Por Natália Mota
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| Jason Reich(BuzzFeed), Thais Nunes(SBT) e Janaina Garcia(UOL). Foto: Alice Vergueiro. |
O assédio virtual contra jornalistas é um ataque com alvo claro -
intimidar e impedir a publicação de conteúdos indesejados. O diretor de
segurança global do BuzzFeed Jason Reich alerta para alguns cuidados que podem
ser tomados tanto para aumentar sua segurança nas redes, quanto para agir em um
possível caso de assédio na internet.
Entre os pontos destacados, está a necessidade de separar o conteúdo público
do privado. “Não estou falando que não se pode ter Facebook, mas é preciso
reconhecer a repercussão do seu trabalho e saber separar. Você precisa garantir
que se uma pessoa se irritar com o seu trabalho ela não vai encontrar a sua
família”, conta.
Reich recomenda que a transição de uma conta para a outra seja feita de
forma rápida e eficiente, para que o jornalista esteja minimamente
protegido antes de o ataque acontecer. Para potencializar a sua segurança e
fazer uma “limpa” no seu perfil do Facebook, ele recomenda o site Security
Planner. A página faz um o passo a passo de como não expor informações privadas
publicamente.
“Se você é um bom jornalista você naturalmente vai deixar as pessoas
bravas, mas, apesar dos tempos sombrios, existem formas de se proteger. Então, incorpore
o ‘cara ruim’ por alguns minutos e tente encontrar o máximo de informação
pública sobre você em uma aba anônima da internet. É por esse caminho inverso
que você vai começar a se proteger.”
O especialista aponta que um erro frequente é quando jornalistas bloqueiam os perfis após sofrer algum tipo de ataque. “Com essa atitude, os
assediadores têm a sensação de dever cumprido. Meu sonho não é que essas
pessoas sejam presas, mas, sim, ignoradas.” Sobre o caminho de
investigação, ele ressalta que o caminho é longo, mas necessário. “Não é sobre
punir, é sobre fazer a coisa certa.”
Ele acrescenta que é fundamental que todo tipo de mensagem, vídeo e
publicações ofensivas sejam registradas. Como muitas vezes o conteúdo do ataque
é extremamente sensível ao jornalista, Reich recomenda que o profissional peça
ajuda. “O ideal é entregar a senha para alguém de confiança que entre
no perfil, vasculhe todo o material fazendo registros e te devolva o perfil
posteriormente.”
Apoio dos veículos
A estrutura por trás
desses jornalistas também é imprescindível para que ele se sinta seguro para
trabalhar. “Editores não ajudam seus repórteres a se defenderem de um assédio
porque são 'legais', é obrigação legal deles prestar esse apoio”, conta Reich.
No caso de
jornalistas independentes e freelancers, a recomendação do especialista é se
reunir em grupos e cobrar medidas dos veículos de comunicação. Um exemplo
de profissionais que se uniram é o coletivo “Jornalistas contra o assédio”.
As repórteres e co-fundadoras
do grupo Thais Nunes, do SBT, e Janaina Garcia, do portal UOL, reconhecem um
avanço no debate sobre assédio, principalmente com foco em gênero. “Antigamente não se
ouvia falar abertamente sobre assédio”, diz Janaina. “Hoje, um assediador pensa
duas vezes antes de expor seu ódio publicamente. Esse é um movimento que tá em
curso e não tem volta, ele não vai parar.”
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Tolice na minha modesta opinião
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