Por Dominique Tuane
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| Jornalista venezuelano Joseph Poliszuk, em palestra na quinta-feira dia 28 | Foto: Alice Vergueiro |
A crise na Venezuela vem se deteriorando desde o governo
Chavéz. A escassez de comida, remédios, itens básicos de higiene e grandes
índices de inflação fez com que cerca de 1 milhão de pessoas deixassem o país
entre 2014 e 2017, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas.
Roraima tem sido o principal destino daqueles que buscam
fugir dessa crise. De acordo com a Polícia Federal, no final de dezembro de
2017, 30 mil venezuelanos pediram residência no Brasil. No entanto, o governo tem encontrado dificuldades em receber e abrigar esses imigrantes.
Além da precariedade da situação econômica da Venezuela,
a censura dos meios de comunicação prejudica e retarda o trabalho dos
jornalistas. Quatro deles estão sofrendo na pele as consequências da situação. Alfredo
Meza, Ewald Scharfenberg, Roberto Deniz e Joseph Poliszuk saíram do país após a
insegurança instaurada pela denúncia de difamação de um empresário ligado ao
presidente venezuelano.
Em matéria publicada no site Armando.info, Poliszuk escancarou ligações escusas do empresário com o governo local, e a partir daí,
passou a ser retaliado. Recebeu a solidariedade dos outros três companheiros de
profissão e editores do portal. O venezuelano contou essa história na mesa 'O
jornalismo no exílio', durante o 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.
Denúncia
O site Armando.Info publicou duas matérias onde o nome do
empresário Alex Nain Saab Moran é citado. Revelados em abril e setembro de 2017
os artigos afirmam um vínculo financeiro do empresário com o grupo 'Grand Limited do México' e com o programa do governo venezuelano para combater a
fome e a desnutrição. As notícias ainda afirmavam que Saab mantinha um
relacionamento de interesse comercial com o governo desde o antigo presidente,
Hugo Chavéz.
Saab alegou que sua imagem e reputação foram afetas por
conta dessas declarações. O empresário passou a acusar o site de difamação, entrando com um processo
que resultaria em uma pena de um a seis anos de prisão e o pagamento de uma multa
de US$ 60 mil, cerca de 231.780,00 reais.
Em matéria para o Knight Center for
Journalism in the Americas, Alfredo Meza declarou: "Uma das coisas
que nos obrigou a sair [da Venezuela] é que nos disseram que não tínhamos
nenhuma chance de vencer o julgamento. A juíza encarregada do caso nunca ditou
uma sentença em favor de alguém que não o governo, e isso sabemos por nossas
investigações e pela base de dados que temos".
Joseph Poliszuk hoje viaja contando suas experiências e o que
passou durante esse processo, e fala que os jornalistas estrangeiros que chegam
à Caracas também sofrem com a censura. Se a matéria não
for do agrado do governo o profissional pode ser mandado embora. “Muitos brasileiros estão sendo expulsos por matérias não
tão polêmicas” afirma. Atualmente, ele vive da renda de projetos de financiamento coletivo e outras colaborações.
O 13º
Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji
e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo
Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol,
Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se,
BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso
a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center
for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa,
Textual e UNESCO. Desde a 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por
estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do
Projeto e diretores da Abraji.

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