![]() |
| Thiago Reis, do G1, fala sobre a reportagem de dados “Escravos sem Correntes” . Foto: Alice Vergueiro. |
Por Samara Najjar
Transformar estatísticas e
documentos em histórias de interesse público é um dos maiores desafios do
jornalismo de dados. Para além de traduzir planilhas e convertê-las em textos,
jornalistas também apostam em diferentes recursos para prender a atenção do
leitor e explicar temas importantes de forma mais didática.
A elaboração de um infográfico foi
uma das principais etapas da produção do Basômetro 2.0, do jornal Estadão. O projeto trata-se de
uma ferramenta online que permite medir o governismo de cada partido político
ou deputado entre os anos de 2003 até os dias de hoje. Nele, há registros dos
mais de 844 mil votos dados por 1.811 parlamentares em todas as 2.427 votações
realizadas na Câmara nos últimos 17 anos.
De acordo com Rodrigo Menegat,
responsável pela parte infográfica do projeto, o intuito do jornal era oferecer
uma plataforma onde todos pudessem explorar e fazer uma pesquisa rápida sobre
as pautas do Governo. “As pessoas têm interesse em dados. Temos que oferecer
alternativas para ensiná-los a analisar. Nesse contexto o infográfico e o
design são muito importantes”, disse.
A inserção de conteúdos multimídias
na reportagem também foi uma das apostas do site G1 na plataforma “Escravos sem
Correntes”. O veículo analisou cerca de 33 mil páginas de documentos do
Ministério do Trabalho que tratavam de infrações sobre trabalho escravo no
país. Na época, em 2017, o então presidente Michel Temer iniciava discussões
para reformulação das normas trabalhistas.
“Além de mostrar dados, fizemos uma
“história em quadrinho” para contar relatos desses trabalhadores de uma forma
que não precisássemos identifica-los. Usamos ilustrações e vídeos”, contou
Thiago Reis, coordenador de dados do G1.
Ainda segundo Thiago, para conseguir
os documentos, o G1 precisou fazer uma solicitação via Lei de Acesso à Informação
(LAI). Na requisição, os jornalistas que atuaram no projeto pediram informações
sobre os relatórios de fiscalização de ações referentes ao combate de trabalho
escravo dos anos de 2016 e 2017 feitas pelos grupos móveis do Ministério do
Trabalho, especificando os tipos de operações- identificação de infrações
anotadas em estabelecimentos.
“Conseguimos mostrar que sempre que havia um
resgate de trabalhador, eram aplicadas mais de 19 infrações. Não era uma
simples saboneteira, havia muitas outras situações graves”, disse o
coordenador. “Tínhamos números, mas também histórias reais que precisam ser
contadas”, acrescentou Thiago.
GPS
ideológico
Usando o modelo estatístico
desenvolvido pelo cientista político computacional Pablo Barberá, a Folha de S.
Paulo categorizou ideologicamente mil influenciadores e 1,7 milhão de seus
seguidores no Twitter. Intitulada como “GPS Ideológico”, a plataforma teve o
intuito de compreender melhor o debate político brasileiro na plataforma.
Daniel Mariani, um dos responsáveis
pelo projeto, constatou que as pessoas têm dificuldade de seguir indivíduos com
pensamentos ideológicos distintos dos seus. “Quando você segue o Bolsonaro, a
chance de você seguir o Lula é praticamente ínfima. A partir desse raciocínio,
construímos uma linha, por meio de gráfico, distanciando polos”, explicou.
Os seguidores desses influenciadores
foram mapeados e inseridos em uma reta, mostrando se as convicções políticas
eram ou não próximas as outras. “ Quando o assunto é política, uma pessoa de
direita tende a retwittar assuntos de sua mesma ideologia. Porém, o mesmo não
ocorre nas pautas de futebol ou cinema, por exemplo”, constatou Mariani.
A reportagem mapeou ainda quais eram
as palavras e emojis mais utilizados por determinados nichos. “O emoji bandeira
da Palestina, por exemplo, está inserida mais à esquerda, já a do Brasil, à
direita”, observou o jornalista.
O 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Google News Initiative, Grupo Globo, Facebook Journalism Project, Itaú, UOL, Twitter, Estadão, Folha de S.Paulo, Poder 360, Crusoé e Aos Fatos; apoio de mídia de Correio (BA), CBN, Grupo RBS e SBT; e apoio institucional de Abert, ANJ, Aner, Comunique-se, Consulado dos Estados Unidos, FAAP, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Insper, Jornalistas & Cia., Knight Center for Journalism in the Americas, Meio, Oboré Projetos Especiais, Ogilvy, Portal Imprensa, Revista piauí, Textual e Unesco. Desde sua 5ª edição, a cobertura oficial é realizada por estudantes do Repórter do Futuro, orientados por profissionais coordenadores do Projeto e diretores da Abraji.

Nenhum comentário:
Postar um comentário