Por Ana Paula Bimbati
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Luís Adorno, Maria Carolina Trevisan (UOL) e Anabela Paiva (Vozerio) formaram a mesa com mediação de Marcelo Godoy (Estadão)
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Imagine começar uma reportagem com deadline apertado, enviar um pedido
de Lei de Acesso à Informação para conseguir dados essenciais para a produção
da matéria, e recebê-los apenas 8 meses depois. Foi exatamente isso o que
aconteceu com o repórter do UOL Luís Adorno, responsável pela cobertura de
segurança pública do portal, quando escrevia sobre a morte de presos em São
Paulo.
As informações chegaram dois meses após o ouvidor das polícias enviar um
relatório para Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Adorno
compartilhou suas experiências ao lado de Anabela Paiva, do Vozerio, na
palestra “Cobertura de segurança pública: temas e problemas”, mediada pelo
jornalista do Estadão, Marcelo Godoy, com apoio da colunista do UOL Maria
Carolina Trevisan.
Para Anabela, os obstáculos para conseguir informações podem ser uma
estratégia do governo. “Um exemplo é a morte do adolescente de 14 anos na Maré.
A polícia informou que havia 23 mandados naquela região, mas não disse quem
prendeu, se prendeu, não se sabe a origem”, contou a jornalista.
Editora na revista online Vozerio, ela também relatou as dificuldades de
conseguir informação até mesmo via LAI. “Já responderam que não têm equipe para
responder a pergunta”, lembrou.
A grande dica, segundo Godoy, para os jornalistas, é fazer um
planejamento. “Envie 10 pedidos por mês e não desista”, pontuou. A legislação
permite entrar com até três recursos junto aos governos para pleitear respostas
satisfatórias.
Outra dificuldade apontada pelos repórteres foi a própria segurança.
“Faz 4 anos que não entro à noite na Vila Jacuí (em São Miguel, Zona Leste de
São Paulo). Precisei abrir mão de estar lá. Também evito de publicar
determinados assuntos nas redes sociais”, contou Adorno, que morava no bairro.
A colunista Maria Carolina disse que recebe ameaças até mesmo nas redes
sociais. “Meu primeiro texto foi sobre o Massacre do Carandiru e, dos 350
comentários, todos foram negativos”, afirmou. Para ela, o repórter que cobre
segurança pública precisa adotar algumas práticas para a sua própria segurança.
“É importante, ao sair, avisar a chefia e alguém próximo onde você está, evitar
andar sozinho e publicar nas redes sociais, por exemplo”.
Pesquisa analisou cobertura de 2004 e 2015
A jornalista Anabela Paiva apresentou uma pesquisa comparando a
cobertura de violência pela mídia entre 2004 e 2015. Segundo os dados, houve
35% de redução das matérias veiculadas sobre o assunto nos seis jornais
analisados: Estadão, Folha de S. Paulo, O Dia, Jornal Extra, O Globo e Agora.
Para ela, isso também é um reflexo da redução de profissionais nas redações.
Além disso, o estudo apontou as principais fontes ouvidas nas
reportagens dos veículos. Quase 27% das matérias não tem fonte, 33% tem apenas
uma. Uma problemática levantada é que na maioria das vezes a única voz na
reportagem é a do policial.
“É preciso cultivar uma relação de confiança com a população e tornar
essa cobertura mais plural”, disse. Para a colunista Maria Carolina, é preciso
entender que não é “jornalista militante, mas é a militância pelo jornalismo de
qualidade”.
O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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