Por Ruam Oliveira
A integração entre plataformas não é
a única transformação a que os diretores de redação precisam estar atentos.
Passando por um período de mutação nos modos de fazer jornalismo, a figura do
repórter também é diretamente impactada por todas estas mudanças. “O espírito
multitarefa é o espírito do repórter moderno”, apontou
Alan Gripp, diretor de redação do jornal O Globo, durante palestra no 13º
Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji.
Gripp, Daniela Pinheiro, diretora de redação
da revista Época, Sérgio Dávila, editor-executivo do jornal Folha de S. Paulo,
e Marcelo Beraba, responsável pela sucursal do Estadão no Distrito Federal,
discutiram o assunto na mesa ‘O Comando em mutação: diretores de redação na era
das transformações’.
O repórter que ia para a rua, fazia a
apuração, voltava para a redação e depois estava livre do trabalho não existe
mais. “Hoje em dia colocar o ponto final no texto é o começo de seus
problemas”, apontou Dávila.
Num momento em que as redações vivem
intensa transformação não só na forma de produzir o conteúdo, mas também como
fazê-lo chegar ao leitor, ao jornalista não basta escrever uma matéria. Esse
profissional precisa acompanhar o desempenho online do texto e saber se a
matéria cabe na versão mobile - de onde vem grande parte dos acessos -, além de
produzir diferentes títulos que se adaptem às redes, à plataforma digital e ao
impresso. E, por fim, deve pensar em métricas.
É como se a responsabilidade com o
texto se tornasse praticamente infinita. Passado um ano de determinada
reportagem, por exemplo, cabe ao repórter que a produziu relembrar seu editor
de fazer link caso o mesmo assunto torne a aparecer no noticiário, sugerir um
acompanhamento etc.
Nesta realidade, a gama de exigências em relação ao repórter segue alta, ainda mais com as redações cada vez menores. A alteração para redação integrada junto com o jornal O Globo e jornal Extra, fez com que a revista Época, por exemplo, passasse a ter cerca de 450 jornalistas ao seu dispor, apontou Daniela Pinheiro.
Nesta realidade, a gama de exigências em relação ao repórter segue alta, ainda mais com as redações cada vez menores. A alteração para redação integrada junto com o jornal O Globo e jornal Extra, fez com que a revista Época, por exemplo, passasse a ter cerca de 450 jornalistas ao seu dispor, apontou Daniela Pinheiro.
Na prática, isto significa que os profissionais são compartilhados entre os três veículos. Dos quase 50 dedicados anteriormente apenas à revista, apenas 12 profissionais permaneceram após a reformulação de operações.
Beraba destaca que uma equipe
reduzida precisa ser muito qualificada. “Se você não tiver uma equipe muito
boa, forte e preparada, dificilmente conseguirá fazer muita coisa. Valia na
década de 1970 e continua valendo hoje”, aponta.
Modelo de negócios
Igualmente, a forma de entrega do
conteúdo também se alterou. Desde fevereiro deste ano, a Folha de S. Paulo não
utiliza mais o Facebook para veicular seus materiais. “Não aconteceu nada”,
disse o representante do jornal quando questionado sobre os impactos desta
decisão.
É consenso entre eles que a qualidade
deve ser o objetivo central de todas as produções. O alcance e audiência são
fatores secundários no momento de decisão de onde devem ou não investir seus
esforços. “O bom jornalismo é a chave da coisa”, reforçou Gripp.
“Cortar custos é um modelo de
negócios finito”, disse Rosental Calmon Alves, do Centro Knight para o
Jornalismo nas Américas, que atuou como mediador da palestra. Ele reforça que
neste momento, a imprensa saiu do quantitativo e passou ao qualitativo.
No caso do jornal O Globo e Folha de
S. Paulo, por exemplo, a maior parte das receitas vem de consumidores pagantes,
por meio de paywall e assinaturas. Mais do que números, os editores buscam
audiência qualificada.
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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