Por Daniela Arcanjo
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| Stephen Engelberg, editor-chefe da ProPublica comandou o principal painel do último dia de congresso. Foto: Alice Vergueiro |
Fundada em 2007, a ProPublica é uma redação sem fins lucrativos de jornalismo dedicada à investigação, dados e jornalismo de fôlego. Foi inicialmente financiada pelo casal de filantropos Herbert e Marion Sandler, mas hoje mais da metade da receita da organização vem de outras fontes.
O jornalista conta que, em 2007, o casal percebeu algo
acontecendo com o jornalismo por causa da popularização da internet: surgia um
ambiente com menos dinheiro e mais competição. Eles resolveram, então, investir
em uma outra forma de se fazer notícia, com mais investimento, liberdade e
colaboração. Hoje, a cada US$ 1 colocado na agência, US$n0,85 vai para o
jornalismo. Por ser um site, há menos gastos que empresas tradicionais, como impressão
e distribuição.
Engelberg fala que foi perceptível o aumento de
colaborações após a eleição de Trump, protagonizada por escândalos envolvendo as
chamadas fake news e venda de dados em redes sociais. Hoje, o jornalista
ressalta a importância da agência. Segundo ele, qualquer que seja o seu
posicionamento na política, é essencial saber que o jornalismo é importante
para a democracia. Engelberg afirma que isso está ficando mais claro para as
pessoas com o passar do tempo.
Hoje veículos como o ‘The New York Times’ e ‘The Washington
Post’ publicam em parceria com a ProPublica. Essas colaborações, segundo
Engelberg, são um modelo “ganha-ganha”, bem diferente da competição que se
encontra entre a maioria dos veículos de comunicação. “Eu não imaginava que
outras redações iriam querer publicar histórias como as da ProPublica”, conta
ele.
Mas foi o que aconteceu, com grande êxito: em 2010, ganhou
junto com o ‘NY Times’ um Pulitzer pela reportagem
The Deadly Choices at Memorial. Foi a primeira reportagem publicada
originalmente em um veículo online a ganhar o prestigiado prêmio. A internet,
segundo o editor, ajudou esse tipo de jornalismo por conectar pessoas que antes
não estavam em contato.
Colaboração
Com bases de dados colaborativas, redação diversificada e
investimentos consideráveis, a ProPublica representa, para o jornalista, um
modelo que pode crescer no futuro. Um de seus projetos, em
português, convida o leitor a dar a sua contribuição sobre os centros de
detenção de crianças que foram separadas de seus pais após eles serem detidos
ao entrar nos Estados Unidos. No primeiro parágrafo do texto lemos: “Precisamos de
sua ajuda para obter informação sobre os locais de detenção e sobre as crianças
que estão nelas”.
A diversidade de formações entre os profissionais da
redação e o tempo de que eles dispõem para fazer a reportagem, para Engelberg, fazem
toda a diferença na qualidade das apurações. "Antigamente você cobria uma
história e, para isso, entrevistava cinco pessoas. Quando te perguntavam: ‘como
você sabe disso?’ Você respondia: ‘eu conversei com cinco pessoas’. Hoje os leitores
querem mais dados (...). Agora o trabalho é mais complicado e você precisa de
mais pessoas". Bem-humorado, finaliza: “é impossível ser feliz sozinho”,
em português.
O 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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