O que a história de
Waldirene Nogueira e o perfil de Ricardo Corrêa, o fofão da Augusta, têm em
comum?
Por Luana Nunes e
Ruam Oliveira
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| Amanda Rossi(BBC), Chico Felitti(freelance) e Carla Jimenez(El Pais) formaram a mesa |
Se Amanda Rossi, repórter da BBC Brasil, e o jornalista
Chico Felitti esperassem apenas pelo acaso para escrever as histórias que se
tornaram famosas, elas não existiriam. Para ambos a insistência foi crucial
para a realização das matérias.
Eles consideram que o acaso na reportagem acaba sendo apenas
o começo, um start, e o repórter precisa dedicar-se muito caso queira ver o
material publicado. O tema foi abordado pelos repórteres na tarde desta
sexta-feira, 29, na mesa ‘Quando o acaso rende boas reportagens’ no 13º
Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. “Acho até que o nome dessa
mesa está errado”, brincou Felitti.
“Quando você está
cobrindo uma história, parece que é só ela que está acontecendo”, enfatizou
Rossi. Este envolvimento com a pauta, segundo ela, precisa ser encarado com
cautela. Para a repórter da BBC Brasil, a postura jornalística precisa sempre
se manter clara, mesmo que após a pauta - ou até mesmo durante a apuração - o
profissional estabeleça uma relação próxima com a fonte. “Não dá para esquecer que
ainda somos jornalistas”.
Felitti discorda. Autor do famoso perfil de Ricardo Corrêa,
mais conhecido como Fofão da Augusta, morto em dezembro de 2017,
aponta que, para ele, não existe um limite. “Estou tentando arrecadar dinheiro
para a Animal ir para os GayGames, porque é o sonho
dela”, ri. Animal é Ana Luiza dos Anjos, maratonista que vivia há 17 anos em um
quarto no Ginásio do Ibirapuera, personagem de outro perfil escrito por Felitti
e de quem virou amigo: “Ela foi até no meu casamento”.
Nenhum deles ignora a responsabilidade de contar a história
de alguém. No caso do perfil de Ricardo Corrêa, Felitti conta que passou a
noite que antecedeu a publicação sem dormir, preocupado com o impacto que a
história teria.
Amanda Rossi escreveu a história de Waldirene
Nogueira, primeira transexual a passar por uma cirurgia de
readequação de sexo no país. O assunto surgiu durante uma conversa com
funcionários do Arquivo do Tribunal de Justiça de São Paulo, enquanto realizava
outra apuração. Mas ela precisou negociar bastante com sua chefia para executar
a pauta.
Os profissionais que participaram da mesa estimaram que 50%
da profissão jornalística é saber como vender a pauta. “Isso é algo que não se
aprende na faculdade”, disse Felitti.
O 13º Congresso internacional de Jornalismo investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi com o patrocínio de Google News Lab, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, McDonald's, Estadão, Folha de S.Paulo, Gol, Itaú, Nexo jornal, Twitter e UOL, e apoio da ABERT, ANJ, ANER, Comunique-se, BuzzFeed, Consulado dos Estados Unidos, ETCO, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Revista Piauí, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, OBORÉ Projetos Especiais, Portal Imprensa, Textual e UNESCO. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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