Por
Carolina Marcheti
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| Carolina Oms(AzMina), Giulliana Bianconi(Gênero e Número), Sérgio Spagnuolo(Volt Data Lab/Abraji) e Pedro Doria(Meio) formaram o painel. Foto: Alice Vergueiro |
Entre os desafios de fazer jornalismo de
qualidade estão a remuneração e o próprio mercado de trabalho, em crise há
muitos anos. Iniciativas de comunicação têm nadado contra a corrente buscando
formas de sustentar seus conteúdos e reportagens.
Convidados para participar do debate 'Dificuldades e recompensas de jovens iniciativas de mídia no Brasil', que
aconteceu hoje no 13° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, Carolina Oms (Revista AzMina), Giulliana Bianconi (Gênero e Número), Sérgio
Spagnuolo (Volt Data Lab/Abraji) e Pedro Doria (Meio) falaram sobre como novas iniciativas em comunicação nasceram, as realizações e os desafios de adaptar o
negócio a um mercado incipiente no Brasil.
Segundo Dória, estes novos empreendimentos no
jornalismo formam um ecossistema de startups da comunicação e quanto mais
modelos de negócio existirem, melhor para todos. Ainda segundo o fundador do
portal Meio, se mais pessoas se especializarem nesse tipo de negócio, criam-se
produtos de comunicação e um nicho de mercado.
Perfil
profissional
É consenso entre os participantes a
necessidade de um perfil gestor entre os jornalistas nas startups. “Não dá para
trabalhar só com jornalismo. Se você não coloca alguém para cuidar do negócio,
você coloca o seu próprio negócio em risco”, afirma Dória. Bianconi conta que
quando começou a empreender achava que fosse ser diferente. “Não imaginava que
teria que fazer tantas planilhas, cálculos…
Adoraria fazer mais reportagens, mas tenho que resolver os pepinos
também”, afirma.
Oms chama atenção para a necessidade de um
modelo de negócio para novas iniciativas. Fundado por 7 mulheres e sem plano de
negócios, na base da tentativa e do erro, ela percebeu que a parte
administrativa é muitas vezes negligenciada pelo comunicador. “O modelo de
negócios é engolido pelo jornalismo, porque o jornalismo é sempre urgente.
Sempre vão ter novas matérias e furos, se você os prioriza, acaba não tendo ninguém na
administração ou captando recursos”.
Spagnuolo, por sua vez, iniciou sua empresa
sozinho e trabalha com prestação de serviços para portais de comunicação e
empresas. “Depois que eu mudei essa mentalidade e entendi que eu tinha que ser
minha empresa, o Volt começou a dar certo”, comenta. Ele acrescenta que não tinha
um plano de negócios, mas identificou um nicho de mercado e desenvolveu um
modelo a partir da insistência e de tentativas e erros.
As iniciativas utilizam diversos métodos de
captação de recursos, que vão desde fundos de investimentos, editais, prestação
de serviços a consultorias e assinaturas.
Atualmente são os ideais que movem esses
jornalistas. Oms conta que sempre gostou de trabalhar na grande imprensa, mas
hoje vê um propósito maior em seu trabalho. “Outro dia conversei com uma
cabeleireira que disse que sempre achou o mundo machista, mas nunca teve com
quem falar sobre isso, até ler a revista e se sentir contemplada”.
Já Dória
acredita que a nova geração não se informa de maneira organizada e se o Meio
conseguir comprimir a informação de forma que as pessoas possam consumir
informação de qualidade, o trabalho recompensa. Existe também uma realização profissional em
empreender, Spagnuolo.“Essa é a melhor fase da minha carreira”, conta.
O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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