por Daniela Arcanjo
![]() |
| Marisa Kwiatkowski, repórter da Indianopolis Star, fala sobre o caso de abusos sexuais contra atletas da seleção olímpica americana | Foto: Alice Vergueiro. |
O terceiro dia do 13º Congresso
Internacional de Jornalismo investigativo contou com a premiada jornalista
americana Marisa Kwiatkowski, do jornal Indianapolis Star. A repórter apresentou a
investigação de abusos sexuais contra ginastas nos Estados Unidos, que revelou
368 casos e resultou na condenação de Larry Nassar, ex-médico da seleção
olímpica. A mesa foi mediada pela jornalista esportiva Gabriela Moreira, da
ESPN.
A investigação do escândalo, que
teve sua primeira matéria em agosto de 2016, começou com outra reportagem da
jornalista. Kwiatkowski explicou que estava pesquisando abusos sexuais nas
escolas. Em contato com as fontes, ela recebeu uma pista de que deveria
investigá-los no mundo da ginástica.
A publicação dos casos resultou
na condenação do médico Larry Nassar por abusar de centenas de ginastas e na
indenização das vítimas. A Universidade de Michigan, onde grande parte dos
abusos aconteceu, teve que pagar U$ 500 milhões para as vítimas.
Para a repórter, a importância em
falar desses temas, para além da punição dos responsáveis, está em encorajar os
sobreviventes a compartilharem suas experiências. “Toda vez que alguém traz a
público a sua história e é ouvida por outras pessoas, ela encoraja outros a
fazer o mesmo”, afirma ela.
Em 13 anos de carreira, a
jornalista acumula mais de 50 prêmios, incluindo o Indiana Journalist of the Year, IRE's Tom Renner
Award, Casey Medal for Meritorious Journalism e o Will Rogers Humanitarian
Award.
Por dentro de uma grande reportagem
No debate, Kwiatkowski deu várias
dicas para jornalistas que querem investigar sobre assuntos como esse ou se
interessam por jornalismo investigativo. Por ser um tema delicado, a repórter
frisou a importância de conversar o máximo possível com as fontes e explicar
exatamente o que pretende com aquela matéria.
O momento da entrevista com uma
das vítimas também foi citado por ela. “No momento em que você está
entrevistando um sobrevivente, não é sobre você”, afirma. Para a repórter, é
importante tentar não reagir durante a conversa e ter em mente que aquela
entrevista é para ouvir o que a fonte tem a dizer e retirar o que for
necessário para construir a reportagem.
Como a matéria foi feita por
várias pessoas, a organização das informações foi um ponto importante para o
sucesso da investigação. Essa organização incluiu transcrever todas as
entrevistas e compartilhá-las, familiarizar-se com todas as informações — e não só aquela que era de sua responsabilidade — e achar um método em que todos pudessem saber o
que estava acontecendo na apuração.
Com tantas informações, erros
podem ser muito comuns. Kwiatkowski ressalta a importância de sempre checar todos
os fatos durante a apuração. Ela contou que, um dia antes da publicação de uma
das matérias, a equipe de repórteres ainda estava conferindo e mudando o texto.
Segundo ela, a reputação de um jornalista é essencial para a confiança em seu
trabalho. “É muito importante você pegar todas as perspectivas de uma
reportagem, porque você nunca sabe o que falta em uma história”, afirma.
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:
Postar um comentário