29/06/2019

The Intercept está quase se bancando, afirma editor

Com Vaza Jato em evidência, número de assinantes do site aumentou significativamente

Por Ariádne Mussato e Beatriz Santoro
Edição Cristiane Paião e Leandro Melito

Andrei Netto (Headline), Pedro Doria (Meio), Luiza Bodenmüller (Aos Fatos). Foto: Augusto Godoy
Financiado pela First Look Media, do fundador do Ebay, Pierre Omidyar, o site The Intercept Brasil também conta com financiamento dos leitores. Segundo Leandro Demori, editor do site, o valor pago pelos assinantes como pessoa física está próximo de ultrapassar o valor repassado pela empresa de mídia, objetivo traçado pela equipe. "É um sonho que está muito perto de acontecer", afirma. 

Desde o começo do ano, o site conta com assinaturas recorrentes, arrecadando hoje mais de R$ 260 mil reais por mês somente com seus mais de 9 mil leitores assinantes. A série de publicações  da Vaza Jato colocou o The Intercept em evidência, o que colaborou com o aumento das doações. No dia 11 de junho, o montante arrecadado por mês era de 92 mil reais, um aumento de quase três vezes mais.

São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maior parte do público financiador, de acordo com o jornalista que também afirma que projetam alcançar outros estados.

Uma das estratégias para conseguir o financiamento das publicações é a utilização da newsletter, que representa uma considerável fatia na conquista de novos leitores financiadores. 

Durante o início da Vaza Jato, um dos textos ficou disponível por duas horas somente para os assinantes da newsletter, que é gratuita. Para Demori, isso mostra para os leitores que não se trata apenas de uma assinatura sem nenhum valor, mas de um investimento em informações. 

Assim como o The Intercept outros veículos buscam novas formas de financiamento para manterem sua estrutura de publicações no Brasil.

É o caso do Aos Fatos, publicação especializada em checagem. A gerente de inovação Luiza Bodenmüller, ressalta que o apoio financeiro dos leitores é hoje uma forma de garantir a sustentabilidade do veículo e manter sua independência editorial. 

“Assim não é necessário ter que abrir exceções ou concessões para financiamentos externos que, a qualquer momento, podem dizer ‘obrigado, a gente não vai mais te financiar’”, conclui Luiza. Apesar disso, ela pontua que ainda há dificuldade em conseguir fidelizar os leitores pagantes.

Segundo o jornalista Andrei Netto, as dificuldades encontradas para o financiamento de veículos independentes se assemelham com qualquer outra pequena empresa. Prestes a lançar uma plataforma de consórcio jornalístico chamada Headline ele aponta o investimento em tecnologia, marketing, noção de estratégia de negócio são ameaças constantes de qualquer projeto iniciante.

Apesar das dificuldades, um dos criadores da newsletter diária Meio, que possui assinaturas paga e gratuita, Pedro Doria, acredita que o momento vivido pelo jornalismo é propício para criação de novas iniciativas. “O que estamos vivendo é um ciclo. Agora, quanto mais start-ups de jornalismo melhor. Assim, mais gente cria o hábito de se informar. Depois, vem o momento de consolidação”, conclui. 


O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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