Por Emily Santos
Edição Tiago Angelo
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| Thiago Herdy (O Globo/Época/Abraji), Daniela Lima (Folha de S.Paulo). Foto: Emily Santos |
Parte do trabalho do jornalista é construir relações que beneficiem o público por meio de informações relevantes. Mas, para Daniela Lima, editora da coluna “Painel”, do jornal Folha de S.Paulo, às vezes é melhor que o jornalista se cale.
A profissional, que expôs sua experiência na mesa “A ética do off” durante o 14º Congresso da Abraji, defendeu que é importante que o jornalista saiba qual a intenção da fonte por trás da informação passada e consiga discernir quando não deve divulgar o que sabe.
“Essa informação tem valor público para além do interesse deste cidadão? Isso é importante para as pessoas? Vai alterar o jogo de poder que está se desenrolando ali atrás? Isso acrescenta uma nova camada à análise que estamos fazendo dos fatos? Esses outros elementos têm mais valor para mim do que a intenção da fonte”, exemplifica.
Apesar disso, Daniela defende que a relação do repórter com a fonte faz parte da função e que manter em sigilo sua identidade é um direito do jornalista. “É um instrumento que está previsto no Manual da Folha e de outros veículos”, reforça.
“Eu não sou obrigada a abrir minhas fontes”, conta, reiterando que é responsabilidade do repórter construir, no dia a dia, um relacionamento de confiança com o informante, sempre tendo em mente que é fruto de uma segurança das duas partes.
Ainda segundo ela, é função do profissional da notícia confirmar o que está sendo publicado. “Quando receber uma informação mais sensível, tente checá-la de todos os lados possíveis”, aconselha a repórter. “O jornalista precisa entender que quem está exposto é ele e o veículo para o qual ele trabalha”, completa.
Off e segurança jurídica
Daniela Lima explica que trabalhar com off é muitas vezes pedir que o veículo permita a publicação da notícia mesmo sem nenhuma garantia além da confiança do repórter na fonte e no próprio faro jornalístico.
No entanto, isso não significa que o processo seja simples, uma vez que, dependendo do peso da informação, não revelar a fonte pode representar
um risco ao meio de comunicação.
Por isso, a jornalista explica que o veículo, uma vez que deposita confiança na informação que o profissional obteve, precisa se assegurar juridicamente para não sofrer represália ou ser descredibilizado pelas pessoas envolvidas.
“Quando vai-se trabalhar com informações com certos níveis de sensibilidade, é preciso se cercar de todos os lados. Eu já precisei ir em cartório assinar uma declaração de próprio punho, com a assinatura do diretor de redação e dos secretários de redação certificando o que eu havia levado”, conta.
Apesar desta situação ter sido singular em sua carreira, a editora aproveita a oportunidade para usá-la como exemplo durante sua fala, e dar outra dica: “cuidado, via de regra, que precisamos ter em mente que quando estamos trabalhando com informações mais sensíveis: é sempre importante gravar as entrevistas”.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

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