Por Natália Novais
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| Fernando Torres explicou o funcionamento de alguns tipos de empresas. (Foto: Alice Vergueiro) |
Torres comenta que a maioria das
empresas no Brasil precisa tornar seus dados públicos para a sociedade e isso
acontece através de um diário oficial. Os diários oficiais são jornais criados para divulgar atos
da administração executiva, legislativa e judiciária no país.
Um dos problemas apontados pelo jornalista
é que essas informações expostas nem sempre são transparentes. “Muitos dados
estão maquiados, às vezes são publicados atrasados, sem contexto. Se uma
empresa divulga um balanço patrimonial sem uma nota explicativa, para nós
entendermos do que se trata é um problema”.
Exemplo comum desses “dados maquiados” são os
relatórios de gastos com a remuneração da diretoria. A empresa não coloca o
valor que cada cargo custa, mas sim a soma de todos eles, tornando impossível
saber o valor que determinado diretor ou consultor ganha.
O site do governo federal Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) pode ajudar a encontrar dados,
pois é um repositório de informações das empresas brasileiras. Dentro dele é
possível encontrar desde processos judiciais a quanto uma empresa lucrou em um
determinado período.
Torres explicou que dentro do CVM uma
das ferramentas mais poderosas para se descobrir furos, são as planilhas que
indicam os fatores de riscos que determinada corporação tem: “É possível ver se
as empresas fizeram empréstimos e quanto estão pagando de juros por isso”.
Outro caminho apontado pelo
jornalista é o site da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). “Ele
também é uma fonte de pesquisas, muitas coisas inclusive saem antes no site da
Jucesp, do que no diário oficial. Clubes de futebol, por exemplo, tem
dificuldade em disponibilizar seus dados financeiros, é na Jucesp que você
consegue ver esses dados.”
Reportagens
sobre fusões ou aquisições de empresas são muito comuns no noticiário
econômico. Torres diz que repórteres que conseguem ter acesso a essas
informações geralmente chegam a elas por meio de fontes anônimas. No entanto,
quando confrontados, se for verdade, os diretores dessas corporações precisam
admitir e confirmar o fato. “Quando um
caso de compra vaza na imprensa, a empresa envolvida precisa admitir e
confirmar a história, do contrário ela sofre um processo”, explica.
O jornalista observa ainda que mesmo
que no Brasil as empresas tenham a tendência de ocultar os dados, isso não
significa que elas estão escondendo algo errado. “Nem todo problema fiscal ou de rombo
financeiro tem em suas origens uma intenção criminosa. Às vezes pode ser falta
de responsabilidade, nesse sentido a pena para irresponsabilidade é uma, já a
pena para ladrão é outra.
Umas das críticas levantadas por
Torres é a falta de ferramentas livres que auxiliam na pesquisa destes dados.
“Precisamos de ferramentas, que fazem aglutinação de dados de graça”, afirma.
Outro ponto levantado é o caso de
empresas que simplesmente não fornecem esses dados, por não se configurarem na
lógica do capital aberto. Geralmente são corporações transnacionais, como as
montadoras: “Elas têm relevância para sociedade, inclusive pegam dinheiro
emprestado do BNDES, ganham incentivos fiscais e, mesmo assim não prestam
esclarecimento sobre suas contas.”
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Mcdonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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