Com mediação de Alana Rizzo, jornalistas João Peres e Leonardo Cavalcanti falaram sobre a cobertura empresarial e a prática do lobby no Brasil
Por Bianca Ribeiro e Tchérena
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| Trio de veteranos debateu com o público a cobertura jornalística de empresas e a prática do lobby | Foto: Alice Vergueiro |
A pressão de agentes
privados, como empresas e organizações, pode interferir diretamente na criação,
modificação ou extinção de uma política pública. É isso que afirmam os jornalistas
João Peres e Leonardo Cavalcanti, veteranos na produção de reportagens sobre
lobby.
Um dos fundadores da página
O Joio e O Trigo, Peres falou de sua experiência na cobertura do lobby científico com foco em políticas
alimentares. O jornalista apresentou dados sobre doenças, sobrepeso e
obesidade, tabaco e outras questões de saúde pública, mencionando estudos
científicos que foram “guiados” por interesses de agentes privados. “Há uma
convergência muito grande entre os interesses da Indústria e os institutos de
pesquisa, a área acadêmica”, comentou.
Peres conta que usa a Lei de
Acesso à Informação (LAI) para suas reportagens
e que identificou quem seriam os lobistas por meio de entrevistas com
organizações especializadas no tema. Dentre as principais dificuldades, ele
cita o fato de O Joio e o Trigo ser um veículo novo e pequeno, a dependência do
mundo digital e a novidade do tema.
Já Leonardo Cavalcanti,
editor de política do Correio Braziliense, estuda o lobby na indústria de
armamentos leves. “Chamados de ‘mercadores da morte’, os grandes lobistas de
armas são militares da reserva e policiais militares aposentados”, conta. O
jornalista também apresentou dicas para quem quer cobrir o tema, criticou a
proposta do Estatuto do Desarmamento em tramitação no Congresso e concluiu que “faltam
dados mais efetivos” sobre a área.
Os jornalistas também
mencionaram as dificuldades na cobertura de lobby que possivelmente surgirão
com as novas regras de financiamento de campanha eleitoral. Segundo Leonardo,
com a proibição de doações de empresas para candidatos, não será mais possível
fazer consultas por CNPJ. Com isso, será preciso identificar dentre as pessoas
físicas aquelas envolvidas com agentes privados.
Ambos os palestrantes
apontam a importância da regulamentação e fiscalização do lobby no Brasil. “É
preciso regulamentar. No caso das armas, saberíamos quem são os lobistas, quais
são os interesses por trás disso, o que está em jogo”, conta Cavalcanti.
O 13º
Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji
e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo
Globo, Facebook Journalism Project, McDonald´s, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol,
Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se,
BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso
a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center
for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa,
Textual e UNESCO. Desde a 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por
estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do
Projeto e diretores da Abraji.

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