, isso acontece
especialmente no jornalismo investigativo. “A parte da América que eu cubro é a
América que vocês nunca viram, mas é também a América que grande parte dos
americanos brancos nunca viram”, afirma.
Ida B.
Wells Society
Com esse problema em mente, Hannah-Jones resolveu, em 2016,
fundar uma sociedade com alguns colegas. A Sociedade Ida B. Wells treina
jornalistas negros para serem jornalistas investigativos e, dessa forma,
aumentar a quantidade de negros nas redações do país. Segundo ela, o trabalho
jornalístico não é objetivo, e ter a visão de outros grupos sociais é
essencial.
Hannah-Jones diz que é importante contar com a diversidade
nas redações para que negros e outras minorias sejam vistas de um ponto de vista mais humano. “Nas
redações as pessoas se dizem progressistas, mas há ainda muito preconceito e
reprodução de estereótipos”, afirma. E o curso tem um impacto também nos
alunos: as pessoas que vão ao curso falam que nunca foram treinadas por pessoas
negras. “É muito poderoso ver pessoas como você fazendo o que você quer fazer”,
completa.
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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