Por Aline
Barbosa e Dominique Tuane
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| Joseph Poliszuk (Armando.info), Milagros Salazar (Convoca) e Flávio Ferreira (Folha) formaram o painel mediado por Guilherme Amado (O Globo). Foto: Alice Vergueiro. |
O surgimento de
consórcios internacionais de jornalistas contribui para o desenvolvimento de
investigações envolvendo a chamada operação Lava Jato. Esse foi o tema da
palestra que ocorreu na tarde desta sexta-feira, 29, no 13º Congresso de Jornalismo Investigativo. A mesa "Do Brasil para o mundo: a cobertura transnacional da Lava Jato" foi mediada pelo jornalista Guilherme Amado, do jornal 'O Globo' e do JSK
Stanford, e contou com profissionais de dois programas criados com essa
finalidade: “O Investiga Lava Jato” e o "Lava Jato En Latinoamerica".
Essas
experiências têm ajudado a superar barreiras na apuração por meio da obtenção
de documentos e contextualização de fatos. “O primeiro objetivo foi conhecer os padrões e
ver como funcionava o sistema de corrupção”, disse a jornalista Milagros
Salazar, fundadora e diretora do Convoca, veículo de jornalismo investigativo
peruano. “No início, os programas buscavam ir além dos vazamentos, contando
histórias próprias, com contextos mais amplos”, afirmou.
Ela faz parte
do consórcio "Investiga Lava Jato" junto com o jornalista Flávio Ferreira, do
jornal 'Folha de S.Paulo', outro participante do encontro. O programa é
composto por 20 jornalistas de 11 veículos da América Latina. Alguns pontos
foram cruciais para unir esses profissionais. "Em primeiro lugar, nós
compreendemos que os casos de corrupção estão muito interligados, então, era
preciso entender contextos maiores. E a colaboração é o caminho natural para
você dar conta da complexidade e do tamanho do caso”, afirmou Ferreira.
O jornalista do
site de notícias venezuelano Armando.Info, Joseph Poliszuk, integrante do consórcio "Lava Jato En Latinoamerica", relatou que teve dificuldades ao lidar com idioma,
divergências de legislação, barreiras culturais, escassez de fontes e
informações institucionais. Ferreira disse que os desafios contribuíram para
novos contatos no exterior. "Era inevitável fazer um trabalho conjunto com
outros jornalistas".
Os palestrantes
ressaltaram que todos devem ser iguais e que se um jornalista não sabe
trabalhar em certa área, pode agregar em outras. "Quem faz jornalismo
colaborativo sempre pensa 'poxa, será que eu também não posso colaborar mais no
meu próprio país? Ou mesmo com o colega que está ao meu lado?”, comenta o jornalista.
“Às vezes, a gente fica muito no trabalho individualista, mas quando você
colabora para fora, também tem os olhos e a cabeça mais abertos para contribuir
com o seu colega.”
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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